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Pescarias & Estórias - Curva do “U” - “O sacrifício que valeu a pena.”

Enquanto brigam lá e cá, lá, é com as C.P.M.Is. em Brasília, e, cá, no Recanto, Rúbia x Callegari -disputa poética-, resolvi espairecer e relembrar uma outra das minhas memoráveis pescarias, lá pelas tardinhas, no meu bom –hoje poluído, até “fedendo” pelos frigores e outros “coisiquitostos” mais, despejados impiedosamente nEle – e tranqüilo Bonito(?). Por falar nisto, ele nasce no pé da nossa serra, vistosa que denominou minha “Terrinha” por ser pelada, escalvada, vem denominar este rincão! Na “Serra do Descalvado”, no pé d´Ela, é que nasce meu “Bonito Ribeirão”, hoje poluído, mas, deixa p`rá lá...!
Vou até aproveitar para ajustar um Amigo, que já se foi desta, ... historiador, autodidata, dono das letras requintadas, competente mesmo. O Professor Gerson de Marco, conheci muito na minha infância, abriu-me portas para minhas pesquisas. Grande conhecedor das vidas históricas descalvadenses,... com uma poesia sua dos idos de 38 quando a febre rondava as bandas do paludoso Mogi-guaçu, arremessando paludismo pelas margens do Bonito em frente... esculhambava vidas... lá vai, depois eu conto a pescaria:

Maleita

O ribeirinho, há tempos já, porfia,
insulado na inópia do casebre,
contra a fereza da palustre febre,
que, inexorável, o angustia.

Não encontrou ainda, (que agonia!)
medicina  que ao mal caturra quebre.
Em vão, o cerca a servidão muliebre
da empalamada esposa, noite e dia.

Estatelado à frente do paiol,
em completo verão, retreme tanto,
 sob a fornalha cósmica do sol.

E, ali perto, contraste mofador,
A boiada, com sertanejo encanto,
Engarça o rio, morrendo de calor!

-Peguei nas traias, colei-as nas costas, embornal de brim cru, lá fui eu descendo pelas terras já furadas de tanto pisoteio do gado vacum, que nestes horários, já tinham se recolhido ao chamado do berrante mau tocado do retireiro... Tem umas coisas nestas barrancas que não tem explicação! Se deixa, confiando, apetrechos distraídos, somem! Coisa de quem ou de que ... Sei lá! Tanto trabalho, sair de casa, largar a família, nem lanche trouxe – hum, bem que ia bem um pão doce com mortadela!  Faziam um pão, nos tempos do forno a lenha, numa velha e tradicional padaria, um gracioso –em tamanho – pão doce com casca preta ... bem deixa p´rá lá, vamos ao que interessa. Sumiu tudo, vara, embornal, traias, iscas, ... que coisa, ainda bem que não me perdi como naquele dia ...bem, não misturemos ..., pois,  esta é outra história, conto outro dia!
Sem material, que me resta? Vou é para casa, ligo o “gramophone” RCA-Victor, -o do cachorrinho fox, branco e preto, pescoço torcido, todo compenetrado-  com um disco bolachão, ainda de carnaúba,  ouço o Chico Alves, “Maria Lao”... relembro a outra pescaria, a da enchente...
Vou a rio, me abaixo, para beber água – ainda dava para arriscar um gole- eis que surpreendentemente, saio com dois bagres dependurados no bigode, um de cada lado! Rapidamente os recolhi e, tentei o mesmo processo, mais dois graúdos. Isto se repetiu até que minhas costas pediram “a rego”; mas, também já tinha retirado 37 graúdões, e, veja, não eram em numero par, pois o ultimo, um bagre tataravô, arrancou um dos meus bigodes e fugiu com ele. Tive de sacrificar o outro! Até hoje, não cresceu mais, portanto, deixei de usá-los!!! Daria muito trabalho ficar explicando o ocorrido, a causa da solitária perna do meu bigode!

-Verdade verdadeira!!!

marinho
Enviado por marinho em 03/01/2006
Reeditado em 04/01/2006
Código do texto: T94064
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Sobre o autor
marinho
Descalvado - São Paulo - Brasil, 67 anos
146 textos (78702 leituras)
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marinho