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AMOR, UMA QUESTÃO DE TEMPO?


Nadir Silveira Dias


A cada vez que falo que ainda não encontrei o meu amor, amorzinho, amorzão, as pessoas sempre afirmam que é preciso sair, ir a lugares, e isso e mais aquilo.

E categóricas, cientes e também plenipotenciárias, afirmam que o amor da vida da gente não vai vir bater na nossa porta. Não virá mesmo?

Quem ouve essas pessoas falarem podem até pensar que elas se dirigem a um eremita, a uma dessas pessoas que vivem longe de tudo e de todos ou numa caverna, porque tem medo, pavor ou simplesmente são arredios, não gostam ou se sentem em perigo no contato com as pessoas. Mas essas tais eu nem conheço e nem sei se ainda existem.

Ao contrário, elas se dirigem a um ativista cultural, pessoa que vai a inúmeros encontros culturais, saraus, viagens, uma pessoa que escreve, publica e edita obras individuais e coletivas. Em suma, alguém que está em pleno contato com o mundo através dos seus mais representativos segmentos sociais. E, apesar disso, só. Será porque gosta? Claro que não.

Certamente é porque a tal figura feminina capaz de angariar-me definitivamente para si ainda não apareceu ou não existe. E aí, o que fazer? Sei lá, entende?

Mas certamente não será “saindo na noite”, indo a boates ou quaisquer outros locais que ainda não vá que eu vou encontrar a mulher que eu quero, terna e capaz de fazer-me feliz e eu a ela.

O interessante de notar e anotar é que essas mesmas pessoas que falam isso estão igualmente sem ninguém, homens ou mulheres.

Ou seja, a não ser que sejam por demais cínicas, ou pútrefas (pútridas ou putrescíveis), essas pessoas “saem na noite”, vão a boates e a outros lugares que eu não vou e estão, igualmente, sós. Por quê?

A recomendação que serviria pra mim, não serve para elas? Como é isso?

Parece-me, assim de pronto, e sem maior análise, uma imensa contradição lógico-existencial, digamos assim, para não ir além.

Está certo que já passamos da era da ansiedade, que ocorreu desde o início até mais ou menos dois terços do século XX, para a era do desatino crescente e ululante.

E a diferença talvez resida exatamente aí. Enquanto aquela nos jogava diretamente para dentro de nós, raramente para fora, o que ocorre a algum tempo é bem o contrário.

O desatino só tem sentido se jogado para fora e o ululante todos sabem que é e precisa ser amplamente notório. Ou alguém já viu um lamento alegre?

Mas será que isso é um avanço? Acho que não. Para mim, nesse ponto, a humanidade está crescendo como rabo de cavalo. Para baixo.

Enquanto puder, vou me salvando! Sem ser eremita, mas também sem esquecer o princípio segundo o qual o homem é rei nos seus domínios, não no domínio alheio. E um ditado brasileiro sulista bem o demonstra: Touro em campo alheio é vaca!

E a minha casa é o meu reino. Um homem, uma mulher, não precisa de uma casa para dormir, mas para viver nela.

Por conseguinte, encontrar a jovem que pense assim é apenas uma questão de tempo. O que fazer?

E houvesse fórmula para acelerar esse tempo, certamente eu a aplicaria. Imediatamente!

Você também não faria o mesmo?


Publicado originalmente na Coluna Palavras do saite O Emissário - Portal de Opinião e Cultura: http://www.oemissario.com.br/portal/modules.php?name=News&file=article&sid=121


Escritor e Poeta – nadirsdias@yahoo.com.br
Nadir Silveira Dias
Enviado por Nadir Silveira Dias em 09/06/2006
Código do texto: T172233
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Sobre o autor
Nadir Silveira Dias
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Nadir Silveira Dias