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O PINGO DE CHUVA

Bem além da estratosfera, onde Deus guarda o relâmpago, o trovão, o vento e a água que evapora com o calor do sol, um santo estava concentrado fabricando chuva, porque recebeu pedidos das crianças da Terra, preocupadas com a seca destruindo tudo.  Ele fazia pingo por pingo para formar a chuva e ia armazenando todos numa imensa caixa d’água. Depois de tudo pronto é só abrir as torneiras para cair a água abençoada.
O santo terminou o trabalho e, muito feliz, disse:
- Meus pinguinhos, está na hora de atender a todos os pedidos recebidos. Quero que cada um de vocês faça o seu trabalho corretamente. Não quero enchente, tudo deve ser calmo para não prejudicar as pessoas. Entenderam?
- Sim, meu santo. – responderam todos juntos.
O santo caminhou em torno da caixa d’água olhando atentamente para ver se não faltava nada, se todos os pingos de chuva estavam organizados para caírem um após o outro, quando ouviu um psiu. Virou-se e viu que quem chamava era um dos pingos do lado esquerdo da caixa d’água. Muito atencioso, o santo perguntou:
- Deseja alguma coisa?
- Sim, meu santo! Eu não quero ir. – disse o pingo timidamente.
- Por quê? – perguntou o santo.
- Veja a altura. Quando eu cair daqui, vou me esborrachar na terra. Eu gostaria de ser vapor, virar nuvem e ficar vagando pela atmosfera.
- Mas para que a chuva seja completa não pode faltar um pingo, compreende?
Pacientemente, o santo falou da importância da chuva, mas o pingo de chuva continuava irredutível. O santo, para não atrasar mais a entrega da chuva, pediu permissão ao Pai para mostrar ao pingo a situação da Terra. Dada a permissão, o santo abriu o portal do céu deixando ver todo o universo. Com um poderoso telescópio focalizou a Terra. Chamou o pingo de chuva e ordenou:
- Olhe para o planeta e veja como tudo está seco.
- É mesmo, meu santo. Veja aquele enorme país do continente americano. As regiões norte e nordeste tão ressequidas, o chão todo rachado, rios e lagos secos, os bichos com tanta sede e fome.  Ah, meu santo, eu não agüento.
- Então, meu querido pingo de chuva, vai se unir aos seus companheiros?
- Sim, meu santo, mesmo que eu me caia dessa altura, eu me uno aos meus amigos. Pode dar a ordem.
E o santo ordenou:
- Ventos, avancem!
E começou a ventania na Terra. Vieram os raios e os trovões abrindo o caminho para a entrada triunfante da chuva. Ela caiu forte no chão seco. Era como se cada pingo dissesse um ao outro:
- Sai da frente que eu quero chegar primeiro.
 As plantas pareciam bocas sequiosas do precioso líquido. Os lagos eram como taças se enchendo de vinho puro até a borda. Os rios pareciam veias recebendo injeção de sangue novo. O chão se vestiu de verde. A atmosfera ficou transparente, limpa da poluição. E a terra exalou seu perfume para agradecer ao céu o milagre do renascimento que vem junto com os pingos de chuva.

13/02/06.

(texto infantil)

Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 13/02/2006
Reeditado em 21/04/2011
Código do texto: T111502

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão