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Apologia ao Pequeno Príncipe

Em meio ao triste deserto do meu coração, tendo diante dos meus olhos, areias escaldantes de solidão, só, me deparo de repente com a visão de um garotinho de cabelos dourados que pede insistentemente para que eu lhe desenhe um carneiro, estranho prontamente o pedido, estou envolto com meus problemas, problemas estes que todo adulto tem e me vêm um ser aparentemente pequeno e frágil me fazer um pedido que para ele é muito importante.
Sem entender porque, começo a navegar nas entrelinhas do pequeno príncipe que me cativa a cada leitura, ah! meu pequeno anjo, onde estais agora? Porque será que todas as noites quando contemplo as estrelas, eu te vejo sorrindo e então começo a sorrir? Porque será que até agora tento descobrir o segredo de teres enxergado em meio ao deserto um carneiro através de uma caixa? Não sei, só sei que desde que te conheci procuro o verdadeiro sentido da vida, procuro nos homens o sorriso de uma criança, procuro nas pessoas grandes ouvir o som das suas vozes, se colecionam amigos e a vida vai passando... Deparo-me ao longo do caminho com adultos cada um diferente do outro, cada um com seus próprios problemas, como o bêbado, que só enxergava a sua própria desgraça, como o vaidoso, preocupado em ser admirado pelos outros, como o empresário preocupado com suas contas, sem olhar a beleza ao seu redor, sozinho dentro do seu próprio mundo, como o rei que julgava possuir as estrelas do céu, sem entender que possuí-las não lhe era útil, bastava contemplá-las, assim são as pessoas, mas contrariando a tudo, também me deparo com seres maravilhosos, como a raposa, que queria ser cativada, mas para isso era preciso um dia após o outro de convivência diária, de ritos, a raposa, que ensinou que as pessoas que amamos nos são únicas e é preciso procurar detalhes particulares de cada uma para que possamos nos lembrar delas quando se forem de nossas vidas e assim como a raposa passou a amar o barulho do vento no trigo, simplesmente porque a sua cor lembrava a cor dourada dos teus cabelos, que também nós, passemos a lembrar das pessoas que amamos por simples detalhes, mesmo que não estejam mais conosco.
Ás vezes contemplo o pôr-do-sol, não tenho tantas oportunidades assim, mas quando o faço, fico com aquela sensação nostálgica e navego novamente nas entrelinhas do pequeno príncipe para sair daquele deserto triste que se encontra meu coração, caminhando vou em meio a esse deserto a procura de um poço, onde existe uma fonte para matar-me a sede, e então encontrar dentro do meu coração uma rosa, coroada de espinhos, mas cheia de saudades. E, finalmente à noite, antes de dormir, eu olho o céu e fico sorrindo, porque todas as estrelas me sorriem e eu tenho a certeza que, em uma delas estarás habitando.
E assim é a vida, às vezes ela nos parece um deserto escaldante e quando olhamos em volta, nada, solidão, mas quando iniciamos a caminhada em busca de um poço, deparamo-nos com uma fonte de prazer que nos mata a sede e ficamos felizes pelo esforço da caminhada, em cada deserto há uma fonte, em cada casa velha há um tesouro escondido e ao longo da caminhada aparecem as rosas que nos cativam porque são únicas, aparecem às raposas que nos ensinam o valor de cativar e se deixar cativar, e aparecem também os espinhos, mas temos que saber suportá-los e um dia em meio a esse deserto, aparece um garoto de cabelos dourados que ri e nos ensina os verdadeiros valores, fazendo-nos acreditar que as relações afetivas são o único vínculo entre os seres.



“Os homens cultivam cinco mil rosas em um só jardim e não encontram o que procuram e, no entanto, o que procuram poderia ser encontrado em uma única rosa, mas os olhos são cegos, é preciso enxergar com o coração”.

“Agente só conhece bem as coisas que cativou...tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

“Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.

                                                                                                    Antoine de Saint-Exupéry






Angelike
Enviado por Angelike em 09/11/2007
Reeditado em 27/04/2011
Código do texto: T730821
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Angelike
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 38 anos
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