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Texto

A PEÇA DE TEATRO (comédia)

Em uma escola municipal para crianças do primário, os professores resolveram montar uma peça de teatro com as crianças.
Depois de fazerem uma pesquisa com as crianças sobre o que Elas gostariam de fazer, escolheram o tema “deu a loca na chapeuzinho”, mas  como seria uma peça razoavelmente grande, escolheram um conto de terror, “O espantalho” as crianças aprovaram.
Escolheram as crianças que iriam fazer a peça. Precisava de alguém para representar o milharal, o espantalho, os corvos e o casal que moravam na cabana.
O roteiro estava pronto, a musica já havia sido escolhida, agora era dar o roteiro para as crianças decorar.Três professores ficaram encarregados de fazer com que as crianças decorassem a sua parte do texto.
Nícolas como era o mais alto da turma, foi escolhido para fazer o espantalho, Felipe para ser o caseiro e Isabela para ser a esposa do caseiro, Brenda seria o girassol, Danilo era um dos pés de milho junto com Roger e Pedro, Jhony e Murilo seriam os corvos e o Vitor seria o raio.
Cada um recebeu a sua parte no texto para decorar com a ajuda dos professores e dos pais. Seria uma tarefa não das mais fáceis, os professores sabiam disso, mas era uma maneira das crianças se interagirem.
As crianças ficaram uma semana decorando o texto, enquanto isso os professores organizaram o restante, como o palco, as cortinas, o fundo musical, e a iluminação. Improvisaram uma pequena casinha de madeira com a ajuda do senhor Helder que era o vigia e morava nas dependências da escola. O palco ficava no pátio da escola, as cadeiras para os pais e convidados ficariam na frente, a iluminação estava pronta, as cortinas foram feitas com tecido T.N.T dividida ao meio, um barbante foi amarrado em cada lado de cima da cortina, podendo ser puxada tanto para abrir como para fechar. Uma folha de flandres para fazer o som de trovões, o som também estava pronto, os microfones instalados, atrás de uma cortina preta seria onde iria ficar o narrador. Finalmente marcaram o primeiro ensaio.

Ensaiaram umas três vezes até o grande dia.
Era um belo dia de sábado, a plateia já aguardava sentada nas cadeiras, eram os pais, tios, irmãos, vizinhos e lógico, os professores e diretoria da escola. Tinha muita gente aguardando a esperada peça de teatro com as crianças.
-isso não vai dar certo, disse um dos pais, a mãe riu e disse que eram crianças, elas iam se sair bem.
As cortinas fechadas para o publico, do lado de dentro do palco, as crianças estavam cada uma com a sua fantasia. Os pés de milho já todos prontos e nos seus lugares, a vantagem deles era que não iriam falar nada, assim como o girassol, só iriam se movimentar no momento certo, o girassol ficava entre eles, era mais para deixar a cena mais bonita, o espantalho estava pronto, Nícolas estava com sua camisa xadrez, calça curta e chapéu de palha, Johnny e Murilo também estavam prontos com sua capa preta e um bico feito com garrafa pet. Vitor ficou escondido com seu macacão laranja misturado com vermelho e um raio encaixado na cabeça. A professora riu antes de eles começarem, o casal estava sentados em uma pequena cama improvisada com a vista para o milharal, ela estava uma graça, vestida com uma saia rodada de algodão com muitas margaridas desenhadas.
- ai meu Deus, sei não, acho que isso vai ser engraçado -disse a professora Paulina.
- são crianças, eles vão entender, alem do mais são os filhos deles, vão aplaudir de qualquer forma -respondeu a professora Deli.
Então os professores reuniram as crianças e cada uma com seu texto na mão.
Os professores separaram as crianças, colocando cada uma em um local onde provavelmente iriam ficar.
- o caseiro, onde está o caseiro?
- foi no banheiro, gritou a outra professora.
- está bem, vamos esperar o caseiro.
- eu também quero ir ao banheiro “fessora”, disse Isabela.
- tá certo, olha quem quiser ir ao banheiro vão agora, depois que começar o ensaio ninguém vai poder sair.
As crianças finalmente retornaram do banheiro.
- pronto agora vamos lá crianças, estão prontas, já decoraram suas falas?
- eu já! Gritou Roger.
Ok vai começar pessoal.
Uma das professoras era o narrador.
A professora deu ''ok'' para o ajudante de palco abrir as cortinas, ele puxou as cordas e elas foram se abrindo devagarzinho, a plateia aplaudiu e em seguida ficaram quietos aguardando o inicio da peça.
Estava tudo escuro e a narradora começou a falar ao microfone:

