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A Mortadela






Mortadela

Hoje vou escrever para relembrar uma passagem singular da minha vida. É sobre o mico que eu paguei na minha primeira viagem à Itália, em 1990. Estava em Roma onde me hospedei num hotel residence, escolhido para poder preparar as refeições no próprio hotel e evitar o custo proibitivo dos restaurantes. Na minha primeira manhã em Roma, resolvi ir ao supermercado para comprar o necessário para as refeições do dia. Lá, fiquei maravilhado com as diferenças que a loja apresentava de diferente se comparada a um supermercado no Brasil. A primeira delas foi na sessão de frutas e verduras, principalmente pela qualidade dos alimentos, mas também pelo manuseio por funcionários e clientes, onde não se pode tocá-los sem uma luva plástica às mãos. Se alguém o fizer, com certeza vai ser advertido por todos.
Na época eu trabalhava na Tecnasa empresa de São José dos Campos que hoje não existe mais. A empresa oferecia um curso de italiano aos funcionários que fossem viajar. Uma coisa muito rápida alguns dias antes da viagem, sempre programada às pressas.Tinha por finalidade apenas transmitir o mínimo necessário para o cotidiano ou situações emergenciais.
Outra coisa que chamava atenção era a sessão de frios, onde se podia encontrar toda sorte de queijos, tendo na parte de trás uma estante onde eram colocadas as carnes, defumadas ou não. Presuntos de Parma enormes, tão bem expostos que dava água na boca só de olhar. Foi aí que vi uma mortadela imensa de cerca de um metro de diâmetro por dois de comprimento. Para mim que sempre adorei mortadela desde criança era uma tentação irresistível.Tinha que levar um pouco. Aí aconteceu o problema: como falar mortadela em italiano? Usei-me do recurso mais primário, estiquei o braço e apontei o dedo para o meu objeto de desejo. Acontece que o atendente demorou a perceber o que eu realmente queria, passando pelos mais variados tipos de presunto até chegar aonde eu queria e falou alto:
Ah! Mortadela?Isto mesmo. É mortadela em italiano também.
Eu quase caí para trás.
Para minha sorte eu tinha ido à loja sozinho e sem nenhum dos meus colegas, que ficaram no hotel  sem presenciar  o meu mico.
Depois desta viagem, no ano seguinte eu fiz duas outras, quando tive oportunidade de aperfeiçoar o meu italiano e não tive mais nenhum problema semelhante. Pelo contrário, numa das minhas últimas avaliações, lembro-me de um taxista em Florença elogiar a minha pronúncia da língua, compensando um pouco o lamentável episódio da mortadela.




29/05/2005

luiz peixoto
Enviado por luiz peixoto em 10/11/2005
Código do texto: T69809
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Sobre o autor
luiz peixoto
São José dos Campos - São Paulo - Brasil, 63 anos
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luiz peixoto