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O LOROTEIRO

       
        As crianças estavam assustadas e ao mesmo tempo, curiosas com a estória que o bom velhinho lhes contava.

       - Crianças, eu acho melhor parar  de contar essa história por hoje. - falou seu Maneco.

        A Chikita estava de olhos arregalados. Mas, mesmo assim, pediu para que o velhinho  continuasse a contar.

        - Seu Maneco, o senhor não deve parar de contar!

        O velhinho ajeitou o seu óculos, quase todo colado por "durepox", olhou toda aquela criançada, e vendo seus olhinhos brilharem, resolveu continuar aquela fascinante aventura.

Todas as noites a lua ficava encoberta   por uma nuvem escura. Por mais que  se tentasse observá-la, não seria possível... As corujas - pausa - ... As corujas sobrevoavam as casas com o seu conhecido canto de agouro, que as pessoas conhecem por "rasga-mortalha". E, até‚ os morcegos, faziam zig-zags nos currais a fim de sugar o sangue dos animais que estavam encurralados. Os animais, por sua vez, tentavam a fuga, porém, em vão!

... Pausa e concentração do velho...

       - Seu Maneco, a lua era encoberta pelas nuvis por quê?
   
        - Calma, Joca. Chegarei lá. E também não se fala nuvis e sim, nuvens!

- Ah!... Foi isso que eu quis dizer.

       O zezinho era o único que nada perguntava,  mas pelo jeito, era o que mais estava assustado. E a estória continuou a ser contada por seu Maneco...
     
       - Crianças, todas as noites as pessoas se reuniam para  contar estórias de mulas-sem-cabeça, fogo-corredor, lobisomem, saci pererê,  caiporas e outras coisas mais. Mas, assim que elas se retiravam para as suas casas, que ficavam distante uma das outras, muitas coisas começavam a  acontecer; ouvia-se ao longe, não muito longe, latidos de cachorros, assobios de caiporas e até mesmo passos ao redor das suas casas.
           
          Mais uma pausa...

        - Seu Maneco, de quem eram os passos? - perguntou, por fim, Marquinho.

        - ... Os passos eram... Deixe-me lembrar...
   
        - ... Crianças, terminou o intervalo! - era a Mabel. A professora da Chikita, Jóca, Zezinho , Marquinho e das outras crianças que ouviam a estória contada por seu Maneco.
   
        - Oh, não!... - responderam as crianças ao mesmo tempo.
   
        - Não se preocupem, crianças! Amanhã eu continuarei  a contar essa mesma estória.- Falou seu Maneco.
   
        - tudo bem, seu Maneco. - falou, pela primeira vez, Zezinho.
 
         só que aquelas crianças sabiam que, no dia seguinte, seu Maneco não mais se lembraria da estória que estava contando hoje. Mas, mesmo assim, não teria importância; talvez fosse isso o que mais fascinasse aquelas crianças. A cada dia, uma nova aventura, um novo sonho, que FAZIA PULSAR MAIS FORTE AQUELES CORAÇÕES INFANTIS!


Este trabalho está registrado na Biblioteca Nacional-RJ




carlos Carregoza
Enviado por carlos Carregoza em 17/11/2006
Código do texto: T293733
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Sobre o autor
carlos Carregoza
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
102 textos (5969 leituras)
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carlos Carregoza