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Diário de uma Nova Vida Parte 2

Diário de uma Nova Vida (Parte 2)


Aquela revelação me fez perder a cabeça, sai correndo pelas ruas e só voltei ao meu estado de sã consciência quanto um carro buzinou na minha frente. Motoristas me xingavam mas, não sabia se os respondia ou me escondia de tamanha vergonha.

Fui um tolo, achei que tudo estivesse bem, e como estava para eles! Comecei a caminhar na praia observando o mar. Foi ali que ela nos conheceu. Trocávamos uma idéia quando uma sereia em corpo de mulher saiu do mar. Apostei com o Alex para quem ela olharia primeiro e rimos quando ela não nos notou. É difícil esquecer essa traição, não se a odeio por me ter tirado meu melhor amigo ou se o espancaria por ter engravidado minha namorada. Com tantas pessoas livres no mundo porque logo os dois? Minha dor de cabeça custava a passar e aquele mar agitado me convidava para um mergulho.

Sentei-me naquela areia contemplando o pôr-do-sol mais horrível que já tinha visto. Comecei a chorar como um patético romântico desiludido tudo por causa de uma piranha e um pilantra sustentado pelos pais. Já era noite quando resolvi me levantar daquele lugar, facilmente me achariam ali. Andei por várias ruas até encontrar-me numa viela. Próximo havia um bar, quis entrar e afogar minhas angustias no troço mais forte que pudessem vender, mas, estava sem grana e apenas observei o modo como àquelas pessoas falavam e se comportavam. Olhavam-me de um modo estranho, o ambiente cheirava a urina. Um senhor careca e sem os dentes caninos aproximou-se dizendo:

- Deseja alguma coisa patrãozinho?
- Não obrigado. Respondi frio e sólido.
- Está perdido, aqui não é lugar para você. Vá para casa conversar com seus amiguinhos.
- Quem é você para me dizer o que devo fazer? Não tenho amigos! Não preciso de ninguém e agora volte a cuidar da sua vida e me deixa em paz.

Descontei minha raiva naquele pobre homem, apenas havia me feito uma pergunta. As pessoas me olharam com desprezo e começaram a gritar me expulsando do local. È isso mesmo fui expulso de uma espelunca fedida e mal freqüentada definitivamente não era meu dia de sorte. Minhas pernas cambaleavam de tanto andar, encostei-me na parede de uma loja de animais e pude enxergar meu prédio. Vi dois garotos saindo de uma casa de jogos e lembrei-me daquele filho da puta do Alex me ligando para pegarmos uma onda, parece que estava adivinhando quando recusei o convite.

De repente tive um estalo, daqueles que a idéia vem tão rápido que se não agir depressa ela foge, já deve ter acontecido com vocês é comum. Porque me lamentar por tudo e deixá-los numa boa? Precisava acertar as contas com os dois e o primeiro passo era encontrar o Alex que há essa hora já deveria estar no aniversário do Andrezinho. Parti para lá sem olhar nada a minha volta, esse lance não iria acabar assim e essa história estava apenas começando. Cheguei lá ofegante cumprimentei o Andrezinho e sai vasculhando todos os cantos até encontrá-lo de costas na beira da piscina. Gritei seu nome e ao me ver deu aquele sorriso cínico e falso e veio me abraçar .Não pensei duas vezes e o soquei.
Guto Angelico
Enviado por Guto Angelico em 24/11/2007
Reeditado em 14/07/2008
Código do texto: T751027

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Sobre o autor
Guto Angelico
Salvador - Bahia - Brasil, 31 anos
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Guto Angelico