Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

AQUELE PALHAÇO DE PAU

A Q U E L E   P A L H A Ç O  D E  P A U
GLÁCIA DAIBERT
 
 
 
Não há ninguém que não adore as crianças
e não lhes dedique carinho enorme.
É  que bem queremo-as, nós nos bem quistamos.
 
Os enganos, as desilusões,
os desesperos e o fracasso
que todos tivemos, ante o futuro
 que fôra idealizado
fazem com que a alma infantilize de novo
e se tome de inveja
pelos que apenas engatinham
sobre as misérias do mundo.
 
Há em cada mulher em cada homem
uma vontade de começar tudo de novo
uma saudade doida da sua meninice...
 
De muito longe,
cada um carrega uma impressão
que nunca mais se apagará da lembrança.
 
Recordo-me bem que
eu tinha uma irrestível fascinação por um brinquedo
com que por força, folgastes também:
- o  palhaço de pau, que gira nos basbantes.
 
Quando aquele trapésio singular
 pintado de verde e amarelo
vinha para a festa de meus olhos
sofria um gosto estranho.
 
Nas pontas de baixo,
apertava gostosamente,
e nas de cima, no cordel trançado,
o palhaço desconjuntado
 desarticulava gestos imprevistos
cenas grotescas, atitudes elegantes e bizarras.
 
Então eu imaginava (vaidade louca)
que o universo seria para mim aquele boneco
 
Com a ponta dos dedos o manejaria,
dar-lhe-ia as posições que entendesse
pô-lo-ia sempre ao sabor
do meu desejo e da minha ambição
 
Ah!!! quem dera
ter ficado sempre pequenina
movendo a vida, aquele palhaço de pau
nas mãos macias
que ainda não tinham os calos do sofrimento...
 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS
 
GLÁCIA DAIBERT
Enviado por GLÁCIA DAIBERT em 21/03/2006
Código do texto: T126538
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
GLÁCIA DAIBERT
Uberlândia - Minas Gerais - Brasil, 63 anos
108 textos (25275 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 08:43)
GLÁCIA DAIBERT