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Uma palavra de amor pela vida


Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
Castro Alves

É provável que a maioria de nós já tenha dito que a vida é o presente mais precioso que Deus nos deu. Eu também já disse isso e acredito que assim seja.
Estando gozando da vida, temos a possibilidade de fazer qualquer coisa que desejarmos. Podemos até não conseguir nosso intento, mas não será por falta de oportunidade. Talvez seja por falta de fé... Jesus disse que tudo é possível ao que crê (Marcos 9:23). Talvez seja porque não tenhamos nos esforçado o suficiente para conseguir.
Um dos motivos pelos quais uma pessoa trabalha é o atendimento da satisfação de seus desejos. Podemos trabalhar para outras pessoas, fazer coisas para elas, mas o fim de nosso trabalho é atender a nós mesmos. Salomão assim escreveu: O trabalhador trabalha para si mesmo (Provérbios 16:26).
Apesar disso, nossas atitudes nem sempre corroboram essas ideias. Pensamos e falamos de um jeito, mas na hora de agir, nós fazemos de outra maneira. Essa é aquela atitude que Jesus condenou naquelas pessoas que se assentavam na cadeira de Moisés para ensinar o povo. Eles diziam que se devia fazer isso e aquilo, mas eles mesmos não moviam um dedo sequer para realizar tal coisa. Cf. Mateus 23:1-4.
Eu digo que quero viver, mas não faço o que precisa ser feito para que eu tenha ou continue tendo a vida. Desse modo, se não faço pela vida, contrário senso, significa que estou fazendo pela morte, ainda que talvez essa não seja a minha intenção. Talvez passe pela nossa cabeça aquele sentimento de conformismo com a situação que nos faz permanecer parado, de braços cruzados e sem fazer nada.
Que não seja assim com nenhum de nós. Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando. É o chamado pecado por omissão (Tiago 4:17). Deixar de fazer o bem para a manutenção da minha vida é um pecado de omissão contra a minha própria pessoa. Que dizer disso em relação às demais pessoas a quem eu deveria amar?
“Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos” (Lucas 17:1-2).
Cada um de nós tem o dever de amar e cuidar de si mesmo. Esse amor pessoal não é um ato de egoísmo Pelo contrário, é a medida de amor que a Palavra de Deus exige que nós apliquemos em relação ao nosso próximo.
Vejamos que ao se referir aos dois grandes mandamentos para o povo de Deus, Jesus disse que o primeiro consiste em amar a Deus sobre tudo e todos e o segundo, amar ao próximo como amamos a nós mesmos. Assim diz o texto:

Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. Mateus 22:34-38.

A medida de amor que tenho por mim é a que devo usar em relação ao meu próximo. Se fosse pecado amar a mim mesmo, como Deus me mandaria amar ao meu próximo desse jeito? E como ficaria a regra do discipulado instituída por Jesus no novo mandamento por ele estabelecido aos seus, para que nos amemos mutuamente?

Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. João 13:34-35.

Pecado seria eu amar apenas a mim mesmo, de forma egoísta, desprezando ao meu próximo. Pensar no outro e fazer por ele é a fórmula a ser desenvolvida pelo discípulo para que assim seja considerado como tal. Mas é claro que eu sou o ponto de partida, a medida é o meu amor por mim. Como poderei convencer que gosto de alguém, se nem de mim mesmo eu gosto? Isso seria incompreensível. Em tese, eu devo ser mais importante para mim mesmo, do que o meu irmão. É o princípio da proximidade. Quem está mais próximo é sempre mais valorizado, mais lembrado do que aquele que está distante.

João escreve algo parecido a esse respeito, dizendo que engana a si mesmo aquele que diz amar a Deus, mas odeia ao seu irmão. E explica isso, dizendo que se alguém não é capaz de amar àquele ao qual viu, como pode amar ao que não viu?

1 Jo 4:20. Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?

O princípio de entendimento é o mesmo. A sequência correta seria: amar a mim, amar a você, amar a todos, amar a Deus. Não dá para inverter a ordem, nem alterá-la. Uma etapa leva à outra.

Isso parece contraditório com a mensagem de Jesus, quando disse que ninguém teria maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos (Cf. João 15:13), principalmente quando Ele critica Pedro contra a autocomiseração.

Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens. Mateus 16:22-24.

Mas a contradição é apenas aparente, pois, de fato, não é assim. Segundo Hebreus, Jesus sofreu o que sofreu porque tinha em mente um propósito: a alegria de ter ao seu lado todos os que conseguisse salvar.

Hebreus 12:1-2. Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.

Alguém pode dizer que esta ideia diminui o amor de Jesus por nós, sempre colocado como incondicional. Mas também não é assim. Ao contrário. Ela enfatiza o amor de Jesus e dá um sentido racional a ele. Um sentido lógico. Se alguém quiser algo, deve estar disposto a pagar o preço. Jesus nos queria e se dispôs a isso. Esse é o sentido do seu amor por nós. Se eu desejo amá-lo, então também devo estar disposto a renunciar a uma parte de meus cômodos em seu favor. Mas não uma mínima parte. Não apenas o dízimo. E, sim, exatamente cinquenta por cento. Devo dividir com você o que Deus me deu, de forma que possamos desfrutar do que Deus nos deu em igualdade de condições. Costumo dizer que Deus não me deu nada a mais para que eu viesse a desfrutar em deleites e prazeres, mas para que eu pudesse ter a oportunidade de compartilhar com o meu próximo, na escala de sucessão: Jerusalém, Judéia, Samaria e os confins da terra, ou seja, minha família nuclear (pai, mãe e filhos), minha família estendida (avós, irmãos, tios, primos, netos), meus vizinhos, amigos e parentes mais distantes, e, por último, ainda havendo recursos, todas as demais pessoas da Terra, começando pelas que estiverem mais próximas de mim e indo até aonde for possível ir. Esses são os princípios.

Em Lucas 3:11 Jesus respondeu aos seus interlocutores: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo.

Atos 1:8. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.

Ser testemunha de Jesus é amar conforme Ele nos ensinou. Amar com propósito e não por qualquer motivo. E mais, amar na mesma proporção do amor pessoal, ou seja, amar ao próximo como a mim mesmo. Não seria recomendável querer amar o próximo mais do que amaria a mim. Isso estaria contrariando a lei do amor de Jesus. E isso, sim, seria pecado, pois pecado é a transgressão da lei. As pessoas não conseguiriam passar por privações a vida toda. E começar uma obra e não continuá-la é insensatez e motivo de vergonha e falatório. De forma que Deus nos orienta a fazer apenas o normal. O além do normal Ele já fez para que não precisássemos tentar fazer e, não conseguindo, ficássemos envergonhados.

Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei. 1 João 3:4.

Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. Lucas 14:28-30.

Jesus disse que o seu fardo seria leve, o que significava não haver necessidade de sacrifícios. Aliás, ele enfatizou em sua mensagem que queria misericórdia e não sacrifícios, entendendo-se por tais tudo aquilo que está além de normal.

É normal eu dar uma túnica, quando tenho duas, mas não dar a única que tenho e ficar nu. É conforme diz o ditado: “não se despe um santo para vestir outro”. Não é prudente querer amar o outro mais do que a mim. Isso seria sobre-humano e Deus não nos pede isso.

O meu jugo é suave e o meu fardo é leve, diz Jesus. Mateus 11:28-30.

É evidente que devo me esforçar para produzir mais do que aquilo eu preciso. Não para estocar, mas para compartilhar. Se eu deixo de fazer para não ter como ajudar, nisso estou pecando. Se tenho e não ajudo, nisso também eu peco. De forma não é pecado amar a mim mesmo. Pecado é amar apenas a mim e não me importar com os demais. Creio que essa é a primeira linha de interpretação em relação ao amor, devendo concluir, portanto, que a regra é amar a mim, amar ao próximo e amar a Deus. Fazendo assim, seremos verdadeiros e não apenas hipócritas faladores. A palavra deve estar em sintonia com a ação. Doutra sorte seria apenas falatório inútil que não convenceria a ninguém. (RESPLANDES, Izaias. É pecado amar a mim mesmo? Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1698029. Recanto das Letras, 13 jul. 2009. Acesso: 18 abr. 2015).

É nessa mesma fundamentação do amor por mim, base para todos os demais amores, que está a amor pela vida.

Deus me fez alma vivente. Ele nos deu o espírito da vida, nos fez alma vivente e nos colocou no comando administrativo de nós mesmos e de tudo o que se relaciona conosco. É nosso dever esforçar para que possamos viver o máximo possível.
A longevidade está nos propósitos de Deus para o homem. Assim diz a Palavra:
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. Efésios 6:2-3.
É nosso dever cuidar de nosso corpo, fazer uma alimentação saudável, cuidar de nossa saúde, trabalhar dentro dos parâmetros da normalidade, extrapolando apenas em caso de extrema necessidade.
Viver não apenas respirar. O ser humano tem necessidade de companhia e deve procurar estar junto com outras pessoas.
Já disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. Gênesis 2:18.
O isolamento é um atentado contra a vida. O homem é um ser social e deve viver junto com os demais, ajudando-se mutuamente na superação dos obstáculos que surgirem em seu caminho.
E aqui concluímos nossa reflexão sobre a valorização da vida, o amor pela vida, a vontade e a luta para o viver.
Todo homem criado por Deus foi criado para viver abundantemente, seja na Terra, seja no Céu. A vida natural na Terra, pela regra do Criador, deve ser longa. E ninguém tem o direito de querer abreviá-la. Todos nós temos a obrigação de envidar o máximo de nossos esforços para que possamos viver muito e viver bem, com qualidade e bem-estar. Essa é a vontade de nosso Deus. Que cada um e cada uma possa compreender isso e fazer a sua parte, aquilo que foi chamado para fazer.
Amém!
Prof Izaias Resplandes
Enviado por Prof Izaias Resplandes em 18/04/2015
Código do texto: T5211727
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Prof Izaias Resplandes
Poxoréo - Mato Grosso - Brasil, 59 anos
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