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O PONEIZINHO MÁGICO

-- Carlinhos! Venha ver uma coisa! -- gritou Jorginho do fundo do quintal, com surpreza na voz.
-- Espere, um pouco, Jô! Estou "botando" a minha pipa no ar... Agora é que o vento está bom! -- respondeu o menino com seus grandes olhos negros e seus cabelos lisos derramados sobre os ombros.
-- Venha já! Rápido! Senão você não vai ver uma coisa maravilhosa lá no morro!
-- Não me diga que é o cavalo "Jumbo" do "coronel andante"! (O coronel é o vizinho que mora na chácara ao lado da casa de Carlinhos. Ele sempre anda a cavalo em trote lento).
-- Não! É outra coisa! Você sempre sonha com isso! Ou já se esqueceu?
-- Oh! Não pode ser! É uma grande felicidade! Viva! Viva! É o poneizinho! Nem posso acreditar!
Carlinhos logo correu até o alto do morro para ver o seu tão almejado
pônei, que ele viu em sonhos -- e contou para o seu amigo Jorginho. Este não conseguiu seguir-lhe os passos...
-- Espere! Espere por mim, Carlinhos! Eu vou com você!
Mas o menino sonhador já atingia o cimo do monte, onde o belo poneizinho saltitava sobre a relva e ia de um lado a outro, soltando, de seus cascos, fagulhas coloridas!
-- Lindo! Lindo! -- exclamou o menino. E o pônei brilhava dentro de raios cor de rosas, brancos, azuis e amarelos; parecia ter vindo do centro de algum arco-íris...
Carlinhos estava surpreso, mas feliz...
Jorginho, finalmente, chegou cansado da corrida e nem acreditou no que viu!
-- Oh! Que maravilha! Deus! Se eu contar isso para a minha mãe, ela não vai acreditar! Carlinhos! Isto é mesmo verdade? Ou só estou sonhando?
-- Sim! É verdade! Nós estamos aqui, não é? Não estamos em nossas camas para dormir e sonhar! É o sol que brilha sobre nossas cabeças.. Veja! O poneizinho nos olha e sorri...
-- Tenho medo, Carlinhos! Nunca vi ponei sorrir!...
-- Mas... ele tem dentes, não tem?
-- Sim... Mas eu quero descer! Vamos para casa! Nossas mães vão ficar preocupadas, pois já é hora do almoço e temos que ir à escola. Você não se lembra que hoje é dia de festa, lá?
-- Ora, vá você, Jô! Eu quero ficar aqui, olhando para o nosso poneizinho, antes que ele desapareça! -- Não conte isso para ninguém, ouviu? Isso é o nosso segredo! Você não gosta de ter segredos?
-- Sim... mas eu não sei de onde veio esse cavalinho!... Ele é tão diferente dos outros...
-- E... isso é importante? Ele é diferente porque é de outra raça. Alguém o deixou aqui para pastar... A grama é verde e fresca. Veja! Além disso, tem gotas de orvalho, está vendo?
-- Bem... Eu vou embora e esperarei você para irmos juntos à escola depois do almoço! Mas, cuidado para não se aproximar do cavalinho, está bem?
Carlinhos nem ouviu a voz do Jorge. Aproximou-se do cavalinho, que sorriu delicadamente...
-- Oh! Meu poneizinho! Como você pode aparecer nos meus sonhos e logo estar tão perto de mim, de verdade?
O poneizinho relinchou e uma idéia veio à cabeça do menino.
-- Posso montar em você! -- perguntou Carlinhos. -- Veja! Eu só tenho 20 quilos. Sou magrinho e penso que você pode me aguentar...
O cavalinho aproximou-se e abaixou-se obediente.
Carlinhos não se conteve, e alegremente montou no belo pônei que saiu rapidamente pelos campos, pelos declives, espalhando faíscas coloridas no ar...
-- Ah! Que prazer! Que maravilha! Se eu contar isto para o "Jô" ele nem vai acreditar...
O poneizinho parecia voar e eis Carlinhos entre muitas nuvenzinhas brancas que se espargiam no ar; os passarinhos nos galhos das árvores, cantavam, em coro, uma linda melodia... Em baixo, no vale, as flores pareciam alegres, a sorrir, balançando-se delicadamente sobre seus ramos.
-- Que beleza! -- exclamou Carlinhos, feliz da vida! -- Isto é um sonho! Só pode ser um sonho! Mas, eu não quero acordar!
E o poneizinho relinchava, dando saltinhos no ar...
O menino viu que o lugar era diferente da sua cidade -- parecia uma cópia, só que mais colorida, mais brilhante e até mais pacífica...
Tudo parecia alegre e feliz. As pessoas, os animais, as plantas. Havia um perfume suave e agradável no ar...
O poneizinho deu a volta e ia descendo,pouco a pouco, até atingir a relva verde sobre o monte, de onde antes apanhara o menino.
Carlinhos compreendeu que devia ir para casa, e o pônei já ia saltitando até sumir nas nuvens deixando estrelinhas coloridas no ar.
Carlinhos suspirou...
-- Acorda, meu filho, acorda! Já é hora de ir para a escola! -- chamou a mãe, impaciente.
Carlinhos abriu os olhos e pensou:-- Que pena!Será que foi mesmo um sonho?
Ele levantou-se e correu ao quintal. Lá, distante, viu as florezinhas alegres e luminosas, que cobriam todo o monte...
-- Ñão foi sonho! Não foi! Algum dia nós vamos nos encontrar novamente, meu poneizinho mágico!...
E assim pensando, foi correndo escovar os dentes, tomar seu café e ir para a escola, muito feliz... alegre mesmo!
Todos ficaram admirados ao vê-lo tão contente, tão atento às lições, que até a professora lhe fez um elogio:
--Carlinhos, que alegria é essa? Até parece que você tirou a sorte grande!
-- Tirei mesmo, professora! -- E sorriu para o Jorginho, piscando um olho. Ambos sorriram
, felizes...
Victoria Magna
Enviado por Victoria Magna em 05/06/2005
Reeditado em 18/12/2005
Código do texto: T22243
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Sobre a autora
Victoria Magna
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Victoria Magna