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O DISCO VOADOR

       
                   Ronaldo José de Almeida

No domingo, após a missa, toda turma estava reunida na porta da Igreja, aguardando a chegada de Ludugero, o dono da bola.
Não demorou muito e ele chegou, batendo a bola no chão e foi logo descendo a rua em direção ao campinho localizado no terreno de dona Alice, a meninada barulhenta o seguiu saltitante.
Chegando ao campo, todos foram para baixo da frondosa sibipiruna que estava coberta de flores amarelas, vistosas e dispostas em panículas, pareciam cachos de avencas.
Ludugero com seu jeito de mandão começou imediatamente a divisão dos dois times, ele ficou de pé no meio dos jogadores que se mantinham assentados ao seu redor.
Podia se contar entre outros: Peixe Elétrico, Traíra, Gorilão, João Galinha, Detão, João Bereta, Grilinho e seu irmão Batatinha, Joãozinho Pé-sujo, Roberto Perna de Alicate, Paulo Espírito, João Capa-Preta e Raul.
Assim que o líder começou a organizar os times João Bereta fixou o olhar para cima, rumo à copa da grande árvore, como se tivesse visto algo anormal.
- O que foi Bereta? Indagou Batatinha.
- Olhe lá em cima, aquelas luzes, está vendo? - respondeu o rapaz.
- É mesmo gente, vejam que bonito.
Todos olharam para cima, às luzes coloridas eram vistas entre as folhas da árvore e realmente eram bonitas.
De repente alguém disse: - É um disco voador é um disco voador!
Começou então um enorme burburinho, todos queriam falar ao mesmo tempo.
Alguns rapazes foram se afastando devagar, o vendedor de picolés deixou a caixa no chão saindo em desabalada carreira e desapareceu.
Traíra que estava ao lado de Ludugero perguntou-lhe: - Lu será que o disco voador vai descer aqui?
- Claro que não Traíra, eles descem somente onde tem água!  respondeu Ludugero do alto da sua sabedoria.
Insatisfeito Traíra insistiu: - Uai Lu, Por quê?
- Porque o “país” deles não tem água, eles vivem numa seca brava, então eles vem aqui buscar, são de paz, más tem sede. -respondeu Ludugero.
Ainda insatisfeito Traíra perguntou: - Eles são do Ceará Lu?
- Não seu burro, são marcianos, nunca ouviu falar? – Eles moram nas “estranjas”.
Mesmo sem entender o papalvo Traíra se acomodou.
João Capa-Preta chamou Raul e disse: - Vamos embora, não podemos brincar com coisa séria.
Grilinho e Batatinha correram para casa, o mesmo aconteceu com João Galinha e Gorila.
As luzes diminuíam o brilho no movimento de vai-vem, sempre que o vento soprava, e este ato era seguido de gritos e exclamações dos rapazes.
Roberto Perna de Alicate foi o único que não se intimidou com o suposto “disco voador” e afastado da turma observava as luzes.
Repentinamente portando uma pequena vara, ele subiu na árvore e bem no alto bateu com o ramo na direção das luzes.
Para surpresa e decepção de todos, as luzes era o resultado da reflexão dos raios do Sol sobre uma enorme teia de aranha.
A decepção foi geral!

***
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Enviado por RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA em 14/09/2007
Reeditado em 18/12/2007
Código do texto: T652363

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Sobre o autor
RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Montes Claros - Minas Gerais - Brasil
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RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA