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TRISTEZA

Tive uma infância bastante difícil, meu pai sempre lutou bastante e cuidou da família com muita dificuldade, senti na pele o que é ser pobre, ter vontade, depender dos outros. Se por um lado passei por momentos complicados por outro cresci, as dificuldades nos auxiliam e nos fazem humildes.

Felizmente cruzei com gente muito decente no meu caminho, que ao me olhar, sentiram que eu precisava de ajuda e sem pensar, muito me ajudaram. Graças a todas essas pessoas nunca me entreguei e lutei, lutei muito para buscar uma melhor situação na minha vida, estudei, trabalhei e sempre tive bons relacionamentos.

Pincei a melhor companheira do mundo e juntos começamos a construir a nossa família, que é o maior  tesouro da nossa vida, amo minha esposa e meus filhos.

O tempo foi passando e a cada dia mais conquistas a gente realiza até que numa manhã de sábado andando pelas ruas da cidade, cruzei com um menino, engraxate, fazendo seu trabalho. Passei por ele e algo me tocou, não conseguia esquece-lo, andava alguns metros e olhava para trás, não consegui continuar minha jornada, voltei e fui ter com o garoto.

Menino miúdo fisicamente, muito gentil, educado, engraxou meu sapato, conversou bastante, se mostrou “feliz” e me entregou um cartão (papel carimbado) com o seu telefone.

Eu passei a me ver nesse menino, pois também tive essa experiência como engraxate e me lembro de até ter sido humilhado por algum ignorante que não percebe que fazemos esse serviço com muita dignidade.

Passamos a ter mais contatos e nos ver com freqüência e a minha admiração por ele cresce a cada dia, um gigante de pessoa, que energia boa que ele passa. O que me deixa mais intrigado é que esse cara tem uma vida muito dura, só não vou comentar porque não estou autorizado, está sempre feliz ou pelo menos faz as pessoas felizes.

A minha intenção é retribuir tudo que recebi para quem sabe possa promover nesse menino a verdadeira felicidade, porque tenho certeza hoje ele é muito triste, embora não demonstra, está sempre sorridente, no seu íntimo está sempre chorando.

vladis.fernan@globo.com
Vladis
Enviado por Vladis em 25/02/2006
Código do texto: T116056
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Sobre o autor
Vladis
Matão - São Paulo - Brasil, 57 anos
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