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CIRCO

Senhoras e Senhores, boa noite!
Respeitável público, é com muito orgulho que a família circense relembra, busca através da história, seu glorioso passado, que conseguia atrair interesse tanto do adulto como da criança, lotavam a casa para conferir o espetáculo ao vivo que o teatro de lona apresentava.
Ficava tudo escuro, apenas uma luz bem forte focava o apresentador que com uma bonita voz, acompanhado por uma linda música, dava as boas vindas aos presentes.
Vários números eram exibidos, os expectadores nem piscavam, ficavam atentos e se deliciavam com as maravilhas que eram mostradas ao público. No final de cada apresentação o povo aplaudia os artistas, que agradeciam e se retiravam do picadeiro.
Quanta emoção era compartilhada entre os artistas e o público, choro, riso, etc. A impressão que se tinha é que não havia divisão entre adulto e criança, todos se sentiam no mesmo nível, curtiam e assistiam cada cena. Quanta ingenuidade, sinceridade, pureza, palhaçada, era tanta risada que doíam as bochechas.
A tecnologia, o modernismo, a televisão, o cinema, até a fita e o dvd, conseguiram reduzir drasticamente essa cultura e aos poucos as companhias circenses foram se acabando, os artistas tiveram que procurar outra atividade ou meio e a população em geral perdeu, como vamos viver essa fantasia, esse sonho, sem o circo?  O digital está enterrando essa maravilha que por muitos anos trouxe alegria, cultura e lazer para o povo do mundo inteiro.
Infelizmente não temos o que comemorar no dia do circo, só mesmo as lembranças que ficaram, as emoções que sentimos e a saudades daquele tempo, da pipoca, do espetáculo, do cheiro, das pessoas, dos animais, de tudo que completava o fantástico mundo da casa de lona.
Graças a Deus vivi esse tempo e tive o privilégio de freqüentar esse ambiente, estar cara a cara com os artistas, malabaristas, contorcionistas, equilibristas, palhaços e animais treinados. Globo da morte, nossa era demais, aquele barulho ensurdecedor, tudo escuro, só os faróis das motos e uma moto cruzando com a outra, dava um frio na barriga, achávamos que uma ia se chocar com a outra e tudo acabava bem, com muitas palmas dos participantes. E o trapézio, um saltava pra lá outro pra cá, o aparador soltava um, pegava o outro, saltos mortais, etc. Os palhaços também eram muito interessantes, faziam todos  rir das palhaçadas...
Hoje temos que ser malabaristas para conciliar as situações, contorcionistas para levar a vida, equilibristas para pagar nossas contas e o que mais vemos são as palhaçadas dos políticos que brincam com a população, só pensam em resolver seus próprios problemas, ajeitando oportunidades para seus chegados, melhorando seus salários, defendendo interesses de setores que possa lhe trazer algum benefício, enquanto o povo precisa se esforçar cada vez mais para manter essa estrutura, renunciando a coisas básicas e necessárias para uma vida digna. Ainda nos damos por satisfeitos se estamos empregados, mesmo sendo taxados na fonte através dos impostos, não temos outra opção para nossa vida.
Enquanto somos artistas até que está bom, pior se tivermos que ser animais adestrados, nosso domador, o chefe, será o fim do circo...
Muito obrigado e não percam amanhã  mais um grande espetáculo do circo da vida...

vladis.fernan@globo.com
 

Vladis
Enviado por Vladis em 30/01/2006
Código do texto: T106233
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Sobre o autor
Vladis
Matão - São Paulo - Brasil, 57 anos
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