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MEMÓRIAS DO AMOR VIVO

Esta é a memória de meu amor vivo.

Faz tempo que não te escrevo. Aliás, faz muito tempo mesmo. Se eu tivesse praticado este sentimento bonito que é a saudade, nós teríamos estado muito mais perto ainda.

Tenho doze anos e não te pude curtir em todos estes anos desde que me conheço por gente. Estive fora durante algum tempo.

Na real foram oito anos, quando moramos em Joinville. Parece mentira, oito longos anos de saudades!

Mas não é a mesma saudade que sinto agora. Eu não tinha condições de entender. Era muito pequeninha para poder ver o mundo e entender que é preciso curtir a quem amamos.
 
De repente a gente perde a quem se ama. Aquele que ama entrega sua vida ao outro, para outra pessoa. E somente o que a gente quer é ser feliz. Ninguém nos ensina que chorar faz parte do sentimento a que chamamos felicidade.

A felicidade é uma moça bonita e que só tem bons momentos. Como eles são diferentes uns dos outros! E são tão bons que a gente vai dormir com a sensação de que isto nunca vai mudar, que nunca acabará.

Agora eu sei, minha avozinha Lourena, que nos deixaste há tão pouco tempo e para sempre. Parece que estou vivendo um mundo falso, um mundo de mentirinha.

Diz minha avozinha amiga, e que nunca mais poderei ver, que estás bem em tua nova casa, no mundo que não escolheste.

Sei que fizeste a viagem sem volta pelas mãos de Jeová, o teu guia de amor.

Nós estamos aqui, meio sem graça, olhando a vida passar com outros olhos, com menos alegria, mais pobres por termos perdido a tua companhia, o teu olho de amor, a tua bênção, que muitas vezes eu não soube pedir.

Diz a mim, aos teus netos, meus irmãos e primos, se poderás continuar a abençoar os nossos dias, a nossa vida.

Eu sei que a saudade vai nos fazer mais ricos, pois saberemos que a vida rouba os nossos amados a qualquer tempo.

A saudade é uma dor funda que nos faz refletir, uma florzinha cheia de raízes de amor.

Olha, quanto vir o Dia das Mães, vou fazer uma reza bem bonita, com um amor tão grande, tão feliz, só pra te dizer que eu acredito que estás bem e que também te farei feliz com os cânticos da tua igreja, com estas boas novas que estou te mandando em nome de todos nós, os teus anjos sapecas que tantas vezes te fizeram rir e chorar neste meu mundo.

Sabes, faz pouco comemoramos os festejos de Páscoa, dias de muito amor, de renascimento naquilo que a gente realmente acredita.

Se a gente acreditar em coelhinho, a chegada dos ovinhos de páscoa nos fará felizes. Se a gente acreditar em alguma coisa mais espiritual, mais nobre, a gente vai ter a impressão de que a Páscoa é o momento do encontro com aquilo que a gente realmente ama. Então podemos ser mais felizes.

Sabes, ontem rezei pra ti. Eu pedi ao Senhor Jeová que te desse a ressurreição, o renascimento junto ao Cristo.

Nós estamos aqui com a vidinha de sempre, com as idas e vindas à escola, os afazeres do dia, a falta de sono costumeira, quando alguém está vendo TV e eu não quero ir pra cama. Mamãe fica fula da vida e me passa os cachorros!
 
Sabes, eu já tenho um amor no coração, um amor diferente de todos que tenho descoberto, um amor que me faz bem feliz. Este amor tem o teu nome.

E agradeço todos os dias a graça de te saber no meu sangue, de sentir a mesma saudade que sinto agora, no teu amor tão religioso em que o nosso Deus sempre está tão junto, tão presente, que acredito que estás ali, brincando com os anjos e querubins, na portinha dos jardins do céu, por onde, um dia eu entrarei também.

Cuida destes jardins, que agora está começando o outono e não gosto de ver as folhas caindo desmaiadas. É o que acontece no outono, quando as árvores ficam peladas.

No inverno as pobrezinhas vão sentir muito frio!

Vou guardar uma flor e uma folha no meio das páginas do meu diário, só pra lembrar que a vida se renova.
 
Não esqueças de pôr o teu xale sobre os ombros, porque aqui se fala que o inverno vai ser muito rigoroso.

Beijos de Tininha, tua neta.

(1) Pseudônimo feminino de Joaquim Moncks.

– Do livro CONFESSIONÁRIO – Diálogos entre a Prosa e a Poesia, 2006.
http://www.recantodasletras.com.br/mensagensdeaniversario/153690
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 10/05/2006
Reeditado em 24/05/2008
Código do texto: T153690
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2581 textos (709765 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 12:54)
Joaquim Moncks