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Jesus lhes abençoe!!!


Julia criou com extrema dificuldade quatro filhos.

Viúva, lavava roupa em casa de família para auxiliar no orçamento, porquanto, contava apenas com a pequena pensão deixada pelo marido.

A dignidade era seu forte; bela, inúmeras vezes recusou convites para se aventurar com homens casados – eram promessas de vida melhor, mais abastada, maiores facilidades – sua resposta era sempre a mesma :

Não!

Fez tudo que estava a seu alcance pelos filhos; dedicou atenção, amou-os como nunca, foi amiga, mãe, pai, conselheira...

Costumava dizer que o estudo era a base de tudo, por isso, redobrava seus esforços a fim de possibilitar instrução a seus garotos – instrução que segundo ela garantiria aos “meninos”, maiores chances de seguir caminhos seguros na vida.

Aos 78 anos, tricotava em lar de idosos, há anos não mais recebia visita dos filhos, contudo, não blasfemava, nem condenava, pensava consigo:

Jesus lhes abençoe!

Seu passatempo predileto era animar os amigos do Lar que por vezes desesperavam-se e ficavam a reclamar  da falta de atenção dos familiares.

Dizia:

Amigos; agora,  essa é nossa família, sejamos família uns dos outros,  sigamos em frente, não cobremos gratidão nem consideração daqueles que um dia beneficiamos,  a fim de que não torturemos nosso já combalido coração com dissabores desnecessários e perigosos à saúde, sigamos em frente, avante!

Prezado leitor, belo exemplo não é mesmo?

E nós, como estamos? Será que já atingimos o grau de desprendimento dessa mãe?

Perguntemo-nos:

Costumo cobrar os benefícios que trago à meus semelhantes?
Espero um obrigado quando realizo atitudes pequenas de boa vontade?

Se respondemos afirmativamente ás questões acima , ainda estamos distantes do desprendimento dessa mãe.

É complicado quando fazemos o Bem e esperamos que nos recompensem por ele, que nos agradeçam, que nos enalteçam a boa vontade.

Mesmo em se tratando de desconhecidos, quando esperamos algo em troca por um favor que prestamos, em realidade, nos aproximamos de um mercador  que comercializa seus produtos,  e não de alguém que fez com o intuito de beneficiar genuinamente.

Muitos se não dizem, pelo menos pensam:

- Olha, eu lhe auxiliei em determinado momento de sua existência ,então, terás que ser eternamente grato a mim.

Outros vão além;  beneficiam, após beneficiarem, sentem-se no direito de ditar as regras da vida daqueles a quem auxiliaram.

Ilustrativo o caso de um familiar que sempre socorria o outro dos apuros financeiros, invariavelmente “opinava”, com a petulância daqueles que sentem-se donos da situação:

 - Não faça isso!
 - Não, você não irá namorar hoje, deixe para ir amanhã!

Quando pensamos ou agimos dessa forma, pedimos para nos decepcionar!

Prezado leitor, para que deixemos de acusar àqueles que caminham conosco de ingratos, se faz imperioso cultivar o desprendimento.

Esse nos liberta, nos apazigua, nos acalma, livrando-nos de dissabores e angústias, tristezas e cobranças que apenas nos deixarão um amargo gosto de aflição.

Façamos o Bem que estiver a nosso alcance e deixemos de nos atrelar ao passado,  a vida com  sua infinita sabedoria nos premiara na hora exata, no mais, sigamos em frente,  e falemos como Julia:

 - Jesus lhes abençoe!

Wellington Balbo
Enviado por Wellington Balbo em 24/02/2006
Código do texto: T115706
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Sobre o autor
Wellington Balbo
Bauru - São Paulo - Brasil, 41 anos
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Wellington Balbo