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As rosas que recebi

As rosas que recebi

Um dia numa manhã fresca e ensolarada, acordei meio ensonada e sombria, tinha adormecido a chorar, pelos tristes factos da vida.
Se disser que sou guerreira e batalhadora não estou a mentir mas nesse dia em especial eu não queria sequer acordar, de tanta tristeza contida. A minha tia tinha partido desta vida e teria que ir de cara lavada e bem acordada a sua despedida, pensando como seria aquele dia para mim., ela além de ser uma mãe era também a melhor amiga como podia a deixar partir, como podia aceitar o facto que jamais a veria e voltaria abraçar.
Levantei e vesti nada comendo e preparando as meninas para correr para um mosteiro lindo, onde ela estava a ser velada, cheguei, observei as pessoas de forma curiosa, ouvia os seus comentários e eu ali prostrada e sem saber o que pensar, do que ouvia, de todos ouvia elogios até saudades, outros largavam lágrimas amargas por serem tão ausentes da sua pessoa, família sempre foi o nosso maior calcanhar de Aquiles, alguns me estavam a enervar por tanta falsidade que via.
-Via o povo da aldeia, gente simples sem papas na língua e com alguma grosseria própria de sua vida agreste e sem grandes cultivo de educação e alma, falando de suas causas de grande mérito e ajuda aos mais desfavorecidos, ali eu senti que aprendi muita coisa daquela grande senhora que me deu o ser e o berço, repleto de educação e amor e confesso que encheu o peito de orgulho.
Chegou o momento de levar a urna ao seu lugar permanente, onde iria ficar até a eternidade, vi gritos, gente com dor da saudade e da tristeza de não voltar a ver a minha querida tia mas eu estava como anestesiada e sem verter uma lágrima, porque entendi que ela tinha comprido a sua missão na terra e com grande distinção e brilho, pois na sua partida naquele momento do seu último respirar eu estava lá a seu lado, apertando a sua mão e não a deixando sozinha. Chegamos ao cemitério, os sobrinhos homens pegaram na sua urna mas eu peguei em uma agarra e do lado da sua cabeça com as minhas forças já desgastadas e a levei a sua ultima morada conforme lhe prometi que jamais a deixaria sozinha e a acompanhava até ao final.
Despedidas e choro mas eu voltei para casa de tão cansada que estava e juntei as minhas filhas na sala e falamos dela com carinho, as mais velhas estavam a se lamentar de não terem se despedido dela mas eu lhe disse que ela, entendia, jamais iria deixar de gostar delas até porque fez questão que elas recordassem como ela era. Nesse momento a minha filha mais velha me diz:
-Mamã que estranho cheiro que aqui a minha volta tão forte, sente anda cá…
Levantei e desloquei ao sofá que ela estava sentada e foi com pasmo e surpresa que senti o cheiro que estava em seu quarto no hospital, forte aquele odor de doença e remédios e sorri, falando.
-Filha não te assustes não é tua tia Mimi se despedindo de nós, falem com ela agora e digam o que gostariam de ter dito e não o fizeram.
De lágrimas a correr pela face e sem saber o que pensar pois aquele odor corria a sala toda eu senti a mão de Deus e que ela tinha tido autorização para se despedir dos que mais amava, nele momento a sala ficou repleta de aroma forte a rosas, era tão forte que parecia que tinha partido um frasco de vidro de perfume, as minhas filhas estavam sem fala e com a face cheia de lágrimas e confusas.
Eu fiquei agradecida a Deus por tal bênção concedida e ofertada e nem sequer falamos do sucedido ao meu marido. Veio a noite e cansada adormeci e na manhã o meu marido me chamou a sala e pediu para que o escutasse com atenção e não me risse do que ia falar.
Contou que estava triste sentando na cadeira da mesa da sala, sentindo de repente algo um cheiro forte a hospital e tão forte que se levantou e foi para o sofá, dizendo que seguiu o cheiro com ele e ai ele se lembrou de algo, minha Tia e sentou confuso e sem saber que pensar dado que não aceitava essas coisas, nisto ele sentiu a sala a ficar repleta de aromas a rosas mas dizia ele era tão forte que ficou durante minutos na sala.
Eu sorri e lhe contei o sucedido comigo e com as meninas e ele chorou porque soube naquele momento que minha tia se despediu dele como se fosse uma mãe a mãe que ele dizia que sentia mais afinidade que sua própria mãe.
Estas foram as rosas divinas do amor e de Deus. As rosas do amor, existiram melhores rosas que estas que me foram ofertadas.


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Enviado por Betimartins em 16/10/2007
Código do texto: T696041

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Sobre a autora
Betimartins
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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