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O GATO E O RATO

Uma vez estava um gato caminhando entre pedras e pedaços de madeira quando foi avistado por um rato que, rapidamente, se escondeu num buraco. O gato percebeu e pensou:
- Ele vai ter de sair e eu estarei esperando.
E riu o riso dos gatos num prolongado miauuuuuuu. O pobre rato, lá no buraco, tremia imaginando o poder das unhas e dos dentes do bichano. Passou-se um bom tempo. O silêncio reinava. O ratinho apurou os ouvidos. Nada. Então colocou a cabeça para fora e usando o poder farejador dos seus bigodes, rastreou o espaço em volta. Nada. Talvez o gato tenha cansado de esperar e foi embora. Sentiu-se seguro. Devagar foi saindo do buraco ainda usando os bigodes como radar. Nada de gato. Finalmente estava fora.
Caminhou uns poucos metros e, pumba, o gato saltou a sua frente. O ratinho, apavorado, gritou:
- Pode parar!!
O gato ficou espantado com a audácia daquela criatura asquerosa, odiada  pelos homens e pelos gatos, arqueou o dorso, arrepiou os pelos, arreganhou os dentes e  disse:
- Sujeito atrevido, vou acabar com você!
- Ta, tá bem seu gato, mas antes me diga uma coisa: Por que não podemos ser amigos?
O gato riu. O riso sinistro fez o ratinho  se encolher de tanto medo.
- Nunca! Jamais um gato foi amigo dum rato. Vocês são desprezíveis, burros, sinônimo de sujeira e de doença. Esse ódio aos ratos está no sangue dos felinos, sangue nobre e puro. Você conhece alguma história de gato amigo de rato? Já viu um rato vencer um gato?
- É, seu gato, acho que está carregado de razão! Respondeu o rato com a voz sumidinha.
Continuou a argumentar com o gato que maquinava o bote que daria para abocanhar o rato. Daria um bote de serpente? Não. Serpente não. Daria o pulo do gato. Aquele pulo leve, alongado, silencioso e, zaz, rato na boca. O rato percebeu a distração do gato vaidoso e disse:
- Seu gato, antes que me pegue, gostaria de fazer uma aposta com você.
- Aposta?
- É. Você disse que os ratos são burros, desqualificados. São tão nojentos que os homens tratam outros homens de rato quando eles são desonestos.
- Isso é verdade. - Respondeu o gato.
- Qual é a aposta?
- Bem, - disse o ratinho – eu gosto muito de contar gatos no meu pensamento. Eu fecho os olhos, fico em silêncio e conto: um gatinho, dois gatinhos... nunca consegui passar dos cem gatinhos. Olha que gasto duas horas contando. Talvez eu tenha o cérebro do tamanho de um grão de areia. Já você, que é bem maior, pode contar uns mil ratinhos em cinco minutos. Não é verdade?
O gato pensou no desafio. É fácil – disse para si mesmo - por isso não custava nada fazer a vontade daquele idiota. Seria a última mesmo. Estufou o peito e disse:
- Tá  apostado. Pode marcar o tempo. Quando terminar eu pego você.
Ainda faltava tempo para atingir os cinco minutos da contagem. O gato, desconfiado, abriu um olho para ver se o rato estava cronometrando. Cadê o rato? O gato ficou possesso. Fora enganado por um rato sujo, desonesto com cara de fuinha. Miou de ódio, arranhou o chão, rolou sobre as pedras para aplacar a ira. Mas quando olhou para o buraco chorou, chorou tanto que os olhos verdes ficaram pretos como as letras do bilhete que o ratinho deixou à entrada do buraco.
“E eu é que sou burro, ah, ah, ah...”

(histórias que contava para o meu neto).
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 28/08/2005
Reeditado em 21/04/2011
Código do texto: T45731

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão