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Meu "Debut"na sociedade...

 Toda família que se preze tem seus "parentes pobres". Em meio de uma família de médicos, arquitetos,um presidente de uma estatal e até um senador,nós somos o "lado pobre'da família: -Meu pai, um simples professor estadual, minha mãe que só entende de como cuidar de uma lar e eu e meu irmão mais novo, medíocres alunos,mas mesmo assim toda esperança de um futuro melhor de nossos pais...
 Num belo dia, minha família do "lado rico" começou com os preparativos dos 15 anos de uma das minhas primas,Elaine. E alguém teve a feliz idéia de incluir meu nome para ser uma das 15 damas de tão ilustre festa. -Pobre sim, mas não deixa de ser prima!
 Minha tia Terezinha convenceu meus pais para que eu fosse uma das damas, afirmando que toda a despesa seria por conta dela "afinal sou a mãe da aniversariante",uma forma carinhosa de dizer que não tínhamos condições mesmo...
 Quando chegou o grande dia eu me sentia a própria Cinderela, depois de tantos anos como uma simples gata borralheira. Eu e os outros pares fizemos uma meia roda próxima a escadaria do clube, e eis que surge,ao alto, lindíssima, minha prima, num longo branco tomara que caia todo aplicado de pequenas pedras brilhantes (seriam diamantes?), um par de luvas que lhe chegava aos cotovelos e uma fina tiara nos cabelos (mais diamantes?).
 Ela não desce as escadas, parece deslizar sobre o tapete vermelho! Uma à uma as damas chegam e lhe oferece um botão de rosa vermelho,que depois ela, valsando,entregará as mães das 15 damas.Lindo e perfeito até a minha vez  de entregar o btão de rosa:tropeço no tapete, e no desespero da queda tento me agarrar no que está mais próximo:o vestido da minha prima! Deixo-a só de calcinha até
a altura dos quadris! Meu par, um primo chatíssimo, tenta me segurar,tropeça nos meus pés e sai desequilibrado,por ironia batendo num garçom que nesse momento passava com uma bandeja (de prata!)levando um balde com gelo! E voou cubos de gelo para todos os lados, inclusive no decote profundo que expunha os imensos seios da minha tia Doroty.Essa, no desespero de retirar o cubo de gelo empurrou e derrubou o meu pobre tio Emanuel, fazendo voar longe a peruca que ele usava! Como desgraça pouca é bobagem,a maldita foi cair em cima de um arranjo
complicado que levava frutas e camarões (nunca vi camarões tão grandes na minha vida!), indo um voar  na boca aberta do vocalista da orquestra, que se não fosse socorrido logo pelos companheiros teria "morrido sufocado",conta ele
até hoje!
Outro garçom, desatento,escorregou numa das pedras de gelo derrubando a bandeja (de prata!) e todo seu conteúdo(taças de champanhe) em cima do meu entrevado avô Tonho, aliás nunca ví um  "entrevado"dar um salto tão rápido de sua cadeira de rodas como o vovô...Vá se entender a velhice!
 E eu ali, caída de joelhos só conseguia enxergar minha prima,Elaine,tentando cobrir os seios com as mãos (mas dava para ver aqueles adesivos que se usa para"erguer",juro!), e minha tia Terezinha, de olhos arregalados (esses não contam, desde sua última plástica que ela os tem assim:arregalados)a olhar escandalizada para mim!
 Essa foi minha estréia na sociedade. Pra falar a verdade a única...Nào sei porque nunca mais fui convidada para nenhuma festa de família...a nào ser enterros, esses eu vou!Mas acredito porque sou do tipo "escandalosa",dou mais "glamour"aos velórios...
 
Frann
Enviado por Frann em 27/11/2005
Código do texto: T77062

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Sobre a autora
Frann
Fortaleza - Ceará - Brasil, 62 anos
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Frann