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O PINCEL E AS TINTAS

Sobre uma mesa havia uma caixa com vários potinhos de tinta, todos com rendinha colorida em volta da tampa, uma tela em branco e, do lado de fora da caixa, um pincel curioso. Ele fazia força para se levantar, queria ver o que tinha dentro daquela caixa. Conseguiu ficar em pé.
- Ufa! – exclamou, agarrando-se à borda da caixa.
Os vidrinhos de tinta ficaram alvoroçados com a presença do pincel.
- Oi, pessoal! – cumprimentou o pincel – Gostei de vocês. Podemos brincar de pintar? – perguntou.
- Pintar o quê? – perguntou o vidro de tinta vermelha.
- Podemos pintar tudo. Estamos juntos, pincel, tinta e tela.
- Já sei! Vamos pintar uma criança. – disse a tinta amarela.
- Legal, legal, legal... – responderam os outros vidros de tinta.
E começaram o trabalho. O pincel fazia o desenho, as tintas diziam se estava bom ou não. Finalmente ficou pronto. Era um rosto de criança. A tinta azul, olhando o desenho, teve uma idéia:
- Já que temos um rosto, por que não colocamos um corpo. Assim teremos uma criança completa. Vocês concordam?
- Plenamente... plenameeente. – responderam os outros vidros de tinta.
E o pincel começou seu trabalho de desenhar um corpo para aquele rosto.  Depois de algumas horas, com o trabalho quase pronto, os vidros começaram a dar sugestões para embelezar o quadro.
- Desenhe lírios abaixo dos pés da criança, puxando mais para a direita. – disse um dos vidros de tinta.
- Que tal um arco-íris à esquerda e, na mão direita, um pássaro. – sugeriu um outro vidro.
E o pincel desenhava tudo que lhe era sugerido. Terminou.
- Vai ficar lindo. – disse a tinta branca. Acho que será a criança mais linda já pintada por um pincel. Havia chegado a hora de pintar o desenho. As tintas se acomodaram, dentro da caixa, e foi um tal de tirar a tampa, pedir atenção para não borrar a rendinha, não sujar a caixa e nem a mesa.  E começou o processo de pintura do quadro.
- Cor dos cabelos. - pediu o pincel.
- Amarela. – responderam as tintas.
Pinceladas de tinta amarela foram distribuídas com arte para pintar os cabelos da criança. Depois de misturar a tinta branca com a vermelha o pincel conseguiu um tom rosa, igual a pele de um bebê de verdade, para pintar o rosto, os braços e as pernas da criança. A boca foi pintada de vermelho, lembrando um morango silvestre, destacando o sorriso de anjo. Depois foi a vez da roupa.
- Acho que deve ser pintada de branco, a cor da paz, e ter uns detalhes em verde, a cor da esperança. – sugeriu a tinta branca.
- É verdade – disse a tinta preta -, o branco realça o tom rosa da pele e, junto com o verde, representará a paz unida à esperança.
A tinta verde ficou muito feliz com a idéia. E o pincel pintou a roupinha da criança de branco com detalhes verdes na gola. O trabalho estava quase terminado quando a tinta verde chamou a atenção de todos para um fato.
- E os olhos? Não serão pintados?
- É meeesmo! Quase que esquecemos dos olhos. – exclamaram todos.
- Eu sugiro que sejam azuis. – disse o pincel.
- De acordo. – responderam todos os vidros de tinta.
E os olhos foram pintados com todos os detalhes, ressaltando a pureza, a inocência e a verdade que toda criança tem dentro dela e que se refletem no espelho dos olhos. Finalmente estava terminado o quadro. O pincel estava orgulhoso. Seu trabalho, com a ajuda das tintas, estava perfeito.
- Então, gostaram? – perguntou o pincel para as tintas que acabavam de arrumar suas tampinhas se fechando para que não ficassem secas.
Os vidros, inclinando-se na borda da caixa, olharam para a tela e, todos juntos, exclamaram:
- Pinceeeel, você pintou o menino Jesus! Maravilhaaaa! Agora só falta ele falar...
E os vidros aplaudiram a obra e o pintor.
- Plá, plá, plá, plá, plá... Bravoooo!

14/03/06.

(infantil)
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 14/03/2006
Reeditado em 21/04/2011
Código do texto: T123044

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão