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BELINHA
Uma  abelhinha rejeitada


PASSEANDO PELA COLMÉIA EU BZIZI COM UMA, BZIZI COM OUTRA, MAS NINGUÉM ME DAVA ATENÇÃO. 

JÁ ME SENTIA DESPREZADA, ME VIA COMO UMA ESTRANHA. 

EU ERA DISCRIMINADA NA MINHA PRÓPRIA COLMÉIA. 

ISSO ME INTRIGAVA CADA VEZ MAIS. 

UMA NOITE SOFREMOS UM ATAQUE DE FORMIGAS. 

AS SENTINELAS DEVIAM ESTAR COCHILANDO E SÓ DERAM O ALARME QUANDO JÁ ERA TARDE DEMAIS. 

AS TERRÍVEIS INVASORAS HAVIAM PENETRADO NA COLMÉIA E IAM EM DIREÇÃO À CÂMARA ONDE ESTAVA ARMAZENADA NOSSA PRÓPOLIS. 

ELAS ADORAM SUGÁ-LAS E ESTAVAM ÁVIDAS PARA REALIZAR SEU INTENTO DESTRUIDOR. 

A NOITE TODA OCORRERAM BATALHAS EM TODAS AS DEPENDÊNCIAS DE NOSSA COLMÉIA. 

SÓ AO AMANHECER É QUE CONSEGUIMOS À MUITO CUSTO, EXPULSAR AS INFAMES INVADORAS. 

COM O CLAREAR DO DIA, PODEMOS VER A CENA TERRÍVEL - HAVIA FORMIGAS E ABELHAS MORTAS POR TODA PARTE. 

A ENFERMARIA ESTAVA REPLETA. 

AQUI UMAS SEM PERNAS, 

ALI OUTRAS SEM ASAS, 

ACOLÁ ALGUMAS SEM FERRÃO. 

ERA UM QUADRO DESOLADOR. 

AQUELE DIA NÃO SAÍMOS À BUSCA DE MEL. 

FICAMOS TODAS À AUXILIAR AS ENFERMAS. 

POUCO OU NADA A FAZER, APENAS CONSOLAR AS IRMÃZINHAS. 

AO FUNDO, NUM CANTO, UMA VELHA OPERÁRIA, LAMENTAVA . . . 

ME APROXIMEI . . . 

JÁ AGONIZANTE . . . ELA ME PEDIU ÁGUA, NO QUE PRONTAMENTE, ATENDI. 

FIQUEI AO SEU LADO TENTANDO CONSOLÁ-LA. FOI AÍ, ÀS PORTAS DA MORTE, QUE ELA ME REVELOU QUAL A MINHA VERDADEIRA SITUAÇÃO. 

CONTOU ME ELA QUE EU NÃO ERA MESMO DAQUELA COLMÉIA. 

EU HAVIA SIDO RAPTADA PELA ABELHA ABELHUDA, A RAINHA DA COLMÉIA EM CONLUIO COM O ZANGÃO ZANGADO, SEU MARIDO. 

A HISTÓRIA SE PASSOU HÁ MUITOS ANOS, EU ERA AINDA BEBÊ DE COLO, POR ISSO NÃO LEMBRAVA DE NADA.

NAQUELA ÉPOCA, POR CAUSA DE UMA GRANDE SÊCA, AS FLORES NÃO PRODUZIRAM MEL ESTA  COLMÉIA NÃO TINHA COMO SOBREVIVER. 

AS ABELHAS DAQUI  INVADIRAM A COLMÉIA DE MINHA FAMILIA, MATARAM TODOS E AINDA ME LEVARAM DE REFÉM. 

MEUS PAIS MORRERAM DE INFECÇÃO CAUSADA PELOS FERIMENTOS, NÃO PODENDO ASSIM ME RESGATAR E OS SOBREVIVENTES SE DISPERSARAM. NUNCA MAIS SOUBERAM DELES. 

FIQUEI ÓRFÃ E FUI CRIADA PELA RAINHA ABELHUDA E PELO ZANGÃO ZANGADO

QUANDO A VELHA OPERÁRIA DEU O ÚLTIMO SUSPIRO, SAÍ EM DISPARADA EM BUSCA DA RAINHA PARA LHE CONTAR QUE JÁ SABIA DO SEGREDO E QUE IRIA ME VINGAR. 

NO CAMINHO PARA A CÂMARA DA RAINHA, ENCONTREI O CAPELÃO DA COLMÉIA. 

ELE VENDO MEU ESTADO DE AFLIÇÃO, QUIS SABER QUAL O MOTIVO. 

CONTEI TODA A HISTÓRIA. ELE OUVIU PACIENTEMENTE E DEPOIS ME ACONSELHOU QUE NÃO DEVERIA TOMAR A JUSTIÇA NAS PRÓPRIAS MÃOS, SERIA UM GRANDE ERRO. ME FALOU DA SABEDORIA E MISERICÓDIA DO NOSSO CRIADOR, DO PERDÃO E LEMBROU O QUE JESUS HAVIA DITO QUANDO SE REFERIA A DAR A OUTRA FACE, PORQUE OS HUMILDES E JUSTOS TERÃO A PAZ ETERNA. 

FIQUEI UM TANTO DECEPCIONADA! 

MAS PENSANDO BEM, ELE TINHA RAZÃO. 

RESOLVI MUDAR PARA OUTRO LOCAL E LEVAR UMA VIDA SIMPLES, MAS HONESTA E PROCURO SEMPRE AJUDAR AS PESSOAS NECESSITADAS. 
LEVANDO CARINHO E COMPREENSÃO AOS CORAÇÕES AFLITOS, CUIDANDO E ORIENTANDO OS ÓRFÃOS QUE PASSAM A MESMA DOR QUE EU PASSEI E À CIMA DE TUDO RESPEITAR PARA SER RESPEITADA, EVITANDO ASSIM A CRESCENTE VIOLÊNCIA DENTRO E FORA DOS LARES.


MODESTA HOMENAGEM NO DIA DA CRIANÇA.............EM ESPECIAL ÀQUELAS QUE  NÃO TEM A QUEM PEDIR PRESENTES.... NEM  RECEBER UM SIMPLES ABRAÇO!


GDaun
Enviado por GDaun em 12/10/2006
Reeditado em 17/10/2006
Código do texto: T262392

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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