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SINAL VERMELHO

Estou dirigindo meu carro e o semáforo sinaliza a luz amarela e começo a frear, parando antes da faixa de pedestre, já com a luz vermelha, como recomenda a lei de trânsito. Observo ao meu lado uma senhora, cabelos grisalhos, insegura, os carros parados e ela olhando para os lados e não sai do lugar, está indecisa e incomodada com a situação, me faz crer que está insatisfeita, percebe que as pessoas estão de olho na sua falta de atitude. O sinal abre e aquela senhora fica lá parada, saio e não vejo o desfecho do caso.
Continuo meu percurso e a fisionomia daquela senhora continua muito viva na minha memória. Será que ela é casada? Será que tem filhos ou netos? Qual a história dessa mulher?
Não faço a menor idéia quem possa ser essa senhora, mas poderia por exemplo ser a minha mãe, a minha avó, como poderia ser a sua mãe, a sua avó. E se fosse da nossa família? Qual seria a nossa reação? Deixaríamos a senhora pagando mico no semáforo? Penso que se fosse alguém da nossa família, daríamos um jeito de resolver o problema, estacionando e ajudando na travessia ou até lhe dando uma carona.

Uma pessoa que simplesmente quer atravessar a rua, só que ela é muito pura, humilde, não está acostumada a freqüentar o centro da cidade, sempre viveu em ambientes menos sofisticados e tem muita dificuldade para essas pequenas ações que para nós são elementares, mas para ela são complicadas e perigosas, faz idéia do medo que sente em ser atingida, dos cuidados que lhe recomendaram, bem como sua atual idade dificulta aceitar a loucura do perímetro urbano.
Para valorizar esse texto pinta um personagem com sua moto bem ao lado da coitada que já estava com dificuldade para tomar uma decisão e começa a acelerar sua máquina, propagando um som ensurdecedor e aí as coisas pioram, certamente nossa querida senhora não está mais enxergando, ouvindo e nem raciocinando, face ao estresse que está vivendo.

Principalmente no centro da cidade deveríamos ter guardas para dar orientações no trânsito e cuidar dos nossos velhinhos que sofrem para atravessar uma rua ou avenida, quer pela sua mobilidade, quer pela sua humildade, quer por ignorância, não interessa, o mínimo que podemos fazer é ajudar essas pessoas que nos propiciaram tudo que hoje desfrutamos, além do que, se Deus quiser, amanhã será a nossa vez e não vamos gostar de maus tratos e falta de cuidados.

Esqueci da senhora, outro dia,  novamente o sinal está vermelho e estou parado aguardando, agora um senhor está atravessando e já está quase no meio da rua, de repente dá verde e todos saem desesperadamente e aquele homem fica como uma estátua paralisada entre uma e outra faixa, que desrespeito ao ser humano, como o cidadão (se é que merecemos esse adjetivo) hoje é apressado, ignorante, egoísta e principalmente mal educado.

vladis.fernan@globo.com
 

Vladis
Enviado por Vladis em 23/02/2006
Código do texto: T115464
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Sobre o autor
Vladis
Matão - São Paulo - Brasil, 57 anos
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