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Passeio de charrete



Escrever sobre coisas boas geralmente recai em lembranças de Araraquara.
Foi lá, nos já tão falados finais de semana na casa do vovô, que acontecia mais uma aventura que ficou gravada na minha memória e acredito que também tenha ficado na lembrança dos outros irmãos e primos que viveram estes momentos junto comigo.
O vovô, sempre inventando coisas para alegrar os netos, juntava o bando todo na frente da casa e promovia uma excursão até uma praça existente no bairro.
Geralmente isso era feito nas tardes ensolaradas de domingo.
Esta praça tomava um quarteirão inteiro era tomada por uma grande quantidade de coqueiros ou palmeiras de copa alta que deixavam passar apenas a luz suficiente para tornar o ambiente agradável para o passeio.
Lá, tínhamos uma atração muito especial, um ponto de charretes que deixava-nos ansiosos por uma aventura. Havia um grande número delas, que ficavam todas alinhadas na lateral da praça. Tinham todas mais ou menos a mesma forma com capota de couro ou vinil bege e carroceria de madeira com desenhos vermelho e branco, diferenciando-se, portanto apenas pelo cavalo.
O vovô, sempre fazendo das suas para tornar a aventura mais emocionante, pedia que nós escolhêssemos a charrete.
Às vezes acontecia de o grupo ser grande e exigir mais de uma condução.
Cada uma comportava não mais do que cinco crianças. Em geral escolhíamos aquela que tivesse o cavalo maior e havia razões para isso.
Eu costumava sentar-me o mais na frente possível e no meio, bem atrás do traseiro do cavalo.
E lá íamos nós aproveitando cada minuto do passeio.
Muitas vezes uma volta pela praça já era suficiente, mas uma atração especial estava reservada para o meio do percurso, era o instante em que o cavalo dava uma abanada no rabo.
Neste momento, todos ficavam com os olhos estalados para ver o que estava para acontecer. O cavalo fazia cocô, fazendo-nos pensar: como pode fazer um cocô tão grande como aquele? E ainda: coitado do cavalo tendo que fazer todo o esforço para levar a charrete e ainda ser obrigado a fazer cocô para os passageiros verem. Obrigado sim, porque sem o cocô o passeio não seria completo. Fazia parte do script.
No centro desta praça havia uma escola que oferecia uma sopa gratuita para os visitantes e logo após o passeio, era a hora da sopa que começava a ser servida às onze da manhã em ponto.
Era uma sopa de macarrão conchinha deliciosa, que completava o dia  agradável que o vovô nos proporcionava.

Luiz A. G. Peixoto – Em: “Minhas Memórias”

luiz peixoto
Enviado por luiz peixoto em 11/11/2005
Código do texto: T70046
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Sobre o autor
luiz peixoto
São José dos Campos - São Paulo - Brasil, 63 anos
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