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EXERCÍCIO DO VIVER

Poema que nasce: véu sobre a palavra, persona do teatro grego, máscara, incontido alarido da emoção.

Poesia que emerge: balbuciar de paz, caminho, infinita centelha da criação. Lampejo que por vezes é vômito indomado, gemido sufocado, estertor pela alma de um vivente. Piano que não toca, telefone mudo, qualquer coisa que pareça bela, humana.

Chapéu coco aos Carlitos do Mundo, couraça aos Quixotes. Espada sem lâmina movendo moinhos, magos cavaleiros da Távola Redonda. Coroa de louros ao atleta desta longa maratona, espinhos da compaixão humana. Página cheia de dengues, coração amado, e enfim, luz no fim do túnel.

Poeta que surge. Basta! Nem tudo está perdido! Bêbado carregado vai roçando o bico dos sapatos, tão de leve, pés-de-pluma, se acaso Amor lhe toma. Tão de pronto, certeiro dardo do madeiro de Cristo, se Liberdade está em jogo. Assim, nem tudo para o poeta são flores, mas amor é o mesmo.

Poema que finda. Hosanas! Soluços da Poesia para o poeta. E o seu autor é o mesmo bêbado que segue alçado, braços em cruz sobre os ombros da humanidade. Na fronte, a iluminura dos que verdadeiramente amam, sem pedir licença.


- Do livro O SÓTÃO DO MISTÉRIO. Porto Alegre: Sul-Americana, 1992, p. 26:7. Publicado, na obra, sob o formato de poema.
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 23/03/2006
Reeditado em 23/03/2006
Código do texto: T127323
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2581 textos (709751 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 16:04)
Joaquim Moncks