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MALU EM APUROS


Chegou de repente. A forte luz a levou para dentro daquela aconchegante casinha. Estava frio lá fora e precisava se aquecer.
- Mas que quentinho gostoso. Hum.... Que delícia.
Já fechava os olhos quando ouviu alguém gritar:
- Mãe! Um bicho horrível!
“Será comigo?”. “Que ousadia me chamar de horrível!”. “Quem essa garota pensa que é”? “Parece um monstrinho branco e sem dentes”. E frouxa né? Onde já se viu, ter medo de mim, um inseto tão indefeso. Ah! Cala a boca, me deixa dormir!”“
Mas a garotinha não parava de gritar.
- Calma Carlinha, é só uma cigarra, não vai lhe fazer nenhum mal.
- Mas eu quero que tire da minha casa!
“Ô garota me deixa em paz”.
- Está bem filha, vou chamar seu pai para tirá-la daí.
“Não acredito. E U N Ã O A C R E D I T O. Chamar o pai? Ô minha senhora, escuta aqui, a senhora vai dar ouvidos a essa garota? Eu não mordo não. Pelo menos não essa coisinha aí que a senhora chama de CARLINHA. Parece mais uma CABRINHA, berrando aí com medo de mim. Nem que eu fosse um monstro grande e verde de olhos esbugalhados!”
- Onde ela está? - Perguntou o pai, já chateado porque o tiraram da sua leitura.
- Ali pai!
- Onde?
- Na lâmpada pai, não está vendo?
- Ah, tá. Coitadinha filha, ela está só se aquecendo. Deixa ela aí.
-Não pai, eu tenho medo. Mata ela!
“Senhor, me perdoe, mas sua filha é uma monstrinha!” “Que instinto”. “O que ela quer ser quando crescer? Uma bruxa?” Reclamou baixinho Malu.
- Não filha, não é preciso matá-la. Sabe, se ela veio se aquecer é só apagarmos a luz e ela vai embora.
- Será pai? Então apaga.
“Obrigado pai, que idéia legal”. Tô saindo. Já tô fora. Obrigado monstrinha de sete anos, da próxima vez grite mais alto, talvez me mate de susto!
Triste e cabisbaixa, nossa amiga procurava um lugarzinho mais quente naquela noite fria e chuvosa e pensava: “Que injustiça. Garota egoísta. Me coloca pra fora da sua casa, sem motivos, só porque eu queria um calorzinho. Me manda para o frio e vai para a cama quentinha no seu quarto. Garanto que nem pensa no que fez a mim, pobre criatura indefesa.” E Malu olha a menina se cobrindo na sua caminha quente. A garota junta as mãos, parecendo rezar. Nessa hora cai uma lágrima do rosto de Malu que também reza e pensa:
“Ô meu Deus, eu também não sou sua filha? Me dá um lugarzinho quente para que eu possa dormir”.
Não conseguia dormir quando de repente viu outra luz acender na casa vizinha. Valia à pena, ia arriscar. E voou até a casa. Ficou lá quietinha na cozinha. Quando olhou lá para a mesa, viu um menino comendo um pão com leite. Parecia faminto. Era um menino bonito e robusto. Tinha acordado só para comer. Malu pensou: “Que falta de sorte a minha, outra criança. Com certeza vai chamar o pai para me matar.” “Vou dar logo o fora, é melhor...”.
Mas quando Malu voou, estava tão cansada que caiu em cima da mesa onde o menino comia. “Vai menino bobo, grita vai, tô esperando”. ”“ Mas grita que tem um monstro verde em cima da mesa, quem sabe seu pai chega mais depressa!”
Porém, para alegria de Malu, o garoto olhou pra ela e disse:
- Olá cigarra, tudo bem?
Malu olhou pra trás para ter certeza que era com ela que ele estava falando. E era com ela mesma.
Ela quis dizer a ele: “E aí garoto você está bem? Não vai querer me matar? Nem morrer de medo?” Mas o garoto continuou...
- Sabia que sei tudo sobre você?
“Ah não, não pode ser verdade. Vai dizer que meu nome é Malu, que minha melhor amiga é Leca e que tive uma irmã que morreu ainda bebê com a experiência de um inseticida?” Eu hein, você lê patinhas? Tenho seis!”
Mas Malu estava brincando. Na verdade ela admirou aquele garoto decidido e corajoso. De repente ouviu alguém chamar:
- Thiago você está aí?
- Tô mãe. Eu estava com fome e vim comer alguma coisa. Aí encontrei uma cigarra que parece estar tão triste e vou levá-la para o meu quarto. Posso deixar a luz acesa mãe? Ela parece estar com frio.
-Pode filho, a cigarra vai ficar muito feliz com isso. Boa noite filho.
- Boa noite mãe. Obrigado.
- De nada filho.
“Puxa, que menino”, pensou Malu. “Que mãe!” “Obrigada papai do céu, Boa noite!!!” I A H U U U U ! “Vamos amigo”. Aí Thiagão, acende a luz que eu tô na área. Valeu. Boa noite!
E nossa amiguinha enfim, dormiu como um anjo junto com seu mais novo amigo. Amanhã contaria tudo para Leca.




TACIANA VALENÇA
Enviado por TACIANA VALENÇA em 28/08/2007
Reeditado em 04/08/2008
Código do texto: T627246

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Sobre a autora
TACIANA VALENÇA
Recife - Pernambuco - Brasil
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TACIANA VALENÇA

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