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A CABRA QUE QUERIA SER FREIRA


Longe, muito longe, além do fim do arco íris, no alto de um monte, havia um antigo convento. 

Nos arredores morava uma linda cabra alegre e santitante. 

Ela tinha dois cabritinhos que os tratava com todo amor e carinho. 

Sempre ela observava o trabalho das freiras. 

Umas iam para o hospital, outras para a creche, mais outras para o orfanato e algumas para o asilo.
Ela ficava a observar o trabalho daquelas mulheres, com roupas pretas e aqueles chapéus engraçados.as freiras mesmo que cozinhavam, lavavam, plantavam, cuidavam da horta. Todo o serviço era feitos por elas mesmas.além de tudo ainda tinham tempo de ensinar na escolinha para as crianças pobres da região. 

Todo dia à tardezinha elas rezavam e cantavam em louvor de Deus. 

Era maravilhoso ver como elas eram dispostas, trabalhadeiras e alegres. 

Um dia a cabra procurou a madre superiora, a freira mais velha e que dirigia tudo no convento e orientavas as outras freiras.
 

- Béé, madre eu gostaria de ser uma freira como todas daí do convento, béé ! 
 
Ora, por que ?- Ora, mas porque?
 

- Béé , sabe madre, eu vejo como todas voces trabalham em paz e harmonia, uma sempre ajudando a outra, como cuidam das tarefas do convento, do auxílio ao próximo necessitado, béé. 

Da forma como ensinam as crianças a lerem e escreverem, dos cuidados com o meio ambiente, da educação no trato com os pais, beé. 

Sinto a dedicação que voces têm para com os doentes e pessoas abandonadas pela sorte, quando ninguém mais lhes dá atenção,voces estão a limpar suas feridas, a dar um remédio, um curativo ou mesmo uma palavra de carinho, béé. 

Vejo o trabalho que têm cuidando e mantendo o asilo, em assistir os idosos, de arrumar abrigo aos velhos e desamparados, daqueles que por alguma razão estão ao relento e não têm um teto que os abrigue,  béé. 

Observo a grande obra social e caritativa ao manterem a creche, onde crianças são tratadas como se fossem seus próprios filhos, enquanto as mães vão para o trabalho em busca do sustento, béé. 

Percebo a nobre missão de voces que não tem filhos, em acolher as crianças órfãs e aquelas que mães desnaturadas deixam à porta do orfanato sob o véu da noite, para que como mães verdadeiras criem essas pobres alminhas desamparadas e enjeitadas, béé. 

Me comovo com a fé que voces têm no Criador, com suas orações e cantos lindos, mesmo depois de um dia inteiro de trabalho duro, béé. 

Sinto-me emocionada por ver moças jovens abdicarem do matrimônio, deixarem de constuir familia, para cuidar do irmão desvalido, do próximo necessitado, béé. 

Deixa eu ser freira, irmã? Béé
 

- Oh minha doce cabritinha, voce me comove com tais palavras. 

Sabe, voce já é uma criaturinha caridosa também, voce que divide seu leite entre seus filhotes e as crianças do orfanato, já está fazendo a sua parte. 

Voce é uma cabra conciente de seus deveres, pois, cuida bem de seus cabritinhos, dá tudo que pode a eles e principalmente a educação e o amor carinhoso que lhes dedica.
Nunca houve uma freira cabra ou cabra freira, nem é possível isso. 

Tenha certeza que se todas as pessoas fizessem o que voce e nós fazemos, não haveria tanta violência no mundo, tanta maldade, tanto analfabetismo, tanta corrupção. 

Tudo depende de nós mesmos. 

O sentimento de amor ao próximo nos foi ensinado por Jesus Cristo e a caridade é a maior prova de amor. 

A compreensão nos leva à harmonia e à paz. 

O trabalho dignifica a pessoa.
Estamos no mundo para servir uns aos outros e não esperar que sejamos servidos 
enquanto não fazemos nada e vivemos apenas por viver. 

Que mérito tem em não fazer nada, em cuidar, socorrer e auxiliar o próximo? 

Voce faz a tua parte, nós fazemos a nossa, assim se cada um fizer a parte que lhe toca, tudo se torna mais fácil e mais alegre. 

Voce como todas nós, também é uma criatura de Deus. 


- Bééééé, obrigada madre, béééé, bééé, bééé 

A cabra satisfeita com a explicação da freira e sentindo-se útil à humanidade saiu saltando de alegria e berrando morro abaixo em busca de seus queridos cabritinhos.




GDaun
Enviado por GDaun em 20/08/2006
Reeditado em 22/06/2008
Código do texto: T220669

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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