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Greg, o elefante cinzento

GREG, o elefante cinzento.

Os elefantes não esquecem...

Dizem que os elefantes possuem uma memória infinita e dificilmente esquecem... .

Valeriana sempre viajava com sua família para a fazenda onde morava seu avô. Na verdade não gostava da longa viagem, a fazenda era muito distante e o caminho bastante difícil. O velho carro da família, um Chevrolet preto (cujo ano de fabricação nem me lembro mais), muitas vezes enguiçava no meio do caminho. Seu pai colocava todos para fora do carro e depois de muito tempo, fazia sinal para que se acomodassem e seguiam viagem.

Na fazenda tinha uma elefanta chamada ROSA. Ela era imensa. Valeriana, tinha medo só de chegar perto. Contara-lhe um de seus tios que Rosa era muito rancorosa e um dia, ninguém sabia por que, enquanto seu tratador se distraiu e lhe deu as costas, ela o pegou com sua tromba, levantou o pobre homem para depois jogá-lo ao chão. Ele teve muita sorte de não ter morrido, pois com seus gritos, o administrador da fazenda e outros empregados que estavam bem ao lado o salvaram.

Valeriam guardou este fato na lembrança. E à medida que foi crescendo, desejava cada vez mais ter um elefante de estimação. Já o imaginava cinza e não muito grande. Pois se fosse grande, como poderia escondê-lo debaixo de sua cama, quando os seus pais viessem procurar e tentar saber com quem estava conversando. Ela sempre lia as aventuras de “Dumbo” com suas grandes orelhas voando.

Foi assim que cristalizou no mundo das idéias, a forma para seu amigo de estimação. Era um elefantinho pequeno do tamanho de um cãozinho. Sua pele não era tão seca como a de um elefante comum, o tom de cinza era bem escuro e ao acariciar sua pele sentia sua respiração. O elefantinho fazia um barulho como se fosse um golfinho a saltar no mar.

Os meses passavam depressa e Valeriana não via seu sonho logo se realizar. Sua vidinha seguia comum como a de outras meninas de sua idade. Estudar, estudar, estudar. Acordar antes de o dia clarear, engolir um mingau que muitas vezes nem descia direito. Pegar a pesadíssima pasta que mais parecia uma malta, cheia de livros e ir para a escola com seus irmãos. Subia para o ônibus e ao ver a roleta se encolhia toda e quase se arrastava no chão, pois não podia pagar passagem. Como era miudinha, enganava bem o cobrador.

Quando voltava da escola, às vezes cismava, em observar os galos, galinhas, cachorros, coelhos e até mesmo um ganso com suas penas todas crespas. Todos esses animais que viviam em paz em seu quintal, já eram familiares. Seu irmão Duda, tinha paixão por um galo chamado Dener. Mariana sonhava com seu elefante. O dia que o encontrasse de verdade seria inesquecível.

Ela tinha medo de ter um animal de estimação que estivesse por perto, pois quando ainda usava fraldas, Branca sua galinha, subiu em seu berço para colocar um ovo, cacarejou e bicou a menina, que gritou assustada chorando pela mamãe. Talvez, por isso tenha escolhido um elefante pequeno, cinza. Conversava com ele em seus sonhos, lhe afagava e pele macia. Contava-lhe seus medos e sucessos. Eram muito amigos. No final da terceira série, a professora de Valeriana entrou de licença para ter um bebê, e sua substituta, Dona Elcira uma das diretoras do educandário, era temida por Valeriana e todas as suas coleguinhas, que a chamavam de bruxa, devido a sua aparência pálida, encurvada e os cabelos pintados de negros com os fios caindo pelos ombros, mostrando sinais no rosto de maldade e impaciência.

Valeriana teria uma prova de Linguagem, mas não tinha tido tempo para estudar na tarde anterior. Acompanhara sua mãe que fora visitar uma velha conhecida. Com muito medo, a menina tentou dormir, Em vão, rolou na cama a noite inteira, por fim adormeceu e encontrou com seu amigo de estimação o elefante cinzento. Ele veio buscá-la para uma aventura, uma viagem espacial, fora da órbita da Terra. A menina voou com seu amiguinho, e sua cama. Ficou tão assustada e ao mesmo tempo eufórica dando voltas na órbita da Terra. Depois perdeu o medo e voou numa velocidade enorme que começou a ver o planeta cada vez menor sumindo rapidamente de suas vistas. Agora somente o espaço azul, etéreo, sem mais nada. Para sua surpresa não tinha estrelas brilhantes, nem cometas cruzando a imensidão do céu.

De repente, encontrou-se no meio de algum lugar, cujo nome não se recordou ao voltar do sonho. Só lembrava que tinha encontrado um ser que parecia ser um chinês muito velho, magro com enormes bigodes finos. Chamava-se Tan e convidou-a a sentar-se em sua sala. Estranha casa, não tinha portas, janelas, paredes, chão. Valeriana sentou-se em uma espécie de tapete, e ficou observando o velho Tan, enquanto ele meditava, parecia estar dormindo. Voltando para casa, Valeriana entrou pela janela com a cama e GREG, o elefante.

Na manhã seguinte estava com a mente tão relaxada por causa da distração da viagem até o planeta de Tan, que não teve medo mais da prova. Obteve um resultado acima do esperado. Sabia secretamente que devia seu sucesso a GREG seu amigo de estimação. Valeriana teve muitas outras viagens até a casa de Tan, sempre acompanhada por GREG. Lá conheceu outros personagens muito exóticos.

O tempo continuou a passar, e a menina, aos poucos esqueceu seus brinquedos preferidos, muitos foram guardados em um armário, GREG, seu amigo foi trancafiado no sótão de seu consciente. E lá ficou esquecido por tanto tempo...

Uma jovem mulher tentava dormir, mas não conseguia, a preocupação não a largava, chorou, rezou, revirou-se de novo na cama. Estava simplesmente apavorada. No dia seguinte, faria uma prova oral, que seria a última do curso acadêmico que terminava e a primeira de muitas outras que iria encontrar pela frente em sua nova profissão. Lá pelas tantas da madrugada, teve um sono agitado, sua cama pulava tanto. Sonho, pesadelo. Ouviu o distante chamado de GREG. Vamos brincar? Valeriana assustou-se, mas sem querer, já estava indo janela a fora com a cama, cabelos ao vento, tentando se segurar da melhor forma possível para não cair. Voltava para o planeta de Tan, e seus amigos. Passou momentos inesquecíveis junto deles. Ao acordar pela manhã, não se lembrava muito do que tinha acontecido, só sabia que tinha ido até o mundo das idéias e que de lá alguém mantinha o contato, espiando através do mundo astral e sorrindo amigavelmente para ela. Arrumou-se foi a Universidade teve a prova difícil, que se transformou num simples teste de conhecimentos, voltando para casa, ouviu o barulhinho de GREG, quem sabe, onde no vasto espaço azulado. No planeta de Tan, GREG, observava sorrindo indefinidamente e pensando: ... os elefantes não esquecem...


Aradia Rhianon
Enviado por Aradia Rhianon em 29/08/2006
Código do texto: T228029

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Sobre a autora
Aradia Rhianon
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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