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A MORTE!

A MORTE!
Ainda bem que a morte é unitária não havendo coligações na despedida desta vida para a outra, cada um seguirá a sua trajetória em direção dos portais Dela, no entanto, a passagem só se dará isoladamente e sem nenhuma vantagem que discrimine o Ser em extinção.
A vida foi e, sempre será! Um constante acotovelamento num redemoinho voraz de privilégios e, por via de conseqüência, de deserdados das distribuições de quiméricos benefícios.
No afã do usufruto, os beneficiados se confraternizam num banquete genocida em um altar de fartura, entre devorando, utopicamente, os bens amealhados à custa dos menos favorecidos, sendo que, como retorno aos dilapidados, sobram apenas migalhas que fogem das comissuras dos seus lábios sedentos de ganância e luxo desenfreados, restos esses que só chegam aos párias depois de acirradas disputas entre as camadas da elite dominante, num diuturno beneficiamento-divisional entre eles, só deixando aos infelizes os bagaços do banquete da vida, após sugarem toda a seiva nucléica.
No constante esmerilar da existência, tudo se aproveita e de tudo se beneficia, desde que não fique repasto digno aos carentes da sorte e da fartura, se o indigente da divisão procura abrir caminho é de imediato, colocado numa situação mais crítica e vexatória pela confraternização dos abastados e, como não sabe utilizar as armas da astúcia, difamação, calúnia, injúria e falsidade, na certa, o pretendente irá adernando para o fundo do poço de onde viera, entretanto, voltará mais deficiente do que quando iniciara a escalada procurando uma divisão mais justa, se, pelo contrário, insistir em um patamar intermediário procurando apreender conhecimentos abjetos dos dominadores, não terá estrutura, estágio e/ou interstício somatório à experiência pretendida e sucumbirá inexoravelmente, porém, nesse declínio em retorno a miséria, levará consigo, ainda mais para o fundo, os seus semelhantes de sofrimentos, uma vez que, os conhecimentos recém adquiridos, não lesionarão os poderosos e, sim, aos seus iguais miseráveis que porventura estejam tentando a subida inglória.
Essa luta é um rodízio de amarguras e só terá fim no umbral da morte que, no entanto, a todos nivelará!
Acenos, ofertas, propostas, súplicas e subornos... Nada comoverá a morte e ela ceifará a todos! Sem nenhuma distinção de quaisquer espécies, levando-os para o infinito sem levar em conta condições sociais, morais e/ou religiosas! Sendo unilateral, a Morte só tem contrato com o Ser que vai levar, todavia, não dando nada em retorno, apenas... O leva!
Para onde vai?...  Ela não definirá de antemão! Como leva?... Também não!
Os abastados não poderão conduzir o seu ouro nem a sua fortuna já que a morte os despojará totalmente no ato da transferência.
Os miseráveis também não levarão as suas mazela e miséria, porque Ela os nivelará aos ricos, deixando seus trastes no ponto do embarque.
Apesar de não dizer o porto de chegada, a morte não deverá levar as duas classes, tão heterogêneas, para local ruim, uma vez que, no início da jornada, conduziu à igualdade de condições seus passageiros, o pior que poderá ocorrer ao indigente é o reverso da medalha, entretanto, os abastados e orgulhosos terão estrutura bastante para agüentarem esse reverso das coisas?

Sebastião Antônio BARACHO
Fone 0(xx)31 38466567
E-mail conanbaracho@uol.com.br

Sebastião Antônio Baracho Baracho
Enviado por Sebastião Antônio Baracho Baracho em 31/10/2006
Código do texto: T278352
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Sobre o autor
Sebastião Antônio Baracho Baracho
Coronel Fabriciano - Minas Gerais - Brasil, 79 anos
421 textos (19439 leituras)
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Sebastião Antônio Baracho Baracho