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A Questao Fundamental

A QUESTAO FUNDAMENTAL

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Onde vamos almoçar amanhã? Será que as batatinhas estarão no ponto? E o bife? Será que o garçom vai lembrar que o meu é bem passado? E a conta? Será que vai dar pra pagar? E se não der? Será que tem muitos pratos pra lavar neste restaurante?

São estas as grandes – algumas nem tão grandes assim - questões fundamentais, que afligem a humanidade, desde que o primeiro primata resolveu descer das arvores.

Até hoje o ser humano se pergunta, se isto foi realmente uma boa idéia.

Na verdade, em essência, esta é a grande questão existencial da humanidade.

 O pensamento judaico cristão ocidental, acredita que deveríamos ter permanecido no alto das arvores. Já os orientais pensam que o grande erro foi se aventurar pelas savanas. Enquanto alguns crêem que não deveríamos nem ter saído do mar. Até porque nos finais de feriado prolongado, voltar pra casa – peço perdão pelo trocadilho infame – é um martírio.

Há mais ou menos dois mil anos atrás, pregaram um cara, que andava muito mal vestido, em um pedaço de madeira porque ele costumava circular por aí dizendo coisas tolas como, por exemplo: “Amai-vos uns aos outros”.
             
Como é sabido, este tipo de pensamento, nao é exatamente o que os tecnocratas chamam de "pensamento pró ativo". Afinal, nao é capaz de minimizar os custos e nem maximizar os resultados. Muito menos seria capaz de "potencializar resultados, agindo de forma dinâmica nas estruturas que fomentam o mercado". (Claro que tudo isto, sob a otica de uns caras que andavam bem vestidos e ganhavam a vida, investindo em acões das companhias que fabricavam espadas)
 

Aconteceu que uns caras que tambem tinham umas roupas bacanas - e que eram os bambambans da época. Eram os reis da cocada preta, se achavam realmente o máximo, e não suportavam que o resto da rapaziada achasse que um cara fosse mais legal do que eles... Eram tipo o poder judiciário hoje em dia. - se aliaram aos caras que investiam no mercado de fabricaçao de espadas, e que estavam tendo prejuízos consideráveis por causa destas coisas tolas que o primeiro cara dizia, que resolveram entao, pregá-lo em bom um pedaço de madeira, para ele ver o que era bom para a tosse.

Deste então, os caras que tinham roupas bacanas, e os caras que fabricavam espadas ficaram muito ricos. Uns compraram roupas ainda mais bacanas, e outros puderam diversificar seus negócios, e investir no emergente mercado de fabricação de pedaços de madeira em forma de cruz.

Mas as coisas tolas que o cara dizia, e que talvez pudesse resolver algumas das tais questões fundamentais, por uma questão de semântica, nunca resolveu coisa alguma.

É que  ninguém conseguiu entender direito, o que o cara que foi pregado na cruz quis dizer com a palavra “outros”.

Alguns alegavam que “outros” era uma expressão muito vaga – e pediam a deus para que na próxima vez que ele mandasse um cara pra ser pregado na cruz, que fosse um cara mais especifico, que nao gostasse tanto de parabolas e metaforas  – e abrangente e que era preciso delimitar a extensão deste vocábulo para dar-lhe maior praticidade.

Ao final de acaloradas discussões, ficou definido que “outros”, seriam todos aqueles que forem da sua família, ou da família da sua mulher, salvo os cunhados, pirralhos chatos e primos distantes.

Enquanto o pessoal discutia esta questão de semântica e retórica, os caras que faziam espadas e que nunca se preocuparam muito com as tais questões fundamentais, ficaram com o tempo livre pra inventar a catapulta, a pólvora, o tresoitao carregado até a tampa e a fissão nuclear.

A bomba de nêutrons aposentou definitivamente o uso da espada, e a publicação de “O Espírito do Capitalismo e a Ética Protestante” demoliu de forma irrevogável, o que ainda restava de bom senso nas palavras do cara que foi pregado na cruz.

Quem somos? De onde viemos? E pra onde vamos? São indagações que continuam sem resposta, mas apesar de não melhorar a situação, agora pelo menos, temos certeza que não conseguiremos pagar a conta.

Tomara que não sejam muitos os pratos.
milimetro
Enviado por milimetro em 18/09/2007
Reeditado em 10/01/2008
Código do texto: T658226

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Sobre o autor
milimetro
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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