Narrador - Numa casinha no alto da colina morava um casal apaixonado, venderam tudo na cidade e vieram morar nesta casinha longe do stress da cidade grande, aqui eles queriam ter seus filhos, mas alguns vizinhos que moravam distantes diziam que esse lugar era mal assombrado, mas o casal não acreditava nessas coisas, resolveram morar assim mesmo.
- vai Isabela, você é a esposa.
Esposa do caseiro - oh meu amor, este lugar é lindo, vamos ser muito felizes aqui.
- isso! Incentivou a professora com o dedo polegar no canto do palco, avisando que era pro Felipe continuar.
Caseiro- sim minha amada, aqui será nosso, nosso, nosso, o que mesmo Isabela?
- nosso lar, disse ela baixinho.
Caseiro - nosso lar.
Narrador - nesse momento começou uma tempestade, raios e trovões assustaram Isabela, a amada do Nícolas.
Nesse momento uma professora assistente agitou as folhaa de flandres dando o som de trovões.
Todas as luzes se acenderam, agora era possível ver nitidamente todas as crianças, os pais começaram tirar fotos enquanto outros filmavam.
Narrador – o vento forte agitou o milharal.
A professora assistente avisou para as crianças se balançarem.
Uma luz de cor diferente iluminou Isabela, avisando que era a sua vez de falar.
 Esposa do caseiro – meu amor olha lá fora, um raio atingiu o milharal.
No cantinho, a professora avisou para Vitor correr e abraçar os pés de milho, Vitor correu e acabou tropeçando na fantasia, nesse momento ele começou a chorar, os pais se levantaram para ajudar, mas a professora disse que não precisava, ela fez gestos para Vitor não chorar e terminar a cena, Vitor ainda com cara de choro correu e abraçou os pés de milho, a plateia riu baixinho, enquanto isso uma linda girassol ficava no meio do milharal balançando a cabecinha em forma de flor, os pais gritaram – viva o girassol!
A luz iluminou Felipe, era a vez de ele dar continuidade.
Caseiro – veja querida, o raio deu vida ao espantalho, feche as portas ele vai querer nos matar.
Isabela fechou as portas e janelas da casinha improvisada, enquanto Nícolas que era o espantalho correu em direção a casa para tentar entrar.
Um pé de milho continuou balançando, - o que foi Roger? Pode parar de balançar –“fessora” eu quero fazer xixi.
- eu não acredito, está bem Roger vai lá, mas cuidado pra não cair.
No meio da cena, lá ia um pé de milho em disparada ao banheiro, a plateia não se segurou e caíram na risada, inclusive os pais de Roger.
Narrador – desculpe pessoal, parece que um pé de milho teve um probleminha, mas vamos lá, O raio que caiu no milharal deu vida ao espantalho que agora queria matar o casal que estavam dentro da casa, mas eles fecharam as portas.
 O espantalho bateu na porta, e acabou entrando segurando uma foice de isopor, feita por um dos professores de arte.
Espantalho – uhhhh! Eu vou pegar vocês! Não vão escapar uhhhhhh!
Esposa do caseiro – socorro meu amor ele vai nos matar!
Caseiro – eu não vou deixar meu amor, estou aqui pra te salvar.
Nesse instante apareceram os corvos, Johnny e Murilo, saíram de um cantinho escondido e de surpresa, correram atravessando o palco, com uma capa preta e bicos feitos com garrafas pet improvisados com um elástico que prendia por trás da cabeça, se juntaram ao mestre espantalho.
Narrador – os corvos ajudaram o espantalho a arrombar as portas e entraram na casa.Assustada, Isabela se abraçou ao amado Felipe, que com muita coragem enfrentou o espantalho e os corvos.
Esposa do caseiro – socorro meu amor, ele vai me matar!
Caseiro – eu não vou deixar querida, eu vou acabar com eles!
Nesse instante chegou um pé de milho correndo no meio da cena, era Roger retornando do banheiro, até o narrador deu risada, uma musica de suspense foi tocada durante a cena.
A professora Deli pediu para o Felipe pegar o extintor, mas onde estava o extintor?
- professora paulina onde está o extintor? Perguntava baixinho, a professora Deli.
- eu não sei, pedi pro Vigia deixar atrás da porta, mas acho que alguém tirou de lá.
Começou uma correria á procura do extintor, não era um extintor de incêndio predial, mas um extintor pequeno de automóvel, pois seria mais fácil para Felipe usar.
Um dos pais ajudou a procurar e encontrou o extintor, saiu correndo e entregou a professora.
- pessoal desculpe, mas peça de tetro é assim mesmo, ainda mais com crianças.
Narrador – o espantalho tentou matar Isabela com a foice, enquanto isso Felipe para salvar sua amada, encontrou um lança- chamas e começou a queimar os corvos que caíram no chão.
Felipe deu uma esguichada de pó químico do extintor como se fosse um lança chamas e os corvos rodopiaram no palco e caíram no chão, causando risos na plateia.
O espantalho agarrou sua amada, mas com um descuido Isabela se soltou e seu amado como herói, lançou as chamas sobre o malvado espantalho que em chamas, ou seja, cheio de pó químico saiu correndo no palco e caiu morto entre os corvos.
 A professora deu sinal para Isabela falar o texto.
- oh meu herói! Você me salvou.
- por você eu sou capaz de qualquer coisa, não é um espantalho qualquer que vai lhe fazer mal, a abraçou e encenou um beijo.
As luzes se apagaram, o vigia puxou as cordas e a cortina de tnt foi fechada, o publico aplaudiu de pé, assobiaram e gritaram pelo nome dos filhos.
As cortinas se reabriram novamente, as crianças e professores estavam lado a lado na frente do palco e agradeceram aos pais e amigos que prestigiaram as crianças.
Cido Fernandes
Enviado por Cido Fernandes em 10/07/2012
Reeditado em 13/07/2013
Código do texto: T3770429
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Cido Fernandes
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