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O GATO QUE QUERIA SER TIGRE

Era uma vez, numa floresta muito longe, um gato que vivia descontente com o seu tamanho, com o seu pêlo e a sua voz. Ele olhava para o seu primo tigre e pensava: por que não sou como ele? Às vezes chorava, até que um dia ele foi conversar com um elefante. O elefante era muito respeitado, entre a bicharada, pela sua sabedoria.

- Seu elefante, eu queria ser grande como o meu primo tigre. Queria ter o pêlo como o dele, com aquelas listras pretas e brancas, ter uma pata grande, rosnar tão forte, mas tão forte, para que se ouvisse muito além do mar.
- Ora, gatinho! Exclamou o elefante – deixe de besteira, você não pode mudar o que está feito. Você nasceu um gato, eu nasci um elefante, é isso que somos, entendeu? Já pensou se todo bicho quisesse ser igual a outro? Seria uma loucura. Isso aqui iria se transformar numa tremenda bagunça. Imagine jacaré querendo ser lagartixa ou lagartixa querendo ser jacaré! Ah, ah, - riu o elefante – seria engraçado demais.
- Mas eu não quero ser assim desse jeito que sou. Eu quero ser igual ao meu primo tigre, forte e bonito.

O elefante percebeu que não adiantava argumentar. O gato queria porque queria ser um tigre. Foi então que o gato perguntou:

- Você pode me ajudar?
- Eu não, amigo gato. Acho que você precisa é de magia. Deve procurar a maga. – disse o elefante preocupado.

- Maga? Que coisa é isso? Perguntou o gato.
- Uma mulher que faz mágica. Talvez ela possa transformá-lo em um tigre do jeitinho que você quer.

- E onde eu posso encontrar essa tal de maga?
- Olha aqui, gato, siga esse caminho aí que vai dar direto na cabana dela.

E indicou um caminho cheio de pedras que se perdia no seio da floresta. E lá foi o gato em busca do seu sonho de ser grande e bonito como seu primo tigre. Depois de muito caminhar pela longa estrada, ele avistou a cabana da maga. Upa! Finalmente. – pensou. Bateu à porta e esperou. Nada.

Bateu novamente. Aí veio aquela voz de gralha:

- Quem é o bicho que veio me importunar?
O gato, tremendo, respondeu:

- Sou eu, dona maga, o gato. Eu preciso conversar com a senhora. Eu vim por indicação do meu amigo elefante.

Silêncio. A maga não disse nada. Devagar a porta da cabana foi se abrindo fazendo um ruído esquisito e, então, apareceu uma velha com um só dente na boca. O gato ficou preocupado, pensando, se ela faz magia, por que não faz uma pra ela ficar mais bonita.

- Ah, é você? - gritou a maga – que quer de mim?
E o gato falou do seu sonho de ser tigre, falou do conselho do elefante, suplicou esfregando o focinho nos pés da maga.

- Chega, Chega...! gritou a velha. Você é mais um dentre aqueles que não se contentam com a aparência que têm. Quer ser aquilo que não nasceu pra ser.

- A senhora pode me ajudar? Pode me transformar num belo tigre marrom com listras pretas e brancas? Por favor...! – implorou o gato.

A maga entrou, acompanhada do gato, e começou a mexer a poção que fervia num enorme caldeirão de ferro. Vez por outra ela colocava asa de morcego enquanto o gato falava. Finalmente ela parou de mexer a poção. O gato tremia por dentro esperando a resposta.

- Bem! Já deu tempo de eu analisar: gato bobo, vaidoso e invejoso quer ter um corpo bonito por fora e por dentro é feio. Para esse caso eu tenho a mágica perfeita.
- Obaaaaa! Pensou o gato – Finalmente meu sonho será realizado.
A maga levantou os braços magros e com a voz estridente gritou:

- Bim bim salabim bimbó,
Transforme em rato esse gato bocó
Que por dois dias ele viva num mocó
Sem poder caçar curió
Evitando um outro gato
Pra não servir de repasto
Até que termine o efeito
Deste feitiço perfeito.

Raios e trovões espocaram – tchibuuum -, fora consumada a magia. Aquele gato malhado de porte orgulhoso era, agora, um reles rato preto com a cauda avermelhada, como se tivesse sido passada num tacho de água fervente.

E o gato que virou rato, fugiu da cabana da maga para cumprir seu castigo. Depois de passado o efeito da magia, o gato voltou a se encontrar com o elefante.

- Olá amigo gato, pensei que o veria transformado num belo tigre!
E o gato, relembrando os tormentos que passou quando era um rato, respondeu:
 
- Pois é, graças ao seu conselho, descobri que ser um gato não é tão ruim assim. Por isso aqui estou eu, feliz, no meio dos meus amigos.
09/03/06.

(infantil)
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 09/03/2006
Reeditado em 21/04/2011
Código do texto: T120923

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão