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JOVEM

Quanta lembrança do tempo que curti minha juventude, claro que não me sinto velho, mas também não sou tolo em me achar um moleque.
Dói ver como essa geração de jovens está equivocada em relação a curtição, se acham espertos e na verdade perceberão com o tempo quantas oportunidades desperdiçaram.
Esforçam-se para dispor de tempo para nada, adoram ficar a  toa, não gostam de desafios, querem tudo fácil, na mão e não tem percepção para selecionar, qualquer coisa serve, estão completamente  satisfeitos, mesmo não tendo absolutamente nada.
Esquecem facilmente de tudo, aparecem em qualquer lugar, não estava programado, não foi planejado, simplesmente, ocasionalmente chegam e se distraem com o movimento, geralmente parado, sossegado, muito zen.
Não querem ter qualquer trabalho, suas coisas têm que ser práticas, simples, fáceis, descomplicadas, deu algum trabalho, é imediatamente deletado, recusado, ignorado, reprovado.
Regras, nem pensar, são completamente avessos a qualquer imposição de comportamento, normas, metodologias, etc. Hierarquia também está descartada, todos são diferentes mas nivelados, não se permite degraus, sem consenso haverá dissidentes que formarão grupo ou tribo distinta.
É comum não lembrar o dia que nasceu, com quem namora ou namorou, quando iniciou sua sexualidade, onde seu pai trabalha, o que faz, entre outras tantas coisas mais. O desinteresse é demais, a despreocupação, a tranqüilidade, seu jeito de viver e levar a vida é muito particular, não troca idéias com seus amigos a respeito do futuro, só vivem o presente.
Comunicam-se pessimamente, embora entre eles parece que se entendem, abreviam muito, gostam do atalho, não exercitam a construção de frases bem formuladas, estão se lixando para isso, sua linguagem é direta, objetiva e própria.
Identificam-se com o virtual, são apaixonados por games, jogos, bate papo, etc, gerando até amizades, namoro, relacionamento em geral.
Sentem-se a vontade para tratar de qualquer assunto com quem quer que seja, sem tremer, sem frio na barriga, com muita naturalidade, com seu jeito próprio de ser.

Talvez sempre foi assim, na maturidade vemos que a juventude é folgada, com toda a regalia disponível e essa turma não querendo nada, porque não aproveitar e se preparar, adquirir conhecimentos para concorrer no mercado de trabalho, estudar, pesquisar, ter interesse em descobrir coisas novas, contudo, será que se fosse com nós, agiríamos dessa forma? Podemos estar com ciúme dessa galera, que cá entre nós é muito esperta, bonita, inteligente e simplesmente está se protegendo do estresse que a sociedade produz.

vladis.fernan@globo.com
 

Vladis
Enviado por Vladis em 11/02/2006
Código do texto: T110670
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Sobre o autor
Vladis
Matão - São Paulo - Brasil, 57 anos
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