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UMA PULGUINHA IRREVERENTE



Moro em um lindo castelo estilo medieval, com ponte levadiça, lago com jacaré em volta das muralhas e torres imensas. 

As muralhas são muito altas, da época que era necessário para a defesa contra invasores. 

Ouvi dizer que os homens têm a mania de tomar as coisas dos outros. 

Tomam terras, dinheiro, mulheres, fazem guerras até para tomar o país de outros. 

Ainda bem que esse tempo já passou e vivemos em paz. O castelo em si é hoje mais para ornamento, é uma verdadeira relíquia. 

O castelo fica às margens de um belo e sereno rio. 

O que mais gosto de ver são os barcos descendo e subindo nas águas tranquilas do rio. 

Na época da sêca o rio baixa em muito o nível das águas fazendo aparcerem os bancos de areia, o que dificulta a navegação. 

Este rio já foi famoso pela quantidade de peixes, mas atualmente, os pescadores não tiram nem o sustento da própria família. 

Todo dia um barco aporta aqui no embarcadouro do
castelo para levar as crianças à escola e as pessoas que necessitam ir à cidade. 

De vez enquando, pego carona nalguma pessoa e acabo viajando também. 

A cidade fica, na conta dos humanos, mais ou menos uma hora, rio à cima. 

Enquanto estamos no barco, aproveito para bisbilhotar por todo canto. 

O barco leva passageiros e mercadorias. 

As pessoas levam seus produtos para venderem na feira. Aí tem de tudo: cachos de banana da terra, nanica, maçã, mandioca, batata doce, queijo, pamonha, vassouras, pato, cabra, frango, leitão. 

Ao meio dia, com o sol forte, o cheiro é insuportável. 

Imagine você todos esses animais se debatendo, suando e fazendo suas necessidades dentro do barco. 

É um h o r r o r ! 

Fica difícil até para respirar. 

Aproveito e vou para a proa do barco, assim com o vento no rosto, o mal cheiro fica para trás, a gente tem que ser esperta. 

Enquanto o barco navega lentamente rio a cima observo as margens do rio com árvores frondosas, morada e abrigo de lindos pássaros e pequenos animais, árvores essas que dão sombra aos homens e outros habitantes ribeirinhos e ainda produzem frutos que alimentam os peixinhos. 

De vez em quando uma prainha onde jacarés preguiçosos se bronzeiam dormindo ao sol. ( será que eles usam protetor solar? Algum dia vou perguntar hi hi hi!)

Quando aporta no cais da cidade, pego carona nalgum cachorro e faço um giro, prestando atenção em tudo à minha volta. 

Vejo crianças esqueléticas, aguardando que os ossos lhes furem a pele causada pela desnutrição, esmaecidas, perambulando indolentes pela rua, outras pedindo "uns trocados", quando deveriam estar bem alimentadas e freuqentando a escola. 

Vejo homens maltrapilhos dormindo nas calçadas. 

Vejo homens embriagados. 

Vejo mulheres, com filhos encarapitados no quadril, pedindo esmolas. 

Vejo jovens se drogando. 

Vejo adolescentes se prostituindo. 

Vejo a maledicência na boca das pessoas. 

Vejo a malícia nos olhares dos adultos. 

Vejo o mau exemplo de jovens e velhos. 

Vejo sujeira nas ruas. 

Vejo a poluição tomar conta de tudo. 

Vejo acidentes. 

Vejo assaltos. 

Vejo a falta de socorro aos enfermos. 

Vejo a degradação da sociedade. 

Vejo tudo o que ninguém gostaria de ver. 

Vejo que ser uma pulguinha não é tão ruim assim! 

DEUS nos criou à sua Santa Vontade, nos deu tudo para sermos felizes, mas a ganância e a estupidez humana fez que as pessoas passassem a nos ver como animal qualquer, inferior aos outros. Apesar disso tudo, na nossa sociedade pulguícia não existe esses descalabros que contamim a Humanidade. 

Todos devem lembrar que solidariedade é ajudar sem olhar a quem assim como Jesus disse: "Não deixe que a mão direita veja o que a esquerda está fazendo"  Não tenho certeza se é mão direita ou a mão esquerda, o importante é que todos sigam os ensinamentos de Cristo!

FIM
GDaun
Enviado por GDaun em 03/10/2006
Código do texto: T254992

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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