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O MACACO E A LEBRE

No reino dos animais foi aberto um concurso para escolher o bicho que tinha o mais belo par de chifres. Inscreveram-se vários animais, entre eles cabras, carneiros, gamos, cervos e bois. Todos tratavam de lustrar e afiar os chifres para que ficassem mais bonitos, os melhores. A concorrência era grande. Quem levaria o prêmio? A cabra, vaidosa como ela só, dizia:

- Mééé, eu ganharei o primeiro lugar. O meu par de chifres é o mais lindo, o mais bem cuidado, mééé.
O carneiro protestou. Quem essa cabra pensa que é? O par de chifres mais bonito, o melhor de todos era o dele. Passavam o tempo discutindo, medindo, comparado os chifres. Todos queriam ganhar. Enquanto isso acontecia, uma lebre, que estava por ali, viu a sua sombra no chão e percebendo o tamanho das suas orelhas pensou:

- Eu vou entrar neste concurso. As minhas orelhas são grandes e podem, muito bem, passar por um par de chifres.
Com essa idéia na cabeça ela foi procurar o macaco, seu amigo de longa data. Encontrou o malandro comendo banana deitado no galho de uma árvore.

- Amigo macaco, eu estou indo me inscrever no concurso “O mais belo par de Chifres”.
- Amiga lebre, você não tem chifres. Essas coisas compridas na sua cabeça são orelhas. Não quer esperar o concurso das mais belas orelhas?
- Por que está me dizendo isso? – perguntou a lebre zangada.

- Calma. Por acaso você leu o regulamento do concurso?
- Não, não li! – respondeu a lebre.
- Diz lá, no artigo 5º - parágrafo II – que, em caso de fraude, o bicho será desclassificado, perderá a amizade dos outros animais e nunca mais poderá participar dos eventos da floresta. Você sabe quem é o presidente da comissão julgadora? É o leão ruivo. E ele, minha amiga, não perdoa a desonestidade, a mentira.

O macaco, com muito jeito, levou a lebre até o lugar onde seria realizado o concurso para que ela visse como funcionava. Chegaram bem na hora em que o leão berrava ferozmente:

- Senhores participantes, eu Leão Ruivo, Presidente da Comissão Julgadora deste concurso, comunico a todos que não admitirei fraudes. Há uns minutos atrás foi banida, para os confins da floresta, a girafa. Ela quis que passassem por chifres aquelas duas coisinhas que ela tem lá no alto da cabeça. Digo mais: este é um concurso honesto com base na honra de caráter de cada bicho. Se houver mais alguém pensando em passar a perna nesta Comissão que desista agora.

O macaco olhou para a lebre e perguntou:
- Ainda quer se inscrever, amiga?
- Não. Vou esperar o concurso das orelhas. – respondeu ela de cabeça baixa toda envergonhada.
O macaco, todo saltitante, ficou feliz com a decisão. Não podia deixar a sua amiga se meter numa encrenca com o leão. Ele acompanhou a lebre até a sua casinha dando-lhe sábios conselhos;

- Amiga, a mentira não é prêmio, é a coisa mais feia que existe. Não fique triste, sorria. Hoje você se livrou de ir morar lá no fundão da floresta e não ver mais os seus amigos, os seus filhotes e este macaquinho aqui. Como eu poderia viver sem a sua companhia? Para quem eu iria contar as minhas aventuras?
E pulando entre as flores do mato, o macaco colheu algumas e entregou para a lebre dizendo:

- Para a minha querida amiga lebre. Flores para perfumar a sua vida e a sua sabedoria. Flores de amizade eterna.
A lebre sorriu, agradeceu e entrou na sua casinha para cuidar dos muitos filhotinhos cheios de fome.
Mentir não é um bom negócio. Faz mal ao corpo e a alma.

22/10/06.
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 22/10/2006
Reeditado em 21/04/2011
Código do texto: T270555

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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