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VOLTA POR CIMA



Ando cega.
A escuridão é minha companheira,
De tal maneira,
Que me enrosco
Na coberta da dor,
Desperdiço à noite com lamentos,
Solto soluços roucos junto à janela,
Rasgo com os dentes os segredos
Deixados nas minhas entranhas.
Para teu deleite, sofro.
Choro as perdas
Que o tempo roubou
Das manhãs ensolaradas.

Cato estrelas, urro,
Me visto de cinzas,
Corto os cabelos,
Os pulsos,
A esperança.
Sou traça em trapos
Com tua ausência,
Sou farsa.

Tanta desgraça
E minha vida
No fio da navalha.
Amei teu colo quente,
Teu olhar ausente,
Tua barba de dois dias.
Foste mel, agora és fel.
Mutilada, vigio as cicatrizes
Estampadas no meu ser.
Já não desejo viver.
Tua sombra retorce trêmula
Na parede caiada.
É hora de partir,
Experimentar a paz do sepulcro.

Teu fantasma, que assombra
As noites insones,
Já não me amedronta.
Consternada,
Solto versos doridos de amor.
Expulso meus demônios,
Lavo minhas feridas.

Um olhar relâmpago
Deflora tuas lembranças.
Na hora do teu voltar
Estarei refeita,
Riso frouxo na boca,
Olhar dissimulado
De novo encantada.
Zombarei dos teus descuidos.
Porque amor que dói é finito.

Dueto com Fátima Cerqueira
Claudia Nunes da Silva
Enviado por Claudia Nunes da Silva em 21/10/2007
Código do texto: T703160
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Claudia Nunes da Silva
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 49 anos
394 textos (132663 leituras)
9 áudios (5331 audições)
6 e-livros (3816 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/10/17 11:26)
Claudia Nunes da Silva