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Rapunzel

A vida é feita de momentos, não é possível viver sem recordar, sem criar raízes, sem ter alguém a quem recorrer ou rir junto. E esses momentos, sejam eles alegres ou não, são sempre marcados...
Marcados por personagens, cuja presença nem sempre é captada por nossos olhos imperfeitos e pensamentos errantes. Lugares, pessoas, cheiros, um livro, uma música ou mesmo uma sensação ou imagem não definida...
O tempo não pára, atropela-nos com sua interminável lista de planos e obrigações, pisoteia-nos tanto que nos tornamos insensíveis, não mais sentindo a dor de esquecer...
Aí, nos conformamos, perdemos o olhar de criança, para que tudo é novidade, tudo tem sua cor e brilho especial, que não nega um sorriso, que derrama lágrimas quando quer...
A lei da natureza impera, inércia... de sentimentos. ficamos condicionados à solidão, a ficar calados, regidos por leis de homens, a ganância, os julgamentos infundados, o massacrar de vidas pelo dinheiro...
"Rapunzel, jogue suas tranças!"
Pare, volte-se ao seu interior e atente para algum som, algum ruído. No começo, pode ser bem discreto, baixinho, quase inaudível! Mas não deixe de atendê-lo!
As grades da torre mais alta do castelo em que estamos encarcerados podem ser invisíveis, mas as mais perigosas. Nesse castelo, é proibido o contato, não só com estrangeiros e príncipes, mas com nós mesmos, com o ser humano que existe em nossas pupilas, que grita e clama e implora por atenção!
Você está sozinho no castelo, é seu próprio carcereiro! Fuja! Sempre é tempo de recomeçar melhor... porque ainda temos nossas tranças! Ainda somos humanos, a máquina ainda não sente, ainda não acaricia, ainda não sonha...
Que fiquemos tristes e decepcionados quando perdemos alguém que amamos ou quando nossos amigos são frios, que nos revoltemos com as injustiças, que deixemos a utopia ocupar uma parte de nossos pensamentos...
Que, ao menos uma vez, ajamos por impulso, falando o que nos engasga... mas, que saibamos refletir, pedir perdão e tentar realizar algo realmente significativo para a melhora das pessoas a nossa volta...
Mas que saibamos dar risada de nossas próprias tolices, que podem até ser sábias, arrepender-se... que não esperemos grandes transformações na passagem de um ano para o outro, mas que acreditemos no potencial que possuímos de fazer tudo acontecer...
Sim, que nos sintamos poderosos! E surpreendidos com o que julgamos, muitas vezes, ínfimo... uma flor, o nascer do sol, a poesia de uma pipa, um bolo de aniversário...
As estrelas estão mais perto de nós do que imaginamos...
Que não desejemos mudar o mundo... a frustração será certa, a não ser que alguém descubra uma fórmula milagrosa! Basta agir diferente, substituir padrões de pensamento...
Lute, não tenha medo de se arriscar e do que os outros poderão pensar de você! Sinta-se capaz de bradar a uma multidão palavras de esperança ou mesmo que ama alguém!
E, lembre-se, escute sempre as pessoas, os objetos e os lugares, enfim, as personagens das páginas mais importantes de sua vida, pedindo que jogue suas tranças...
Maria Flor
Enviado por Maria Flor em 20/07/2006
Código do texto: T198033
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Sobre a autora
Maria Flor
São João da Boa Vista - São Paulo - Brasil, 27 anos
30 textos (1143 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 18:42)
Maria Flor