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UM PAPO COM A GOIABEIRA

- Dona Goiabeira, por que está tão florida? – perguntou a menininha com a curiosidade natural das crianças.
- É que estou tão feliz, tão feliz que me vesti com muitas flores brancas para comemorar.
- Comemorar o quê? – indagou a menina.
- Ai, ai. Eu vou contar um segredo. Eu estou esperando bebês, muuuitos bebês. – disse a árvore suspirando.
- Bebês?! – perguntou a criança com os olhos muito abertos, admirada. – Bebê é coisa de gente não de árvores. – arrematou.
- Ora, queridinha, eu chamo de bebês as muitas goiabinhas que nascerão bem verdinhas. Eu as alimentarei e elas crescerão fortes, ficarão amarelinhas e bem docinhas para alimentar pássaros e homens; fazer aquela goiabada que você gosta de comer com queijo, aquela compota que a sua vovó sempre faz, o suco de goiaba da sua tia Amélia e tantas outras coisas gostosas que se pode fazer com os meus bebês. – respondeu a frondosa goiabeira sacudindo os verdes galhos.
- A senhora não vai ficar triste? Se os pássaros e os homens comerem as goiabinhas, a senhora perderá todos os filhos!
- Não ficarei triste, garotinha! Este é o destino dos meus bebês. Os filhos não são nossos. Nós os colocamos no mundo, preparamos cada um deles e, depois de todos capacitados, os libertamos para que eles cumpram a sua missão. Quando você for adulta deixará os braços de sua mãe para seguir seu caminho. Terá um trabalho, a sua própria família.
- Eu não quero deixar a minha mamãe, nunca! – exclamou a menina amuada.
- Ora, bobinha, ainda não é tempo para você fazer isso. Eu disse quando você for adulta. Entendeu querida? É assim a vida.
- E depois da senhora perder esses filhos ainda terá outros?
- Sim, meu amor. Eu ficarei florida novamente e gerarei novos bebês que seguirão os passos dos seus irmãos.
A menina já estava cansada e decidiu voltar para casa.
- Dona goiabeira, eu gostei muito da nossa conversa. Amanhã nós podemos continuar?
- Sim, meninha, mas não traga aquele seu cachorro.
- Por quê? – perguntou a criança.
- É que ele fica regando o meu tronco com aquela água morna e isso não faz bem aos meus bebês.
A menina correu para casa para contar a sua mãe a novidade. Abriu a porta, entrou como um vendaval e pulando sobre o sofá onde a mãe, sentada, bordava falou apressadamente:
- Mamãe, mamãe a nossa goiabeira vai ter bebês, muuuuitos bebês.

19/05/06.
(histórias que contava para o meu neto)
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 19/05/2006
Reeditado em 21/04/2011
Código do texto: T159156

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão