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CADEIRA DE RODAS

Que emocionante! Festa! Galera! Energia positiva!

No meio disso tudo, um menino com mais ou menos 10 anos, cercado por muita gente, sua mãe, talvez irmãos e muitos amigos. Logo que o avistei senti uma sensação muito forte, o vi comendo pipoca, com uma paciência, pinçando grão por grão e levando até a boca, curtindo cada movimento desse processo. Não me contive e percebi que algumas lágrimas rolavam pelo meu rosto, como somos orgulhosos e nos preocupamos com quem está ao nosso lado, imediatamente as contive e reprimi aquela sensação. O que rolou na minha cabeça foi que sou ingrato, mal agradecido e injusto, tenho tudo que quero, sou perfeito, gozo de plena saúde, tenho uma família adorável e me flagro muitas vezes criticando por coisas tão banais. E aquele menino tão novinho, aquele pezinho, seu tênis, impedido de brincar, correr e se movimentar.

Sua mãe, que fé, ajoelhada e rezando com tanta força, consegui interpretar claramente o que aquela senhora estava rogando a Deus.... Se eu pudesse fazer alguma coisa para aliviar o sofrimento dessa mãe, qualquer coisa, não hesitaria, ela queria e quer ver seu filho como qualquer criança da sua idade, livre para brincar, caminhar, correr, viver....

Mudo a direção do meu olhar e encontro novamente o menino, ele está sempre feliz, que graça de menino, que energia, como pode a gente sentir tanto por uma situação que quem a vive aparenta não se incomodar? Seus amigos o tratam de uma forma tão carinhosa, percebo que todos que o rodeia sente muito amor por ele.

Agora outro menino compra um algodão doce e não se esquece de oferecer ao seu amiguinho sentado na cadeira de rodas. Gente, quando vivo esses momentos é tão interessante, tudo rola como num filme, participo das cenas e algumas vezes me sinto estar no centro do acontecimento, ouço e vejo mesmo estando distante, percebo detalhes que não são comuns, tudo parece um sonho.

Mais um pouco encosta uma menina que começa a acariciar o menino, ele como sempre, sorrindo, transmitindo uma alegria muito intensa, contagiando a todos.

Meu Pai muito obrigado por tudo que me proporcionaste e mil desculpas pelas vezes que reclamei de picuinhas, tenho tudo que preciso e gostaria muito que todas as crianças do mundo pudessem gozar de saúde, paz e felicidade. Dê consolo àquela senhora e mostre que seu filho pode ser deficiente mas é um menino puro, inocente, um anjo e que ela aceitando suas condições o fará ainda mais feliz.
Vladis
Enviado por Vladis em 24/01/2006
Código do texto: T103386
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Sobre o autor
Vladis
Matão - São Paulo - Brasil, 57 anos
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