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Diário de um estrangulador em tempos de chuva!

    Chovia muito naquela noite. Da janela onde estava podia observar os trovões que clareavam o céu. Além do portão, as gotas de chuva eram tão pesadas que dava pra se ouvir o barulho delas ao longe quando tocavam o chão das ruas quase desertas. Só mesmo um louco sairia nesse tempo. Como eu já havia matado 2 guardas e um enfermeiro do manicômio onde me encontrava preso há 7 meses, saí.
   Caminhei rapidamente até a porta de saída. Logo poderia estar cercado por mais idiotas como os que assassinara pouco antes. Nunca gostei de médicos mesmo. Os outros internos pareciam agitados em seus quartos, acho que só eu estava gostando do temporal mesmo. Começei a ouvir passos apressados atrás dos meus, logo me alcançariam se eu não corresse.
   Pulei o muro ( droga de cadeados e portões!) e andei pelas ruas escuras há procura de um bom esconderijo. Olhando para o céu, percebi outra desvantagem: a bendita da tormenta começava a passar (que azar), e isso faria com que as multidões tomassem conta de novo da cidade, das lojas, dos prédios, de tudo! Sempre detestei multidões também. Parei num barzinho daqueles de beira de estrada e pedi um sanduíche que há tanto tempo já não comia. Minha sorte começava a melhorar...
  Depois de saborear aquela iguaria deliciosa, tive que sujar as mãos mais um pouquinho (não pensaram que eu ia pagar o lanche né!) Aquele dono do boteco era bem gordo. Deu um pouco de trabalho, mas o fato de não ter ninguém por perto e aquela faquinha de cortar carne á disposição me favoreceram bastante. Pois bem, como não tinha mais pra onde ir, julguei que nenhum hotel me aceitaria naquelas horas sem um tostão furado no bolso. Dormi por ali mesmo.
  Qual não é minha surpresa ao sair de manhã cedo do recinto e dar de cara com um monte de viaturas, policiais, câmeras e um bocado de olhos por todos os lados ! O pior de tudo era ter de aguentar aquele sol escaldante que levava embora os últimos vestígios de uma noite chuvosa inesquecível para mim ( nunca gostei dos dias ensolarados também). Acabei por acabar ali mesmo, que pena!
  A notícia saiu em muitos jornais. Agora, aqui no sanatório de segurança máxima Arkhan City - que nome chique - sou uma celebridade. Todos em cima de mim, espremendo-me, apertando-me, ninguém me deixa em paz! Depois quando se começa a estrangular as pessoas por aí, você pega prisão perpétua e ainda é chamado de louco! Além disso, nunca pedi para ficar em hospícios. Desde que matei minha esposa estrangulada, confessei tê-lo porque a mulher era muito chata, não por loucura alguma. Mas não, insistem em me prender nesses lugares e ainda me importunam com entrevistas e reportagens. Como odeio repórteres!
  Agora preciso ficar aqui. Acordo cedo todo o dia para terapia, banho de sol á tarde, remédios a toda hora, ai, ai. Que tédio! Esse pessoal não aprende mesmo. Tomara que passe algo bom na tv hoje. Detesto esses filmezinhos de sessão da tarde, isso sim é uma loucura. Por falar nisso, se não me engano acho que o canal do tempo anunciou uma baita chuva para amanhã... Será que é temporal?
Cayus Marcws pocotirios
Enviado por Cayus Marcws pocotirios em 14/10/2007
Reeditado em 28/10/2011
Código do texto: T694370

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Sobre o autor
Cayus Marcws pocotirios
Manaus - Amazonas - Brasil, 28 anos
48 textos (8142 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/08/17 16:33)
Cayus Marcws pocotirios