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O gênio fecal

                 Este é um conto nojento. Escatológico seria o termo mais light. Ainda bem que não tem cheiro. kkkkkkkkkkkk

                 Descobriu por acaso que podia modelar suas fezes.
                 Era só pensar numa figura, movimentar o esfíncter da direita para a esquerda, do alto para baixo que o produto final saia uma réplica perfeita.
                 Á princípio figuras banais. Bola de gude. Banana. Rosquinha.
                 Com o tempo sofisticou-se. E todo dia elaborava alguma coisa diferente. Então surgiram bolas de golfe perfeitas, com ranhuras e tudo. Saleiros com os furinhos. Dados com os seis lados numerados. Bastava mentalizar.
                 E tudo havia se iniciado porque era um sujeito normal. Daqueles que, como os outros dá uma espiadinha no vaso antes da descarga. E ninguém sabe o motivo. Afinal, que esperam encontrar ali, senão merda?
                 Uma manhã, logo após a cagadinha matinal, decidiu guardar a obra-prima e deixar secar.
                 Havia o problema do fedor. Resolvido com a embalagem em papel filme.
                 Percebeu também que, de acordo com o alimento ingerido, a cor era diferenciada. Tomates, vermelha. Verduras, verde. Beterrabas, vinho. Laranjas, o óbvio.
                 Resumo da ópera: começou a vender as pequenas estatuetas na feira defronte a matriz. Escondendo a origem do material usado.
                 E a procura foi tanta, mas tanta mesmo, que alguns meses depois viu-se obrigado a agendar pedidos para duas , três semanas. Todos os turistas queriam sua arte fecal. Que agora haviam descoberto como produzia, porém pouco se importavam. O negócio era apreciar a perfeição das pequenas ninfas. Dos minúsculos anões de jardim. Dos Lulas em miniatura.
                Sua fama espalhou-se!
                Da praça central a um ateliê. Do ateliê às galerias de arte. Das galerias aos museus nacionais. Dos nacionais aos internacionais. Principalmente depois que passou a produzir obras abstratas. Estilo Warhol. Pollock. Picasso cubista. Mabe.
               Tornou-se herói local. Afinal levava o nome da cidade onde nascera ao mundo. Qualquer cidadão internacional ao entrar no Louvre, no Hermitage e admirar as pequenas obras de obra, podia ler na placa colocado ao lado:Virgo. Made in Ibitinga-Brazil.
               A maior parte dos críticos de arte colocaram-no nas alturas. Saudando-o como o novo popstar das artes mundiais.
               Apenas um crítico, um tal de Janus Shitinwall, postando seus artigos num obscuro jornal de Racknovich, que a maioria dos mortais sequer sabe onde fica, acertou no alvo. E deu a definição correta. Aliás, corretíssima.
               - A arte desse sujeito não passa de uma autêntica bosta!
Nickinho
Enviado por Nickinho em 20/10/2007
Reeditado em 16/12/2007
Código do texto: T702279
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Sobre o autor
Nickinho
Ibitinga - São Paulo - Brasil, 63 anos
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Nickinho