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QUANDO TINHA AMIGOS

Hoje, por mais que relutasse, vinha-me ao pensamento, as belas lembranças de quando ainda éramos grandes amigos. A distância e as escolhas fizeram com que nos afastássemos um do outro e cada um partiu por um caminho. Onde você está? Não sei. Como você está? Gostaria de saber.
Gostaria de falar aquilo que não falei, escutar aquilo que não escutei, cantar aquilo que não cantei, viver aquilo que não vivi. Não sei porque a gente fica sempre adiando as coisas belas. É preciso saber vivê-las em seus momentos. Pois elas também passam.
Éramos um, dois, três... que sabe mais, mas foram. O vento espalhou, o frio congelou e aquele sentimento que parecia ser esterno, acabou. Hoje somos histórias uns para os outros. A saudade é nossa companheira diária.
Abro a janela e contemplo a paisagem que se tornou um tanto artificial. Vejo que os amigos de hoje não são os mesmos e não são iguais. Não são melhores nem piores, são diferentes. Hoje busco curtir as amizades e vejo meus amigos com um olhar diferente. Um olhar mais profundo, mais amigo, mais sincero.
Volta aquele pensamento. Amigos e amigas que passaram e não voltaram. Hoje estou só, caminho de um lado para outro vagando pelos meus pensamentos, sonhos, sentimentos: quanto tinha amigos.
Agora entrou o virtual que é real e irreal. Escrever, apagar é muito fácil, basta clicar ou deletar. O enter envia, mas nos dedos pode não haver emoção e no raciocínio apenas razão, então fica frio. Sem emoção. Fica de lado o coração. Torno a pensar: tempos em que tinha amigos.
Talvez você não queira nem saber como estou, mas já que chegou até aqui, posso dizer a você, ainda que virtual: tenho saudades de você.
Pensei que os sentimentos não iriam esfriar e que as coisas bonitas não iriam acabar. Pensei que teria sempre muitos amigos ao meu lado, aqueles amigos prontos, espontâneos, atenciosos, verdadeiros. Estou cercado de “objetos” que se movem, desculpem-me, são pessoas, talvez não muito humanas, não se interessam pelos amigos, apenas querem se sentir bem: comer, beber e rolar. Os outros passam... Ah! Velhos tempos, de bons amigos. A saudade, a lembrança são minhas companheiras inseparáveis.
Ainda pensei em tudo que já fiz, por onde passei, o que aconteceu. O que eu não tinha pensado nunca é que eu era tão insignificante para tantas pessoas em quem acreditei. Pensei que não era apenas um número a mais na multidão e que a minha presença significava algo, mas vejo que sou história de baú para tantos que caminham nesta multidão.
Outros ainda me escrevem, torcem por mim. São alguns, aqueles e aquelas que já passaram por isso e não deixam as pessoas serem apenas mais um(a) na multidão.
Tenho um sonho! Poder dizer TENHO AMIGOS(AS) ao invés de dizer QUANDO TINHA AMIGOS(AS).

Hermes José Novakoski
Farroupilha 2006
Hermes José Novakoski
Enviado por Hermes José Novakoski em 18/05/2006
Código do texto: T158407
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Hermes José Novakoski
Marituba - Pará - Brasil, 35 anos
477 textos (375457 leituras)
1 áudios (83 audições)
2 e-livros (440 leituras)
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Hermes José Novakoski