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NOITE SEM SONO

NOITE SEM SONO!

Noite fria,
escura.
Tive saudades da serra.
Estava sem sono.
Levantei-me.
Busquei meu cavalinho de madeira,
os soldadinhos de chumbo,
coloquei-os no chão
e comecei a brincar.
Mas,
estava ruim,
tudo quieto,
sem graça.

Lembrei-me,
então,
da serra.
Como estaria ela
naquela noite.
Sentiria frio?
É inverno
e ela pode estar sentindo frio.
Terá cobertores,
assim como eu,
para agasalhá-la?
Estará dormindo bem?
Estará,
como eu,
sem sono?
Brincará,
como eu,
com soldadinhos de chumbo?
O que estará fazendo agora?
Com esse frio,
noite feia,
o que estará fazendo?

Tive vontade de vê-la.
Andei devagar,
 nas pontas dos pés,
dentro de casa,
para que ninguém pudesse
ouvir barulho algum
e,
em conseqüência,
mandar-me deitar.
 Abri a janela,
com bastante cuidado.
Nem ao menos um ruído,
se fez ouvir!
Tive muito cuidado.

Olhei para a serra.
Não a vi.
Não estava no mesmo lugar de sempre.
Desesperado,
saí correndo pela casa a dentro.
Acordei todo mundo.
Gritei e perguntei pela serra.
Onde puseram a minha serra!
Teria aquela maldita
bruxa queimado minha serra?
Mas,
havia prometido ser um bom menino?
Ou não estaria sendo um bom menino!
Onde está,
 Onde está minha serra? Gritava.

Mamãe,
como sempre,
meigamente puxou-me a orelha,
com bastante cuidado para doer só um pouquinho...
 Mas não doeu nada!
E disse-me que era noite e no escuro a serra dorme, desaparece.
- Como você quer ver a serra, lá no alto, com esta escuridão? Perguntou-me.
Ela está lá,
mas você não pode vê-la porque está escuro, concluiu.


Sem sono,
tento acomodar-me na cama.
E a fada boa,
minha mãe
cobre-me com o cobertor!

Ainda a vejo,
ao lado da cama,
parada,
orando.

Acomodado,
tranqüilo,
estou bem.



Não foi desta vez,
ainda,
que a bruxa queimou minha serra!
Amanhã ela lá estará,
Como sempre,
muito bonita!
Karuk
Enviado por Karuk em 16/03/2006
Código do texto: T124234
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Sobre o autor
Karuk
São João Del Rei - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
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