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Entenda o Coração Humano

Entenda o Coração Humano

1. OS ATOS HUMANOS (Cat 1750-1754)
Ensina o Catecismo que “a liberdade torna o homem responsável por seus atos na medida em que forem voluntários” (Cat 1734) e que os atos humanos, isto é, livremente escolhidos, são qualificáveis de “bons” ou “maus”, na medida do objeto escolhido, do fim visado e das circunstâncias da ação:

1.1 O objeto escolhido é o bem para o qual se dirige deliberadamente a vontade. Existem atos que por si mesmos e em si mesmos, são sempre gravemente maus, independentemente da pureza das circunstâncias e da boa intenção que o inspire. Por ex: o homicídio e o adultério.

1.2 A intenção é o movimento da vontade em direção ao fim visado pela ação. É a meta que se espera atingir com a ação praticada. Ela pode orientar para um mesmo objetivo múltiplas ações, ou seja, ela pode orientar toda a nossa vida para uma única finalidade. Uma mesma ação pode também ser inspirada por várias intenções como, por exemplo, prestar um serviço para obter um favor ou para vangloriar-se. Então, assim como uma intenção boa não torna justo um comportamento desordenado em si mesmo, por uma intenção má um ato em si bom pode tornar-se mau.

1.3 As circunstâncias contribuem para agravar ou diminuir a bondade ou a maldade moral dos atos humanos. podem também atenuar ou aumentar a responsabilidade do agente, mas não podem por si modificar a qualidade moral dos próprios atos; não podem tornar boa ou justa uma ação má em si.

2. MORALIDADE DOS ATOS HUMANOS (Cat 1755-1756)
Ensina João Paulo II na sua Carta Encíclica Veritatis Splendor:

“Os atos humanos são atos morais, porque exprimem e decidem a bondade ou a malícia do homem que realiza tais atos. Eles não produzem apenas uma mudança do estado das coisas externas ao homem mas, enquanto escolhas deliberadas, qualificam moralmente a pessoa que os faz e determinam a sua profunda fisionomia espiritual... A moralidade dos atos é definida pela relação da liberdade do homem com o bem autêntico” (VS 71.72). Esta moralidade como vimos esta vinculada às condições acima citadas, sendo o ato bom havendo bondade do objeto, da finalidade e das circunstâncias.

O objeto por si mesmo pode ser suficiente para determinar um ato como mau. São objetos cuja escolha é sempre errônea e não se justifica, é o caso, por exemplo, da fornicação.

Para determinar se um ato humano é bom ou mau, deve-se atender a seu objeto, estando em um erro os que julgam poder determinar a moralidade de um ato partindo tão somente das circunstâncias e intenção.Entre os atos que são considerados errôneos e não se justificam sob nenhuma circunstância ou intenção, ainda que positivas, encontramos: a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério.

O mundo moderno tende a relativizar a moral, ou seja, a tornar a moral uma questão interna, subjetiva, que cabe a cada um discernir e seguir conforme sua própria razão ou sentimentos. Diante disto, o cristão deve estar atento ao objeto do seu ato, distinguindo a existência de uma verdade única e absoluta, que vem de Deus e é a fonte da moralidade de toda conduta humana.

3. AS PAIXÕES (Cat 1762-1770)
Cat 1762: “O ser humano se ordena à Bem-Aventurança através de seus atos deliberados: as paixões ou sentimentos que experimenta podem dispô-lo a isto”.

Os sentimentos ou paixões são emoções ou movimentos da sensibilidade que inclinam alguém a agir ou não agir em virtude do que experimenta ou imagina ser bom ou mau. Amor, ódio, desejo, medo, alegria, tristeza e cólera são componentes naturais do psiquismo humano que fazem ligação entre a vida sensível e a vida espiritual. Em si mesmos, estes sentimentos não são bons nem maus, só recebendo qualificação moral na medida em que contribuem para uma ação boa ou má.

Devemos conceber as paixões segundo a antiga analogia cristã que tinha nelas a visão de fogosos cavalos atrelados a um veículo, devem ser orientados pelas rédeas da vontade para um bom caminho ou então conduzem cegamente à perdição todo veículo.

A perfeição moral consiste em que o homem seja atraído a Deus pela razão e pelas paixões, quando estas estão determinadas para Ele. Assim é que elas “arrastam” o homem para o bem e não o contrário, segundo a Palavra do Salmo: “Meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo”(Sl 84,3).

4. A CONSCIÊNCIA MORAL (Cat 1776-1802)
A Constituição pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II sobre a Igreja no mundo de hoje, transcrevendo o ensino do papa Pio XII sobre a consciência humana, diz: “Na intimidade da consciência, o homem descobre uma lei. Ele não a dá a si mesmo, mas a qual deve obedecer. Chamando-o sempre a amar e fazer o bem e evitar o mal, no momento oportuno, essa voz soa na intimidade do seu coração: faze isto, evita aquilo. O homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus; a sua dignidade está em obedecer-lhe, e é por ela que será julgado (veja Rm 2,15-16). A consciência é núcleo secretíssimo e o sacrário do homem onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz” (GS 16).

A consciência moral é um ato da razão pelo qual o homem percebe e reconhece a qualidade moral de um ato concreto que planeja executar ou que já praticou. Quando resolve escutar a consciência moral, o homem pode ouvir a voz de Deus que lhe fala. Por isto, é importante que cada qual procure fugir de tantas situações da vida que o distraem demasiadamente, impedindo-o de refletir em seus atos. Por isto é importante buscar a interioridade e a vida de oração, para alí ouvir a voz de Deus, que fala no fundo de sua consciência. Assim é que advertia Sto Agostinho: “Volta à tua consciência, interroga-a... Voltai, irmãos, ao interior, e em tudo o que fizerdes atentai para a testemunha, Deus”.


5. FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA (Cat 1783-1794)
“A consciência deve ser educada e o juízo moral esclarecido. Uma consciência bem formada é reta e verídica... A educação da consciência é indispensável aos seres humanos submetidos a influências negativas, e tentados pelo pecado a preferir seu julgamento próprio e a recusar os ensinamentos autorizados” (Cat 1783).

É imprescindível ao cristão que empregue diligentemente as suas forças para a educação da sua própria consciência, uma tarefa de toda a vida. Constantemente são oferecidos valores que ferem a moral cristã e o cristão deve ser sensível para perceber o que não se coaduna à verdade evangélica. A exortação de Jesus Cristo sobre a necessidade de permanente vigilância, deve também ser tomada no campo da consciência moral.

Para a formação da consciência moral o cristão deve tomar por primordial a ação da Palavra de Deus, segundo a expressão do salmista: “Sou mais sensato que todos os meus mestres, pois meditei as tuas exigências. Tua Palavra é lâmpada para os meus passos, luz para o meu caminho” (Sl 119,99. 105).

Sendo o homem limitado, a sua consciência pode estabelecer juízos errôneos, derivados da ignorância. Assim expressa o Catecismo: “O ser humano deve sempre obedecer ao juízo certo de sua consciência. Se agisse deliberadamente contra este último, estaria se condenando a si mesmo. Mas pode acontecer que a consciência moral esteja na ignorância e faça juízos errôneos sobre atos a praticar ou já praticados” (Cat 1790).

Podemos falar desta forma, de uma ignorância ausente de culpa. Porém, há certa ignorância que pode ser imputada à responsabilidade pessoal, é o caso do desleixo para com a própria formação, da ausência de ascese e o assentimento a pecados que passam a constituir vícios que “adormecem” a consciêcia.

Devemos notar sempre que um objeto em si desordeado conduz a um ato moralmente mau mesmo com a consciência adormecida. Este é um ponto delicado, mas necessário de ser bem entendido, visto o mundo moderno tender crescentemente para uma moral relativa, o que não condiz com o Evangelho.


Me deixa em paz
Enviado por Me deixa em paz em 20/01/2006
Código do texto: T101469

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Me deixa em paz
Fortaleza - Ceará - Brasil
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