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UM ENCONTRO ESTRONDOSO

Um homem observava um rio, que corria velozmente, com sua água ondeando fazendo um forte barulho. Intrigado, o homem perguntou ao rio:

- Por que tanta pressa, por que sais arrastando as margens, carregando mato e troncos? Por que tanto ruído se não vais a lugar nenhum?

- Isto é o que tu pensas. Eu tenho uma meta, um destino que preciso cumprir. – respondeu-lhe o rio sem parar de correr nem por um segundo.

- Que meta? Que destino é este? – insistia o homem.

- Se queres saber, segue-me! – convidou o rio.

E o homem, montando o mais rápido cavalo que encontrou, seguiu o rio que continuava lhe falando com voz estrondosa.

- Com minhas enchentes dou de beber à terra, fertilizando-a para a produção de alimentos que saciarão a fome de homens e bichos. O mato que carrego é comida para os peixes que vivem em mim, mais uma fonte de alimento, além de aplacar a tua sede, a dos animais e aves; desço cachoeiras, serpenteio florestas e vales. Que destino mais grandioso eu poderia desejar?

- E depois de tudo isto, para onde vais? – quis saber o homem acelerando o passo do seu cavalo.

- Depois de tudo, meu amigo, vou a um encontro. Um forte e estrondoso encontro de amor na minha foz com as águas do mar. – disse o rio suspirando dengoso.

- E como acontece o encontro? Disseste que é estrondoso...

- Sim. Antes de eu chegar há uma calmaria, um momento de silêncio. Tudo pára, o vento parece não soprar. É como um instante de oração e, depois, nossas águas se unem num forte abraço. Pense em duas enormes rochas uma batendo na outra, daí o forte estrondo que se dá. Jamais verás um milagre igual.

A lua, já no meio do céu, sorrindo e banhando-se na água do rio dizia:

- Não te esqueças de dizer a ele que eu faço parte da tua vida. Que é por causa das minhas fases e dos meus equinócios que a tua água se avoluma causando o forte estrondo. Eu não sou a lua só dos namorados, a que mexe com sentimentos românticos, também sou dos rios e dos mares. – completou, dando uma piscadela para o rio.

Finalmente, rio e homem chegaram ao local do encontro. E o homem, descendo do cavalo e posicionando-se em lugar seguro, pôde apreciar o mais belo espetáculo da natureza. O encontro da água do rio com a do mar resultando na bela e temível pororoca.

01/11/07.
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 01/11/2007
Reeditado em 21/04/2011
Código do texto: T718817

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão