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6 na Berlinda (peça teatral que fala sobre adolescência, sexo, drogas, aborto e violência)


                                                          6
                                                 NA BERLINDA

                                            Tire suas máscaras...


                                                        Texto:
                                                    Elmo Ferrér

                                              2009/ elmoferrer
                                          todos os direitos reservados













6 na berlinda- Tire suas máscaras .
6 NA BERLINDA- Tire suas máscaras- de Elmo Ferrér
Mônica, Pedro, Andréa, Adriano, Sandra e Gustavo não são o que se pode chamar de adolescentes perfeitos. Cada um tem manias que despertam o estranhamento dos colegas de escola.
Eles não são tão adolescentes, nem tão adultos.Todos tem 17 anos e estão no último ano do colégio. Por terem personalidades tão diferentes, não se gostam. Mais em um fim de semana, presos no banheiro da escola, são obrigados a conviver com as diferenças de cada um. Ao passar do tempo, vão criando uma relação de dependência, ao mesmo tempo que vão se abrindo para assuntos nunca antes comentados por cada um.

PERSONAGENS:

Mônica-  É uma garota popular, famosa por brigar com os professores e ser muito independente. Vai se mostrar uma garota frágil e insegura.

Pedro-  É o pegador da escola, mais nunca namorou, é metido a machão, mais na verdade é um homossexual não assumido.

Andréa- A mais recatada dos adolescentes, não gosta de fazer amizade e nem de ficar perto das pessoas. Foi estuprada pelo padrasto aos dez anos, mais ninguém da sua família sabe disso.

Adriano- É reservado e o melhor aluno da turma. É usuário de drogas.

Sandra- É a “Patricinha” da escola, posa de rica, mais na verdade é de origem pobre e mora em um cortiço,  se prostitui desde os 13 anos de idade.

Gustavo- É agressivo e arrogante. É de uma família de 5 irmãos e se sente rejeitado. Tem HIV.









CENA 01- PRIMEIRO DIA.

CENÁRIO: BANHEIRO.

OS ATORES ENTRAM E DANÇAM A MÚSICA RODA VIVA DE CHICO BUARQUE. EM SEGUIDA, CADA UM TIRA UM PAPEL DO BOLSO.

TODOS- Me encontre no banheiro ás 6 horas.

SAEM E VOLTAM. JÁ ESTÃO NO BANHEIRO.

TODOS- Vocês?

PEDRO- Ih, agora que eu vi.

MÔNICA- Alguém pode me dizer que brincadeira é essa?

ADRIANO- Ta, quem foi o idiota?

SANDRA- RIR- Ô garota, vc é uma estúpida ou o quê?

MÕNICA- Ta falando comigo?

SANDRA- E quem mais teria a idéia idiota de marcar encontrozinho no banheiro? Heim Sapata?

MÔNICA- Cala a boca garota!

GUSTAVO- Para! Quem foi que fez isso?

ANDREA- Com licença, vou saindo!

OUVE-SE UM BARULHO DE PORTA BATENDO.

PEDRO- Que foi isso?

SANDRA-  Fala sério. Alguém trancou a gente aqui.

ADRIANO- Ta brincando!

GUSTAVO- Cara, quando eu descobrir quem fez isso...

ANDREA-  O valentão vai quebrar a cara!
MÔNICA- Agora temos que arrumar um jeito de sair daqui!

SANDRA- Como? Arrombando a porta de ferro?

MÔNICA- Não fala comigo...

ADRIANO- Só pode ser brincadeira! Só pode ser... droga! Vcs sabem que dia é hoje? Sexta, sexta-feira! Esse final de semana é feriado.

GUSTAVO- O que significa que se não conseguirmos ajuda, só sairemos daqui na segunda!

SANDRA- Fácil resolver gente...é só ligar pra polícia e dizer que estamos presos aqui. TIRA O CELULAR- Ah, só faltava essa, fora de área.

TODOS TIRAM O CELULAR DO BOLSO E OLHAM.

MÔNICA- Droga, droga! Imbecil! Ah, que ódio!

PEDRO- Calma garota, logo alguém escuta e abre a porta!

ANDREA- E a gente faz o quê? Grita!

ADRIANO- É uma boa!

SANDRA- Eu não acredito que estou em uma salinha 2 por 2 com um monte de gentinha imbecil e sem celular!

MÔNICA- Imbecil é você garota!

GUSTAVO- Ta! Quem grita?

PEDRO- Alguma mulher de preferência!

MÔNICA- Ta, eu grito!

SANDRA- Ele falou mulher querida!

MÕNICA- Eu vou fingir que não ouvi o seu cacarejo!

ANDREA- Ai, para de briguinha e grita logo droga!

MÔNICA GRITA SOCORRO COM VERGONHA.
TODOS RIEM.

GUSTAVO- Meu cachorro gritaria melhor!

MÔNICA- Ah é, então chama ele.

ADRIANO- Ta, vamos nos organizar. Todo mundo grita de uma vez!

PEDRO- Socorro! RIR.

ADRIANO- Não sei se v percebeu ô Zé mane, mais não é brincadeira!

PEDRO- Cê me chamou de quê?

ADRIANO- Zé mane!

PEDRO- Agora vc vai ver seu bichinha!

OS DOIS SIMULAM UMA BRIGA.

ANDREA- Para! Não sei se vcs perceberam mais a gente ta trancado em um banheiro, sem ajuda, sem comida, sem nada! E ainda corremos o perigo de ficar aqui até segunda! Ta bom para vcs?

TODOS SE CALAM.

ANDREA- Agora vc Pedro, sobe no banco e grita pela janela, vc Gustavo bate na porta, e o resto grita. Vai!

TODOS SE CALAM E OLHAM PARA ANDREA.

ANDREA- Vão ficar me olhando? Grita!

TODOS GRITAM POR SOCORRO.

MÔNICA- Ah, desiste!

GUSTAVO- Ninguém vai suspeitar que estamos todos aqui, a gente nem nunca se falou!

SANDRA SENTA.

SANDRA- Então só nos resta esperar, e já que vamos ter que conviver, fica cada um na sua!

MÔNICA- E vc de preferência bem longe de mim!

SANDRA- Disso vc pode ter certeza garota!

TODOS SE CALAM, SENTAM. UMS LEVANTAM E DEMONSTRAM IMPACIÊNCIA. ADRIANO COMEÇA A BATER NOS ARMÁRIOS.

PEDRO- Da pra parar?

GUSTAVO- Será que tem algo para comer ai nesse armário?

ANDREA- Comida no banheiro?

SANDRA- É, mais alguma coisa temos que achar, pelo menos uma toalha, sei lá. Já ta começando a esfriar!

ADRIANO TENTA ARROMBAR O ARMARIO. MÔNICA, PEDRO E ANDREA PROCURAM NOS ARMÁRIOS.

ADRIANO- Nesse aqui não tem nada de útil.

MÔNICA- Garrafas! Quem guarda garrafa em armário de banheiro?

PEDRO- Um som velho. Não deve nem prestar mais!

ANDREA- Tem uma caixa aqui!

ANDREA REVIRA A CAIXA.

ANDREA- Só tem umas cartas com números (OLHANDO AS CARTAS), sim, não... Uma vela, caneta, um copo...sei la que coisa é essa!

SANDRA- Deixa eu ver! Isso aqui é o jogo da caneta, eu já ouvi falar...vc ascende a vela, depois invoca um espírito conhecido e faz as perguntas.

PEDRO- (MEXENDO NO SOM) Que idiotice!

SANDRA- Eu já fiz isso uma vez!

TODOS SE CALAM.
ANDREA- E deu certo?

SANDRA- Acho que sim...ai, que falta de paciência!

PEDRO CONSEGUE LIGAR O SOM. A PARTIR DESTE MOMENTO, DEVE-SE SEMPRE TER MUSICA AO FUNDO.

PEDRO- Ih, funciona!

O RADIO NÃO SINTONIZA, PEDRO MEXE ATÉ QUE PEGA UMA RÁDIO QUE TOCA ALGUMA MUSICA DO LEGIÃO URBANA.

TODOS SE CALAM ,NO AR FICA APENAS A MUSICA.

MÔNICA- Que horas deve ser?

GUSTAVO- Já é noite, isso pode ter certeza!

ADRIANO- Não sei se vc percebeu mais desde que entramos aqui é noite!

GUSTAVO- Cara, sério! Eu estou me segurando para não quebrar sua cara desde que chegamos aqui!

ADRIANO- Vc não vai quebrar porque não tem atitude para isso!

GUSTAVO-  O que vc ta dizendo?

ADRIANO- Vc acha que consegue passar por o “bad boy” da escola? Acorda! Seu jeito não engana ninguém!

GUSTAVO- Vc não me conhece seu frutinha!

ADRIANO- Não! Vc não me conhece!

ANDREA- Para de discussão meninos! Vcs querem se matar então façam isso depois que sairmos daqui!

SANDRA- Droga! Eu não quero nem saber o que vai acontecer depois que sair daqui. Por mim ficava nesse banheiro a vida toda! (começa a chorar)

MÔNICA- Vc ta com algum problema?

SANDRA- Ficar perto de vc já é um problema enorme garota nojenta!
MÔNICA- Eu só queria ajudar sua estúpida!

SANDRA- Não preciso da sua ajuda!

PEDRO- E vc acha que se a gente não se ajudar, quem vai?

SILÊNCIO.

GUSTAVO- É melhor todo mundo dormir, assim o tempo passa mais rápido!

TODOS DEITAM NO CHÃO.

ADRIANO LEVANTA, ANDA PELOS CANTOS, DEMONSTRA IMPACIENCIA.

SANDRA- Cê ta com algum problema?

ADRIANO- Não, não é nada!

SANDRA- Menino, vc ta gelado! Seu olho ta vermelho...vc ta passando mal?

ADRIANO- Eu já disse que não é nada droga!

SANDRA- Adriano, só estamos nós seis aqui, se vc estiver passando mal só nós poderemos te ajudar!

ADRIANO- Eu não quero ajuda nenhuma. Sei que posso melhorar sozinho, não é a primeira vez que me sinto assim!

SANDRA- Então ta né! Se eu não soubesse sobre vc, o CDF, da turma, diria até que esses sintomas é outra coisa, mais isso seria impossível!

SANDRA MEXE NA CAIXA.

ANDREA- De quem será que foi a idéia de trancar a gente nesse banheiro? Sim, porque isso foi de propósito é claro.

GUSTAVO- Pra mim isso é coisa daquela orientadora maluca, como é mesmo o nome dela?

ANDREA- Vânia!
GUSTAVO- Ela vive com aqueles papozinhos de que temos que nos integrar, que temos que entrar em acordo!

PEDRO- Quem não ta em acordo é a cara dela com o resto do corpo. Tão gostosinha mais a cara é de dragão!

TODOS RIEM.

MÔNICA- Não gente, pra mim isso é coisa da Professora Ângela. Lembra daquela vez que ela tentou que nós ficássemos no mesmo grupo da feira de ciências?

SANDRA- Só ela mesma! Quem nos conhece sabe que é impossível que a gente conviva no mesmo espaço! Não da!

MÔNICA- Como agora?

SANDRA- Quem disse que vc pode falar comigo?

SILÊNCIO.

SANDRA SENTA NO CHÃO, NESSE MOMENTO ELA JÁ ARRUMOU AS CARTAS E O MATERIAL DO JOGO.

SANDRA- Eu te invoco...não peraí, não é assim! Como é mesmo? Vc, espírito, se manifeste aqui neste momento!

ANDREA- O que vc ta fazendo garota?

SANDRA- To  vendo se ainda consigo invocar o espírito de alguém famoso pra tentar descobrir quem trancou a gente aqui!

MÔNICA- Mentalidade fértil.

ADRIANO- Isso é macumba!

SANDRA- Não é macumba coisa nenhuma! Eu já fiz isso uma vez para saber se eu ia passar na prova e deu certo.

ANDREA- E com qual espírito vc conversou?

SANDRA- Foi de uma cantora Americana, não lembro o nome dela!

GUSTAVO- É melhor vc parar com isso! Com essas coisas não se brinca. Eu fiquei sabendo de uma menina que fez isso e  o espírito baixou nela. Ela ta com ele até hoje!

MÔNICA- No caso da Sandra ela já tem espírito...de porco!

SANDRA- Ah gente, se vcs não acreditam problema de vcs, agora me deixem que eu preciso me concentrar.

MÔNICA- Quanta imaturidade e infantilidade!

SANDRA- Tão vendo só? A caneta ta se movendo!

MÔNICA- Deixa de ser ridícula menina! Qualquer um vê que é vc que ta fazendo isso!

SANDRA- Quem é vc?

PEDRO- (COM VOZ FALSA)- Eu sou o Jason! (RIR)

SANDRA- D,E,R,C,I. Derci? Derci Gonçalves?

ANDREA- Meu Deus! Que babaquice!

SANDRA- Silêncio. Ela disse que sim! Quem trancou a gente no banheiro?

ADRIANO- Ah, pergunta pra ela qual o gabarito da prova!

SANDRA- Para gente isso é sério!

PEDRO- Sério? Que sério? Isso é uma besteira!

MÔNICA- Só ela mesmo para acreditar em fantasminha! Fútil do jeito que é! É capaz de dormir de luz acesa!

ANDREA- Eu acho que isso deveria parar por aqui!

GUSTAVO- Esse negócio de espírito não existe!

UMA CAIXA CAI DO ARMÁRIO. TODOS GRITAM.

SANDRA- Ué, os machões ficaram com medo?

ANDREA RECOLHE AS COISAS DO CHÃO.

ANDREA- É melhor parar com isso agora. Não sabemos o que realmente pode acontecer!

MÔNICA- Só uma idiota como vc seria capaz de tanta besteira.

SANDRA- Mônica, se eu fosse vc tentaria ser pelo menos gente ,para falar de mim, vc não é do meu nível1

MÔNICA- Isso pode ter certeza garota, não cheguei mesmo ao seu nível. Até porque eu estou longe de morar em um cortiço vagabundo no fim do mundo. Vc não tem moral para falar de nível garota!

SANDRA- A é? E vc? Sabe o que é moral? Acho que não querida, não foram valores que sua mãe te ensinou.

MÔNICA- Lave a boca para falar da minha mãe!

ADRIANO CAI.

ANDRÉA- Adriano!!

GUSTAVO- O que aconteceu?

PEDRO- Sei lá, ele caiu de repente!

ANDREA- E vcs perdendo tempo  com discussões idiotas!

SANDRA- Pega um pouco de água na torneira.

TODOS LEVATAM ADRIANO E COLOCAM NO BANCO. AOS POUCOS ELE VAI ACORDANDO.

MÔNICA- Vc ta bem Adriano?

ADRIANO- Tô me sentindo melhor!

PEDRO- Vc deve ta com problema cara. É bom depois vc ir no médico.

ADRIANO- Eu vou melhorar! Que frio...

GUSTAVO TIRA A BLUSA
GUSTAVO- Toma, é bom vc se aquecer!

SILÊNCIO. MUSICA

PEDRO- Ninguém tem nada para comer?

TODOS MEXEM NAS MOCHILAS. PEDRO REVIRA O ARMÁRIO.

SANDRA- Acho que tenho um biscoito na bolsa!

GUSTAVO- Só tenho chicletes.

ANDREA- Tbm tenho um resto de biscoito! Vamos dividir então...comemos o meu hoje, que ta menos e o da Sandra amanhã, se ficarmos aqui.

MÔNICA- Será que a pessoa que nos trancou não tem consciência de que teríamos fome, sede, frio...

PEDRO PEGA A CAIXA QUE CAIU NO CHÃO.

PEDRO-  Acho que teve sim. Tem alguns biscoitos aqui, e tbm toalhas!

ANDREA- Graças a Deus, menos mal!

TODOS SE ALIMENTAM. MUSICA.

SANDRA E MÔNICA- Adoro essa musica!

ANDREA- Porque vcs só vivem brigando?

PEDRO- É mesmo! Se vcs não se gostam não podiam nem se falar!

MÕNICA- São valores morais diferentes mesmo!

SANDRA- Valores morais? Quem é vc pra falar disso?

MÔNICA- Sandra, eu não posso fazer nada. Não tive decisão sobre nada ok?

GUSTAVO- Vcs tem um segredo?

SE CALAM.
GUSTAVO- Fala gente! Qual o segredo de vcs?

MÔNICA- Nós não temos segredos nenhum.Apenas não nos gostamos e só!

SANDRA- E depois, vms ficar aqui falando da gente e vcs vão ficar só ouvindo?

PEDRO- Pessoal, tem uma garrafa ali no armário. Que tal brincarmos de jogo da verdade?

MÔNICA- Infantil!

SANDRA- Não acho, adoro essa brincadeira!

GUSTAVO- Acho que pra gente que ta preso aqui, seria uma boa, pra passar o tempo.

ADRIANO- Eu não quero participar!

ANDREA- Ah não Adriano, é bom todos participarem.

ADRIANO- A minha vida não diz respeito a ninguém.

PEDRO- Ta, então vms começar!

SANDRA- Mais assim gente, não pode ter conseqüência, só verdade...e tbm é pra contar tudo, tudo mesmo que for perguntado. Coisas que vcs não falaram nem pro seu pais!

TODOS- Eu nunca conversei com meus pais!

SANDRA- Nem eu! Vamos?

SANDRA GIRA A GARRAFA

SANDRA- Pedro para Andréa.

PEDRO- Qual seu defeito?

MÔNICA- Ela não tem!

SANDRA- Deixa ela responder!
ANDRÉA- Eu...não sei...

PEDRO- Tem que responder!

ANDREA- Eu...sou muito quieta, queria ser mais solta, só isso!

ANDREA GIRA.

ANDREA- Sandra pra Mônica!

SANDRA- Bem...vc acha certo destruir um lar por causa de ciúmes. Fazer um pai abandonar a mulher e a filha?

MÔNICA- Não, eu não acho certo! Mais não foi isso que aconteceu!

SANDRA- Não? Então vc acha que tem justificativa?

MÔNICA- Não sei Sandra! Eu não tenho nada a ver com isso, eu tinha treze anos quando tudo aconteceu!

SANDRA- Mais eu tenho certeza que vc morria de inveja do meu pai ficar comigo enquanto vc ficava sobrando!

MÕNICA- Eu não sabia que meu pai era seu pai!

PEDRO- Peraí, vcs são irmãs?

SANDRA- Somos!

ANDREA- Por parte de pai?

MÔNICA- É!

GUSTAVO- Por isso vcs não se cheiram...

SANDRA- A nossas mães eram muito amigas, nós crescemos juntas, mais ai minha mãe descobriu que meu pai estava traindo ela com a mãe dela, isso porque elas eram amigas heim? Depois, meu pai e minha mãe se separaram e ele foi morar com a mãe dela, depois disso, ele nem lembra mais que eu existo!

MÔNICA- Mais eu nunca tive culpa disso, nem minha mãe!

SANDRA- Sua mãe teve culpa sim, porque ela sabia que meu pai era casado com minha mãe! Vc não sabe o que eu passei e passo até hoje garota! Foram os quatro piores anos da minha vida! Vc sabe o que é isso? Eu tive a minha família destruída e minha infância roubada, por vc. Por que todo carinho que era meu foi pra vc! Minha mãe foi traída durante 13, treze anos. Pelo marido e pela amiga.

MÔNICA- E o tempo que eu passei sem saber que eu tinha um pai? Vc já parou para pensar? E a decisão de ele ir para minha casa, não foi minha e sim deles!

SANDRA- Eu não sei o que é ter um pai, uma mãe para conversar...não tem  diálogo na minha casa mais...

ANDREA- Acho que com todos acontece a mesma coisa! Os pais não percebem que quando mais estamos bravos, é que mais precisamos deles.

PEDRO- Muito pelo contrário. O que eles fazem é falar que não queremos nada com a vida, quando na verdade o queremos é ser ouvidos!

GUSTAVO- É, só que ouvidos do nosso jeito, não do jeito deles. Porque quando eles vem conversar com a gente mais parece um interrogatório policial!

ANDREA- Eles não tem tempo pra nos ouvir!

MÚSICA-

ANDREA- Eu não sei o que cada uma de vcs passa ou passou, mais acho que vcs deveriam conversar e entrar em um acordo!

SANDRA- Não existe acordo! Ela é uma falsa, uma invejosa, isso sim!

MÔNICA- Falsa, invejosa? Porque Sandra, o que eu te fiz heim? Vc quer descontar em mim uma raiva que pertence ao seu pai!

SANDRA- Nós éramos amigas Mônica! Eu via quando vc ia na minha casa e ficava chamando meu pai de tio, aquele “hem-hem-hem”! Vc já sabia desde cedo o que estava fazendo!

MÔNICA- Vc é louca garota! Eu nunca pensei nisso, em roubar seu pai de vc! Ele e minha mãe se apaixonaram, eles decidiram morar juntos, ele quis abandonar vc e sua mãe, eu não tenho culpa de nada!
SANDRA- Fingida!

PEDRO- Ta gente, chega! Já vi que se vcs duas continuarem conversando vai sair faísca!

GUSTAVO- Se é que isso pode se chamar de conversa né? Ta parecendo mais debate de quem é a coitada!

SANDRA- Cala a boca garoto!

PEDRO- Ta, vamos pro próximo! Mônica para Gustavo!

MÔNICA- Ta...é...Gustavo...do que vc mais se arrepende de ter feito?

GUSTAVO- Eu? Não me arrependo de nada que eu faço!

MÔNICA- Ta, mais a pergunta não é do que vc faz e sim do que vc fez!

GUSTAVO- Eu...acho que...de ter transado sem camisinha e...

SANDRA- Vc é pai?

GUSTAVO- Não!

MÔNICA- Então porque se arrepende?

GUSTAVO- Porque...eu...não queria ter transado só isso, vamos para o próximo?

PEDRO- Não, peraí, vc tem que responder a verdade!

GUSTAVO- Essa é a verdade!

ADRIANO- Não é não!

GUSTAVO- Vc nem ta na brincadeira!

ADRIANO- Agora to! Fala! Porque vc se arrepende de ter transado sem camisinha!

GUSTAVO- Porque...gente, eu não quero falar disso!

PEDRO- Vc pegou uma DST, certo, mais já se curou! Que mal há nisso?
ANDREA- Que mal há Pedro? Vc é mesmo muito inconseqüente! DST é coisa séria garoto! Vc não você não vê todos os dias falando na televisão? E na aula de Biologia já foi falado sobre isso tbm! É um perigo! Vcs homens acham que camisinha é só para evitar filho, porque uma “doencinha” de nada pode ser curada né?

PEDRO-  Ta, não vamos começar com lições de moral logo agora né? E vc menina, não perde a oportunidade de bancar a politicamente correta! Só quer pousar de santa!

ANDREA- Não quero pousar de santa coisa nenhuma! Não tenho culpa se tenho a sua idade mais não tenho sua mentalidade!

PEDRO- Ah, que legal! Agora vc é a “garota inteligente”, além de tudo é feminista!

ANDREA- Eu não, vc que é um machista!

GUSTAVO INTERROMPE.

GUSTAVO- Eu tenho Aids!

TODOS SE CALAM.

GUSTAVO- Estão felizes agora em saber? Eu sou soropositivo!

MÔNICA- Sério Gustavo?

GUSTAVO- Sério! Eu perdi a virgindade com uma mulher mais velha, amiga da minha mãe. Eu tava meio perdido, então, deixei que ela fizesse tudo. Ela me falou que não tinha necessidade de usar camisinha porque ela não podia mais ter filhos, então, não havia perigo algum!

SANDRA- Mais vc tem idade suficiente para saber que não é só gravidez que acontece sem o uso da camisinha né Gustavo?

GUSTAVO- Ta gente, não adianta vir com sermão! Eu já sei tudo que não deveria ter feito, mais o que importa isso agora?  Eu tenho uma doença, que não tem cura! Estou trancado em um banheiro, sem os coquetéis, e pronto!

PEDRO- Para vc isso parece tão natural!

GUSTAVO- Porque eu já cansei de chorar, de sofrer! Estou assim desde os 14 anos. Minha vida sempre foi desregrada! Meus pais sempre foram muito liberais comigo, nunca se preocuparam sabem? Esse lance de pais modernos, não conversam porque acha que já sabemos de tudo! Mais na verdade, não sabemos nada!

SANDRA- Nossa, com Aids aos dezessete anos, que barra! E seus pais? Eles sabem da doença...de vc?

GUSTAVO- Sim! Eu estava passando mal e o médico pediu um exame de sangue, e como sou menor de idade, minha mãe teve que ir ver o resultado comigo, não tinha como esconder!

ADRIANO- E como foi a reação deles?

GUSTAVO- Ah, me disseram que eu era o culpado e enfim...eu estou morando com minha tia aqui! Sou do interior e lá não tem hospital! Na verdade, foi uma maneira deles se livrarem de mim e não passar vergonha na cidade! Já pensou? Ter um filho aidético! É uma vergonha para eles.

ANDREA- Não! O mundo mudou! Hoje as pessoas não encaram a Aids com tanto preconceito!

GUSTAVO- Vc diz isso porque não é com vc Andréa! Os meus irmãos não estavam mais tomando água em copo que eu tomava! Não queriam se enxugar com a mesma toalha que eu! Uma vez cai e machuquei a perna, meu pai ficou de longe observando, ninguém chegava perto! Com medo de se infectar! Sou um perigo para a sociedade!

MÕNICA- (SE APROXIMA)- Não é não Gustavo! Não pense assim! O que vc precisar pode contar comigo!

GUSTAVO- Pois é! Agora vcs sabem do meu segredo e quando sair com certeza vão contar para toda a escola!

ADRIANO- Não! Não vamos fazer isso. Porque todos nós temos segredos!

ANDREA- Gente, sinceramente, eu não acho que vc tenha culpa do que aconteceu Gustavo!

GUSTAVO- Como assim? É claro que o culpado de tudo fui eu Andréa. Transei sem camisinha, mesmo sabendo que poderia acontecer algo, doença, gravidez...eu sou culpado, meus pais estão certos!

ANDREA- Mas eu acho que apesar de tudo - não tô tirando sua responsabilidade, ou a falta dela - os pais tbm tem um parcela de culpa pelas coisas que nos acontece...

SANDRA- Também acho sabe? Ah, se eles conversassem mais com a gente seria tudo bem melhor!

ADRIANO- Mais eu tenho certeza que a sua mãe fala que tenta conversar com vc, mais vc é que não deixa, é sempre assim!

PEDRO- É verdade, dia desses, eu, tava com um problema, e pela primeira vez, por incrível que pareça, pensei em falar com minha mãe, afinal, ela sempre me disse que quando eu tivesse um problema era para eu procura-la. Então, fui lá, cheio de nove horas, não sabia a reação dela. Ai eu falei: mãe, eu to com um problema.

MÔNICA- Só isso?

PEDRO- Não! Ela me interrompeu, disse que eu tinha que pensar, não tomar atitudes precipitadas e usar sempre camisinha. Depois me deu um beijo, disse que tava atrasada e saiu!

ANDREA- Mais, ela não ta errada, ela te ouviu, te aconselhou!

PEDRO- Gente, o problema não era esse! Porque que toda vez que temos um problema os pais acham que é sempre em relação a sexo? Eu queria desabafar, falar um pouco sabe? Ser ouvido! Mais sabe como é né, mãe acha que sabe tudo, só quer aconselhar e vem dizer para gente o que a gente já sabe!

SANDRA- Bem... não é mesmo nada fácil! Alguém tem mais algum podre pra contar? Conta agora ou cale-se para sempre!

MÔNICA- Bem, acho que essa história de jogo da verdade já foi um pouco longe, mexer com problemas não é nada fácil.

PEDRO- Eu não estou pondo tudo em cima dos meus pais, eu sei que eles sempre tem as melhores intenções.

ANDREA- Mais sempre canalizam onde elas menos importam! Minha mãe mesmo, sempre diz querer o melhor pra mim, mais não  enxerga as vezes aquilo que esta a um palmo do nariz dela!
GUSTAVO- A gente vê você assim, tão calma, tão calada, parece até que não tem problema!

ANDREA- O que eu mais tenho é problema Gustavo. E meus problemas não são tão fáceis de resolver.

ADRIANO- E quais são seus problemas Andréa?

ANDREA- Eu...ah, deixa pra lá! Não é da conta de vocês. Vocês não poderiam me ajudar mesmo...!

SANDRA- Só a gente pode se ajudar nesse momento!

MUSICA.

SANDRA GRITA E SE JOGA EM ADRIANO.

SANDRA- Senhor eterno, uma barata!

MÔNICA- Calma menina, o mundo não vai acabar!

SANDRA- É que eu tenho pavor de barata!

MÔNICA- Isso é verdade! Lembra quando a gente brincava na rua de pique esconde? Foi muito engraçado. Ela simplesmente entrou dentro do mato e foi a última a ser encontrada. Só achamos ela porque saiu correndo desesperada porque uma barata tinha subido pelas pernas e entrado no vestido!

SANDRA- Aquilo foi o fim gente, até hoje eu tenho trauma dessa bicha!

MÔNICA- Sem contar que vc era tão lerda que dormiu uma vez no esconderijo lembra? A sua mãe já estava até chamando a polícia para te procurar!

SANDRA- Era mesmo, bons tempos aqueles!

MÔNICA- É...bons tempos. Só que ficaram no passado!

ADRIANO- Gente, será que não é hora de vcs se entenderem e perceber o tempo que vcs estão perdendo tendo raiva uma da outra?

SANDRA- Vc fala isso porque não sabe o que é não ter família, não ter ninguém, ser abandonado!
 
ADRIANO- Isso é o que vc pensa Sandra, eu sei demais o que é isso. Na minha casa, diálogo, carinho, amor, nunca existiu. Meu pai morreu quando eu era bem pequeno, foi assassinado.

GUSTAVO- Sério?

ADRIANO- Sério! Ele era traficante! Desde esse dia, nossa vida virou um inferno. Minha família era e é , sempre ameaçada pelo pessoal. Meu pai fez muitas dívidas, prometeu o que não devia, e deu a nossa família como garantia. Agora, minha vida se resume a isso: minha mãe, eu e meus irmãos, trabalhando, traficando, se drogando, para sobreviver! Eu tive que aprender a sobreviver entre os mais fortes, tive que aprender a me impor, a exigir respeito, a vender droga, a usar, sem nunca ter vontade. E vocês acham que sobra espaço para carinho, conversa, afeto?

ANDREA- Nossa...vc...porque vc não tentou...sei la...sair de la, procurar outro lugar!

ADRIANO- Se fosse fácil! Lá onde eu moro quem manda são os bandidos. Eles iriam me perseguir aonde quer que eu fosse! Eu só saio para vir a escola. Meu irmão mais velho virou meu pai, ele paga a escola, e sustenta meus irmãos mais novos.

MÔNICA- E sua mãe?

ADRIANO- Mãe? Eu não sei mais o que é isso! Minha mãe diz que foi obrigada a se juntar com o chefe, se é que vcs me entendem. Ela não tem tempo para gente não, só para ele. Quando eu falei que eu não queria essa vida para mim, ela olhou na minha cara e me disse que se eu não entrasse pro mundo não iria sobreviver ,  que é melhor sempre, se juntar aos mais fortes!

PEDRO- Cara, que situação! E a gente acha sempre que o nosso problema é maior que o de todo mundo.

ADRIANO- Eu tô nessa vida, agora não tem mais como sair, já me viciei, já me vendi ,meu futuro já ta escrito. Mais eu queria poder dizer a todos os jovens, a besteira que eles fazem usando essas porcarias! Esse negócio de usar para se firmar em um grupinho não é para nada! É para fracos e tolos! Na vida, vale o que a gente é, não o que a gente tem!
ANDREA- Porque vc não aproveitou para fazer isso então Adriano? Conscientizar as pessoas, ainda há tempo!

ADRIANO –E quem daria ouvido a um viciado como eu? Como eu já disse pessoal, meu futuro já esta escrito, e não há nada que eu possa fazer para mudar. Vcs percebem a gravidade da minha situação? Trancado nessa maldita escola? Sem o que eu mais preciso! E meu sumiço? A essa hora eles devem estar pensando que eu fugi, e quando eu voltar eles vão comer meu fígado! Ninguém vai acreditar nessa história de presos no banheiro da escola. Cada hora, cada minuto, eu fico pior, alucinado, sem ar, sem forças...O pior é sempre ter que esconder isso de todo mundo, fingir, pra ser aceito.

PEDRO- É...eu sei bem o que é isso!

GUSTAVO- Sabe? Você é o cara mais popular da escola, o garanhão Pedro. O que é que vc tem para fingir?

PEDRO- Ser garanhão, pegador,  o bambambam da escola...é só isso que vcs vêm quando olham pra mim?

TODOS- Sim!

PEDRO- É... talvez seja o que eu tenha tentado ser o tempo todo. Gente...eu sou gay!

SANDRA- Jesus me chicoteia!

MÔNICA- Que brincadeira é essa menino?

PEDRO- Brincadeira nenhuma! Eu sou gay!

TODOS OLHAM ASSUSTADOS.

PEDRO- Ah gente, já que todo mundo resolver contar os podres, eu também vou contar o meu. Afinal, faz tempo que eu quero contar isso e não tenho coragem!

MÔNICA- Mais, vc tem namorado?

PEDRO- Tenho! O Fabiano do primeiro ano!

SANDRA- Peraí...aquele outro boyzinho que anda com vc pra cima e pra baixo?

PEDRO- Ele mesmo! Nós...descobrimos que gostávamos um do outro.

SANDRA- Adoro! Conte-me tudo não esconda-me nada. Pedro querido, quem tomou a iniciativa heim?

TODOS OLHAM PARA SANDRA.

SANDRA- Ah, gente, por favor né? Eu adoro o mundo gay!

PEDRO- Fui eu Sandra. Foi difícil. Como que eu ia contar pra o meu amigo que eu estava gostando dele? Assim, de uma hora para outra? Mais eu não podia guardar aquilo pra mim, eu precisava saber dele se poderia existir algo. No começo eu fiquei com medo, pensei que ele ia me dar um soco na cara, ou pior, contar pra todo mundo, mais não, ele ficou super chateado e parou de falar comigo.

ANDREA- Ficou assustado coitado!

PEDRO- Mais depois de um tempo ele me procurou, disse que havia pensado em tudo, e descobriu que tbm gostava de mim. Mais nós nunca tivemos nada!

SANDRA- Como assim nada?

PEDRO- Ué, nada, nada! Nós sabemos que gostamos um do outro, mais nunca tivemos coragem de fazer nada mais além de se gostar. E tbm não fazemos questão. O que importa, é estar junto, se divertir, curtir as baladas, adoramos estar juntos, e isso que importa!

SANDRA- Ai, que fofo! E vcs não vão se assumir?

PEDRO- Ta louca? Como? Olha pro mundo la fora? É uma selva de gente preconceituosa. Vcs já pararam para pensar que tem preconceito pra tudo? Se vc é alta, baixa, gorda, magra, loira, careca. Tudo o povo fala. Religião então...

ADRIANO- Eu acho que o mal do mundo é, sem dúvidas, o preconceito.

ANDREA- Com certeza gente. Acho que as pessoas perdem muito se preocupando com a cor, a sexualidade, a religião, e perdem as melhores coisas da vida!

PEDRO- É, mais tem gente que não sabe viver sem ter preconceito. Eu sou muito bem resolvido com minha opção sexual, mais definitivamente, não estou pronto para sair na rua e dar minha cara a tapa. O preconceito é cruel, e as pessoas não perdoam, meus pais mesmo, seriam os primeiros a me excomungar! Eu sempre invento histórias sobre garotas, para disfarçar, para me impor, para as pessoas nunca desconfiarem de mim! É...usar máscaras não é nada fácil, elas pesam demais!

MÚSICA.

PEDRO- Usar máscara não é fácil não viu? Vc tem sempre que brigar com vc mesmo, ficar se policiando, é difícil!

SANDRA- Eu sei bem o que é isso!

ANDREA- Sabe? Mais vc é a garota mais popular, mais bem sucedida da escola. Todos querem ser igual à vc! Vc tem atitude, tem opinião, é rica!

SANDRA- Rica...não gente, rica é uma coisa que eu definitivamente não sou!

MÔNICA- Para Mônica. Você sempre teve uma vida boa!

SANDRA- Até meu pai sair de casa para morar com uma qualquer!

MÔNICA- Qualquer não, veja la como fala!

PEDRO- De novo?

AS DUAS DISCUTEM.

PEDRO- Chega! Barraco de novo não!

SANDRA- Vcs acham que eu implico com a Mônica de graça? Gente, vcs não sabem, não tem idéia do que virou minha vida depois que meu pai saiu de casa! Nós tínhamos uma vida muito boa sim, não vou negar! Minha mãe era uma dondoca, eu também. Afinal, a gente tinha tudo que queria! Minha mãe nunca fez nada dentro de casa, acho que não sabe nem cozinhar um ovo!

ADRIANO- O mal de toda gente rica. Acha que só por que tem quem faça não precisa fazer!

SANDRA- Ô menino, cê não tava passando mal? Então continua! Deixa eu contar!

ADRIANO- Ta bom grossa!

MÔNICA- Porque vc não para de ta sempre na defensiva Sandra? Manera um pouco...

SANDRA- Foi como eu aprendi a ser! Como eu ia dizendo...a gente vivia a sombra do dinheiro e do trabalho do meu pai! Mais ai, a história que vcs conhecem, ele tinha uma caso com a mãe dela e nos abandonou!

PEDRO- Mais sua mãe não saiu de mão abanando, saiu?

MÔNICA- Claro que não!

SANDRA- Não, não saiu! O divórcio custou bem caro pro meu pai sim. Mais a minha mãe...sempre foi uma avoada com tudo, não sabe lhe dar com dinheiro dela. Ela conheceu um cara e ele passou a perna nela, levou tudo!
Depois disso minha mãe adoeceu, pegou uma bactéria no intestino...já faz 5 meses que ela ta internada.

MÔNICA- Sério? Isso eu não sabia!

SANDRA- Há muitas coisas sobre mim que vc não sabe querida! É gente, essa menina rica que tem de tudo, que sabe de tudo, que faz de tudo e tem as melhores roupas é só pose. Eu não tenho mal o que comer...

ANDRÉA- Mais, e a mensalidade da escola?

SANDRA- O diretor sabe da minha situação, ele me deu uma bolsa!

GUSTAVO- Mais então, como vc se mantém?

SANDRA- Eu...(SILÊNCIO) – Me prostituo! Antes que vcs me joguem pedra é bom saber que eu não tive outra escolha, eu precisava me manter, manter as minhas roupas, manter minha casa e minha dignidade!

MÔNICA- Dignidade Sandra? Isso é digno para vc?

SANDRA- Se ao menos eu pudesse contar com meu pai né? Mais nem isso! Gente, eu não tenho família, eu preciso cuidar da minha mãe, e de mim, afinal as chances de ela viver são poucas! E o que vou fazer? Morar na casa do meu pai? Embaixo da ponte? Não! Eu tenho como me manter, e isso é o que basta!

ANDREA- Você acha que vale a pena vc se prostituir para manter uma personagem? A menina rica e bem sucedida? E onde estão seus valores?

SANDRA- Gente, não é simples! O que vai acontecer comigo quando descobrirem que eu sou uma pobretona, bolsista? Adeus amigas, adeus festas, adeus tudo!

GUSTAVO- É só isso que é importante para vc?

SANDRA- Vcs sabem muito bem que na nossa idade, ter, faz sim a diferença! Ninguém quer ter amigo pobre, ninguém quer namorar com garota pobre, ninguém quer conviver com pobre! A máscara faz sim, muita diferença!

MÔNICA- É, não vou discordar de vc! Vc me conhece Sandra, sabe como sou, meu jeito...gente, eu queria por um momento, me libertar dessa menina arrogante, metida, marrenta que eu me tornei!


ANDREA- Mais vc é assim! Não é?

MÔNICA- Não...não sou! Isso pesa sabe gente? Eu sei que eu sou uma menina normal, alegre, extrovertida, mais, eu não consigo... quando estou perto das pessoas eu só consigo mostrar a Mônica que vcs conhecem. A que briga com os professores, a que briga com todo mundo, a que briga, briga e briga,sempre!

SANDRA- Se eu fosse vc me arrumava mais, vc é bonita Mônica, isso eu não vou negar! Mais sei lá, vc é desleixada!

MÔNICA- Eu me acho a pior pessoa da face da terra. Sei lá, todas as meninas são bonitas, andam sempre cheia de garotos babando atrás delas, e eu? Sempre no canto, esquecida, escondida. Ninguém me olha. Meus olhos mesmo, são horríveis, eu queria que fosse verde, azul!

GUSTAVO- Seus olhos são lindo Mônica, e talvez ninguém te olhe  porque vc nunca se olhou!

MÔNICA- É difícil! Quando eu vi que todas as meninas cresceram, todas mudaram de corpo, todas ficaram lindas, eu me escondi, dentro dessa menina feia e mal arrumada que vcs conhecem. Foi a única maneira que eu achei de chamar a atenção!

ADRIANO- Você já não parou para pensar que vc pode estar com depressão, sei lá. Não é normal vc ficar se achando a pior adolescente da face da terra!

MÔNICA- Não sei, só sei que quando me olho no espelho é isso que eu vejo!

PEDRO- Que horas são?

ANDREA- Duas e 15 da manhã!

GUSTAVO- Acho bom a gente dormir um pouco, logo amanhece, e quem sabe, alguém não acha a gente?

SANDRA- Será? Eu acho bem difícil!

MÕNICA- Perái, e vc Andréa? Qual é o seu segredo?

ANDREA- Não gente, esqueçam, eu não vou contar!

ADRIANO- Mais todos contamos os nossos!

ANDREA- É, mais talvez o que é natural para vcs não é natural para mim!

SANDRA- Querida, vc esta trancada em um banheiro, com um gay, um drogado, um soropositivo, uma garota de programa e uma adolescente depressiva, isso é natural para vc?

TODOS OLHAM PARA SANDRA

SANDRA- Ah, gente, eu disse alguma mentira?

ANDREA- Eu admiro muito vcs sabe? Mesmo com todos os problemas, vcs são fortes! Vc Sandra, é alegre, alto astral, descolada! Ninguém imagina os problemas que passa! Eu que sou uma fraca, não tenho coragem de lutar contra os meus problemas!

SANDRA- Mais o que ajuda é saber que todos aqui estamos no mesmo barco! Todos temos um problema, ou até mais de um. Pensa como deve estar sendo difícil pro Adriano, em abstinência. E pro Gustavo? Sem remédio. Nós estamos aqui para nos ajudar, e aprender juntos a enfrentar os nossos problemas. Agora, não existe pai, mãe , irmão. Existe a gente, só a gente. Nós precisamos uns dos outros!

TODOS SE CALAM.

SANDRA- Ah, fala sério, falei bonito não falei?

TODOS RIEM.

ANDREA- É verdade! Mais me dê um tempinho, assim que a coragem pintar eu conto!

UMA MÚSICA ELETRÔNICA TOCA NO RÁDIO.PEDRO COMEÇA A DANÇAR.

SANDRA- Ta doido?

PEDRO- Doido nada, não há nada melhor para relaxar e esquecer os problemas do que um boa musica eletrônica!

SANDRA- É mesmo né? Vamos pessoal?

MÕNICA- Ta louca?

SANDRA- Eu não tenho nada a perder!

TODOS, TIMIDAMENTE VÃO DANÇANDO. A LUZ BAIXA.

CENA 02- SEGUNDO DIA.

A LUZ AUMENTA, TODOS ESTÃO DEITADOS. ANDRÉA ESTA SENTADA. SANDRA LEVANTA.

SANDRA- Que horas são?

ANDREA- 10:30!

SANDRA- Ah, será que ninguém vai aparecer nessa escola?

ANDREA- Eu acho bem difícil!

SANDRA- (GRITA)- Socorro!

TODOS ACORDAM ASSUSTADOS. MENOS ADRIANO.

PEDRO- O que foi?

SANDRA- Ah gente, desculpe, esqueci que vcs estavam dormindo!

MÔNICA- É louca mesmo!

GUSTAVO- E que horas são?

ANDREA- 10: 32!

SANDRA- O Adriano tem o sono pesado heim?

PEDRO- É mesmo, Adriano, acorda! Adriano! É gente, acho que ele tem o sono bem pesado mesmo.

SANDRA- Perái...Adriano, Adriano, acorda! Gente, será que aconteceu alguma coisa? (PÕE O OUVIDO SOBRE O PEITO DELE.)- Ele ta respirando, menos mal.

ANDREA-  Normalmente os usuários de droga são assim mesmo, tem muito sono! Coitado, quem sabe esses dias preso aqui não vão ajudar!

GUSTAVO- Será que ajudam?

SANDRA- Gente, ele ta suando, ta quente!

MÔNICA- Acho que ele ta com febre!

PEDRO-  O que a gente faz?

ANDREA- Não sei, eu só tenho 17 anos!

TODOS- Eu tbm!

SANDRA- Molha essa toalha com água quente do chuveiro, a gente coloca na testa dele! Eu vi na novela! ENTREGA PARA MÔNICA

GUSTAVO- Tomara que ele melhore.

SANDRA- Ele vai melhorar!

PEDRO- Nossa, quando que eu ia imaginar que nós estaríamos aqui, passando por isso, conversando...

ANDREA- Eu tbm nunca imaginei isso, nós mal nos falamos!

SANDRA- Vcs até que são legais!

MÔNICA- CHEGANDO- Aqui esta a toalha!

SANDRA- Vamos deixar ele acordar por si, é melhor para não assustar!

PEDRO- Tô com fome!

ANDREA- Então vamos tomar nosso café da manhã! PEGA OS BISCOITOS E ÁGUA-  Biscoitos com água. Tem café da manhã melhor?

TODOS SENTAM E COMEM.

MÔNICA- Será que alguém ta atrás da gente?

PEDRO- Bem, meus pais a essa hora já devem ter colocado o exército atrás de mim.

SANDRA- Eu sei que ninguém deve ter me procurado, minha mãe ta no hospital...

GUSTAVO- É...minha tia deve estar preocupada!

ANDREA- Coitado do Adriano, só Deus sabe o que vai esperar por ele quando sair daqui!

SANDRA- Olha gente, eu não sou ninguém para julgar o problema dos outros. Mais será que o Adriano precisava mesmo usar drogas, traficar, se meter com bandidos? Acho que ele podia ter, sei lá, fugido!

PEDRO- Eu acho que não é tão fácil assim Sandra. Tem a família dele. Ele sabe que se ele fugisse a família dele tava em risco.

MÔNICA- É, e também desse ser difícil vc ver toda sua família envolvida como isso. Por mais que vc queira evitar, é difícil não se envolver!

ANDREA- Pessoal...senta aqui, eu tenho uma coisa pra contar pra vocês!

GUSTAVO- Sobre você?

ANDREA- Não, sobre...uma amiga minha!

SANDRA- Adoro fofoca!

ANDREA- Não é bem uma fofoca! Bem... eu tenho uma amiga, que sempre foi uma menina muito feliz, brincalhona, extrovertida...mas ela mudou...quando ela tinha 14 anos a mãe dela se juntou com um rapaz, mais ele nunca gostou dela. A mãe dela trabalhava o dia todo, e era inevitável que eles ficassem sozinhos, então, ele começou a abusar dela, violenta-la...e ele a ameaçava...se ela contasse pra mãe ou pra qualquer outra pessoa ele matava a mãe dela e ela. Então, isso passou a fazer parte do seu cotidiano, ela hoje é uma menina fechada, com medo de tudo e todos.

MÔNICA- Nossa, mais ela tem que tomar uma atitude.

SANDRA- Sinceramente, acho que ela deve gostar, senão ela já tinha feito alguma coisa! Essas pessoas são assim mesmo, quanto mais apanham mais gostam!

GUSTAVO- Não acho... você tem que parar para pensar como que é a vida dela, será que ela tem diálogo com a mãe?

ANDREA- Não, ela não tem... um dia ela tentou falar pra mãe dela, mais ela não deu ouvido. E toda vez que acontece alguma coisa, a mãe sempre da razão pro marido, a filha, de vítima, passa a ser a vilã da história!

PEDRO- Eu acho que essa menina tinha que tomar uma atitude, nunca é tarde. E esse negócio dele ameaçar ela...isso não existe gente! Não tem a delegacia da mulher? Agora se ele ameaça ela e ela cai na dele, então, isso nunca terá fim! Como é o nome dela?

ANDREA- Andréa!

SANDRA- Ela tem o mesmo nome que... você! É você!

GUSTAVO- É você Andréa?

ANDREA- Sim! Sou eu...! Por isso que eu não falo dos meus problemas, as pessoas sempre julgam muito!

MÔNICA- Por que você convive com isso? Porque você deixa as coisas acontecerem assim? Onde esta seu amor próprio? Você acha que vale a pena passar por tudo isso calada? E se um dia você engravida, sei lá!

ANDREA- Eu já engravidei! E abortei!

SANDRA- Que babado...

ANDREA- E as ameaças gente? Vocês nunca pararam para pensar nisso? E se ele mata a minha mãe como ele fala? E se ele me mata?

PEDRO- Você não percebe que é isso que ele quer? Te intimidar?

ANDREA- Vocês não tem idéia do que é isso. Do terror que é você ser violentada dia após dia, ameaçada, e você não pode gritar...não tem a quem recorrer! Procurar sua mãe, que você pensa ser seu alicerce, sua base, e ela te virar as costas... eu não sei o que é mais doloroso...ser violentada pelo padrasto,ou saber que minha mãe gosta mais dele do que de mim,  saber que com ela eu não posso contar!

GUSTAVO- É engraçado, a Martha lá da sala, estava conversando comigo...ela é bolsista, não tem muitas condições, enfim...ela acha que todo rico é feliz, que pessoas de classe mais alta não tem problema! Quando eu via vocês, nunca imaginei que vocês fossem assim, como eu! Que vocês tem problemas, dores, tristezas, dúvidas, como qualquer pessoa.

SANDRA- Todos nós usamos máscaras... não é fácil ter problemas, mais o pior é conviver com o preconceito. É ele que nos deixa acuados, sem ter pra onde recorrer... todos nós, sempre tivemos preconceito um com o outro, e deixamos de viver grandes amizades. Desperdiçamos a oportunidade de nos ouvir, de nos aconselhar! Procuramos sempre ver o lado ruim um do outro, nos excluímos por sermos diferentes.

MÔNICA- É...eu nunca imaginei que o Pedro poderia ser gay... e de pensar que eu já gostei de você! (Rir) Já cheguei até a imaginar a gente casado e tendo filhos!!
PEDRO- Sério? Eu nunca imaginei...

MÔNICA- A culpa não foi sua...

GUSTAVO- E já eu...sempre gostei de você!

MÔNICA- De mim?

GUSTAVO- É..mais, você nunca namoraria um aidético!

MÔNICA- Porque? Você é um adolescente como outro qualquer!

GUSTAVO- Obrigado...

SANDRA- É...eu sempre me preocupei em estar do lado dos mais populares e bonitos da escola. Mais vocês sim, tem papo, tem lições a passar. Eu acho que no fundo eu sempre invejei a vida dos outros, sempre quis ser como os outros, e esqueci que eu era!

ANDREA- Eu... queria um dia, sentir o que é ter amigos de verdade...ser ouvida...receber um abraço sincero...

PEDRO- Não seja por isso! (Pedro abraça Andrea) Conte comigo pra o que você precisar...e quando sairmos daqui nós vamos a uma delegacia e você vai denunciar seu padrasto...

ANDREA- Mas...

PEDRO- E se você não fizer isso, eu faço!

SANDRA- Bem...posso abraçar vocês também...

TODOS (MENOS MÔNICA)- Claro!

MÔNICA- É...bem... acho bom ver se o Adriano ta bem! Não é legal a gente se abraçar e ele não participar...

PEDRO- É mesmo...

TODOS ACORDAM ADRIANO.

ADRIANO- Desculpe gente! Eu não estou passando muito bem. Eu resolvi dormir porque sei como eu fico nessa situação.
GUSTAVO- A gente entende!

ADRIANO- O que vocês vão fazer?

ANDREA- Vamos fazer por nós o que pouco adolescentes fazem. Vamos ser nosso pais, nossos irmão, nossos amigos! Nós somos a única coisa que temos por enquanto, então, se aconteceu de sermos nossa família por dois dias, vamos aproveitar para fazer o que nossa família nunca fez pela gente!

ANDREA ABRAÇA ADRIANO.

TODOS SE ABRAÇAM MENOS MÔNICA E SANDRA.

GUSTAVO- E vocês?

MÔNICA- A Sandra me odeia, ela nunca vai querer me dar um abraço.

SANDRA- É...eu te odeio! Mais eu também te amo...na verdade, eu mais te amo do que te odeio. Porque nós vivemos muitos momentos bons juntas, e isso não pode ser apagado. Eu não vou mais mentir pra mim Mônica. Eu te amo...minha irmã!

AS DUAS SE ABRAÇAM.

MÔNICA- Quanto tempo eu esperei por isso...

TODOS- Obrigado por me ouvirem...

OUVE-SE UM BARULHO.

ANDREA- O que foi isso?

PEDRO- Deixa eu ver.. SAI.

SANDRA- Ah, será que vamos ficar quanto tempo ainda?

MÔNICA- Só Deus sabe!

PEDRO- Gente, a porta ta ta aberta?

TODOS- Como?

TODOS SAEM CORRENDO, VÃO ATÉ A PORTA E VOLTAM.
ADRIANO- Será que tava aberta a muito tempo?

PEDRO- Não...eu cheguei a escutar alguém correndo. Seja la quem trancou a gente aqui, viu que já tava na hora de sairmos!

SANDRA- E deve ter escutado toda nossa conversa.

ADRIANO- Acho que nunca saberemos quem foi!

GUSTAVO- É...mais seja la quem foi, achou que a gente precisava se conhecer melhor, e que teríamos algo para ensinar um ao outro.

MÔNICA- E conseguiu, porque eu descobri que vocês são tudo que eu precisava!

ANDREA- E agora, o que a gente faz?

PEDRO- É...acho que ta na hora de voltar pra casa!

SANDRA- Bem...eu acho que é mesmo né? Mais, antes, eu queria pedir que de hoje em diante sejamos  cúmplices, amigos!

GUSTAVO- Guardiões de segredos...

ANDREA- Conselheiros...

PEDRO- Irmãos...

MÕNICA- Pais...

ADRIANO- E independente do que aconteça...eu serei sempre feliz por ter tido a oportunidade de conhecer vocês e descobrir que na diferença é que encontramos as semelhanças!

SANDRA- Vamos?

FECHA A LUZ

MÚSICA




CENA 03- O FIM

VOZ DE ANDREA- A experiência que tivemos será levada para vida toda... e eu aprendi uma lição muito importante! Muitos de nós, jovens, nos sentimos desorientados, perdidos, por não saber dar lugar na nossa vida ao que realmente importa. Passamos tanto tempo reclamando dos nossos pais, da nossa vida, usamos máscaras porque temos medo de ser feliz de verdade.

PEDRO- Os nossos pais não são monstros, na verdade, muitas das vezes eles precisam mais da gente do que a gente deles. E na adolescência deles eles não tiveram o que a gente quer que eles nos dê. Eles também são desorientados, por isso, julgar não é a melhor solução, e sim, entender...

SANDRA- A Andréa denuncio o padrasto dela. Infelizmente a mãe dela ficou contra ela, a expulsou de casa e hoje ela mora com uma tia.

GUSTAVO- O Pedro continua escondendo de todos sua homossexualidade, ele ainda não esta preparado e com razão, a sociedade é muito cruel com que resolver ser verdadeiro...

PEDRO- A mãe da Sandra faleceu e ela mora na casa da  Mônica, não é fácil para ela, mais ela ta aprendendo.

MÔNICA- Gustavo confia na vida, participa de uma Ong para crianças aidéticas e vive a vida com o melhor que ela pode proporcionar...

ANDREA- E ele e a Mônica estão namorando, em segredo... o Adriano não teve a mesma sorte que todos nós...ele foi morto na favela, infelizmente o mundo das drogas não leva a grandes finais...nós poderíamos dizer que ele se recuperou, que hoje ele é um adolescente como outro qualquer, ou que ele encontrou Jesus e se libertou...mais a realidade é cruel, e o crime não perdoa...mais ele sempre estará presente entre nós, e hoje ele é uma grata lembrança...

ASCENDE A LUZ.

SANDRA- Eu não vou dizer que hoje somos os melhores amigos do mundo, continuamos vivendo as nossas vidas, algumas coisas mudaram e outras não...quem sabe um dia?

MÔNICA- É...mais sabemos que podemos contar sempre um com o outro...
GUSTAVO- A única coisa que não mudou e nunca vai mudar é o banheiro... ele será sempre a nossa berlinda! Riem.

MÚSICA.

POR ENQUANTO.

Mudaram as estações,
Nada mudou.
Mais eu sei que alguma coisa aconteceu,
Ta tudo assim,
Tão diferente.
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre?
Sem saber que o pra sempre,
Sempre acaba.

Mais nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando em alguém
Só penso em você.
E assim então,
Estamos bem.
Mesmo com tantos motivos,
Pra deixar tudo como esta,
Sem desistir nem tentar agora,
Tanto faz,
Estamos indo de volta pra casa.

TODOS- E você? Até quando vai sustentar a sua máscara?

FIM.

 

 





 



 








 












Elmo Férrer
Enviado por Elmo Férrer em 13/03/2009
Código do texto: T1484339

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Sobre o autor
Elmo Férrer
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 31 anos
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