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UMA ASSOMBRAÇÃO ASSOMBROSA

Toda noite a criançada
Ficava na varanda sentada
Esperando o tio João
Com suas histórias de assombração.

Ele chegava sorrindo
E logo todos iam pedindo:
Conta aquela do cemitério
De muito medo e mistério.

Hoje eu vou variar
Com um fato neste lugar
Acontecido num tempo antigo.
É de arrepiar meu amigo!

Esta casa, no passado,
Pertenceu a Zé Cansado
Um homem trabalhador
Casado com dona Leonor.

Cinco filhos a felicidade completavam
E os dois muito se amavam.
Toda noite os filhos do Zé,
Juntos, no terreiro do café,

Brincavam de roda e passar anel,
Pular “marelinha”, fazer flor de papel.
Foi numa noite sem estrelas que Aninha gritou
E a turma toda se apavorou:

Olhem lá, naquela moita,
Gesticulava ela toda afoita,
Os olhos de uma assombração
Brilhando na escuridão.

Pai! Corre aqui meu pai,
Em silêncio não diga ai
Porque senão ela se desencanta.
Vem logo pelo amor de Maria santa!

Zé Cansado apareceu na varanda,
Os filhos tremendo como o susto manda,
Apontavam com o dedo
O objeto de tanto medo.

Lá estavam, piscando, as duas luzes.
Zé, se benzendo, dizia: Cruzes,
Isto é armação, arte do demo,
Mas forte sou e nada temo.

Disse isto para disfarçar,
Diante dos filhos não ia se acovardar.
Mesmo sentindo aquele arrepio
Ficou calado, não deu um pio.

E foi, caminhando medrosamente,
Em direção da moita, onde atrevidamente,
Estava aquela assombração assombrosa,
Talvez fosse uma bruxa pavorosa,

Pensava o homem dominando
A tremedeira porque os filhos, olhando,
Esperavam que ele lutasse
E a assombração espantasse.

Estava quase perto do mato tremulando...
Gritou: ou sai ou com uma reza eu te mando
Falar com o rei dos cristãos...
Por que assustas os cinco irmãos?

Os galhos da moita mais forte tremeram,
As duas luzes desapareceram,
E, em desabalada carreira,
Zé viu um gato de raça corriqueira

Fugindo tão ou mais assustado
Do que ele Zé Cansado.
A filharada feliz repetia
Um refrão que assim dizia:

Meu pai é homem valente
Não há assombração que agüente
A força da sua reza forte
Seja ela do sul ou do norte.

Tio João terminou a história
Ouvindo da Maria da Glória:
Pensei que era um fantasmão...
Era só um gato bobão...

29/07/06.
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 29/07/2006
Reeditado em 21/03/2011
Código do texto: T204810

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão