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O Jardim das delicias

O jardim das delícias...

A menina precisava ser informada do que iria acontecer. Sua mãe tinha ido com ela, cedo para o hospital.

Foi tudo muito rápido, entrou uma enfermeira que ajudou sua mãe a vesti-la adequadamente para o ato cirúrgico e logo saiu. Mairana ficou conversando com a mãe que segurava sua mão. Até que penetrou no mundo dos sonhos.

Horas depois sua mãe ainda estava ali ao seu lado. Mariana ainda não havia acordado. Um sorriso tão lindo iluminava seu rostinho. Sua mãe ficou muito curiosa para saber como ela estava se sentindo. Lá pelo final da tarde a mãe da menina ficou sabendo. Mariana lhe contou assim que acordou:

Mamãe sonhei que estava em um jardim passeando. Na verdade, não sei contar direito como era. Lá tinha muitas pessoas diferentes, e todas eram novatas como eu. Mãe você não iamgina o que vi, tantas coisas lindas e deliciosas...
A grama era verdejante e muito cheirosa, quando me abaixei para tocá-la percebi que não era grama, tinha em minhas mãos pedacinhos de açúcar cristal, pintados de verde e muito brilhantes. As flores que cercavam os jardins em toda a sua extensão eram cheias de cores, rosa, amarelas, vermelhas, azuis, eram como se fossem confeitos recheados de chocolate que se derretem na boca. O chão que pisei era todo decorado em forma de biscoito tipo “wafer” recheado de chocolate, em algumas partes, outras, morango ou limão.
Vi também uma ponte que ficava bem no meio do enorme parque, ela era toda enfeitada de suspiros brancos, muito alvos e apetitosos. Tive vontade de mastigar todos, mas tive medo de alguém ralhar.  O lago abaixo da ponte era todo de gelatina de morango, em outro pedaço parecia uma musse de limão, verde clara.
Mamãe era tudo lindo, como era lindo, como era lindo!!!
E gostoso também, fiquei com minhas mãos meladas.
Andei, corri, brinquei, e a cada passo que eu dava as belezas aumentavam e se transformavam, para minha grande surpresa. Não sei onde eu estava.
Vi esculturas de sorvete imitando zebras, eelfantes, minúsculas borboletas, azuis, cobertas de açúcar, quando voavam suas asas espalhavam o açúcar no ar.
Tinha uma parte que só tinha brinquedos como escorrega, balanço. E as árvores de bombons. Lindas com embalagens douradas, brilhavam ao sol que era uma fatia de abacaxi cristalizado. Os bancos da roda gigane eram tão macios como bolos fofos, sentei e achei delicioso.
Mamãe e o céu. Ah, o céu era todo de nuvens de algodão doce.
Tinha um chafariz que era simplesmente delicioso, jorrrava um guaraná geladinho, sem igual.Avistei algumas flores silvestres lindas como jujubas cobertas de pequenos pedaços coloridos.Elas se balançavam ao vento. Um canteiro de margaridas e tulipas, dourando ao sol, eram pirulitos disfarçados de flor. E os troncos das árvores, pé-de-moleque, passoca concentrada, e também os galhos de algumas árvores eram como se fossem fiapos de cocada e fios de ovos.
Ah como era lindo!
Ao entardecer notei que uma chuva fininha começou a cair, eram gotas de mel...

Veio o jantar para a menina que ainda estava internada no hospital. Ela não conseguiu sequer olhar para a sobremesa.
Já estou farta de tanto doce! Chega por hoje!
Aradia Rhianon
Enviado por Aradia Rhianon em 25/08/2006
Reeditado em 08/12/2011
Código do texto: T224983

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Sobre a autora
Aradia Rhianon
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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