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Decepcionar-se faz parte da vida

Na maioria das vezes a decepção que temos com as pessoas é fruto de nossa própria ignorância.
Não há como recebermos das pessoas sempre o que esperamos delas. Somos diferentes, pensamos diferente, temos histórias e métodos de avaliação que se baseiam em crenças distintas, temos necessidades que acabam por nos levar a conflitos de interesse.
Quando não há um trato explícito, é leviano cobrar do outro fidelidade à nossa expectativa quanto a ação, ou reação, ante a algum fato que nos envolva.
É comum vir-se pessoas que ajudaram outras esperem delas a gratidão em forma de atitudes como retorno.
Mas isto é um erro. Não se deve cobrar que uma pessoa passe o resto da vida fazendo tudo ao seu bel prazer por conta de tê-la prestado algum favor. Na verdade, se acontecer assim, essa ajuda não terá sido um bem, mas se transformará em um pesadíssimo fardo.
Os casais por exemplo, em geral também acreditam, erroneamente, que o parceiro deve sempre fazer aquilo que o agrada. Ora! Isso é, antes de uma estupidez tremenda, uma mostra de egocentrismo.
Nenhum ser humano pode agradar ao outro cem porcento do tempo. Se algo assim parece ocorrer trata-se, certamente, de um conjunto de atitudes não espontâneas e não verdadeiras.
Contrariamos a vontade um do outro por conta de nossa própria natureza. Não temos a missão de ser objeto de felicidade e bem estar do outro, mas, de nós mesmos.
Sermos justos, corretos e honestos em nada tem haver com nunca decepcionarmos o semelhante.
Se prega, e estupidamente se aceita, que é possível um paraiso humano de harmonia plena.
Enquanto humanos não. Vamos ter sempre de confrontar nossas vontades.
Imagine uma partida  de futebol com todo mundo deixando o outro fazer o gol. Ora! isso é uma sandice.
Viver é decepcionar-se com o outro e consigo mesmo. É vir o outro nos obrigando a aceitar sua comodidade por conta de nosso esforço e vice-versa. Trocamos de lugar o tempo todo.
Decepcionamos e somos decepcionados e isso é natural. Isso é viver de verdade.
Se nos acharmos bom o bastante para não merecermos o desconforto de o outro nos desagradar então teremos de trazer pros ombros a pesada responsabilidade de também nunca desagradar ao outro.
Mas, isso quem o quer ?!
Quer-se o semelhante fazendo das tripas coração para atender às expectativas pessoais. Porém, isso por si mesmo já significa não estar sob o jugo da vontade alheia. E como pode-se esperar dos outros aquilo que a eles não se pode dar de volta?!

Jesus Cristo, o grande Cristo, veio ao mundo e foi morto por pessoas que se desagradaram das suas atitudes. Como pode um simples mortal esperar nunca se decepcionar com o outro?!

Sofrer, ou entregar-se à contendas por conta da decepção com atitudes alheias é uma desnecessidade sem medida e muito prejudicial ao bem estar.
Roni Muniz
Enviado por Roni Muniz em 10/04/2009
Reeditado em 04/08/2013
Código do texto: T1533031
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Roni Muniz
São João de Meriti - Rio de Janeiro - Brasil, 46 anos
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