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DESTA ÁGUA NÃO BEBEREI

É muito arriscado dizer: “Desta água não beberei”, pois você não sabe o dia de amanhã e pode ser que por necessidade ou por mudança de opiniões, idéias ou situação de vida, seja compelido a ter que fazer, aceitar e viver certas coisas que em outro contexto e situação não o faria.

Na vida, as coisas nem sempre funcionam do jeito que esperamos, do jeito que queremos, do jeito que planejamos. E quando algo dá errado é preciso ter a coragem para admitir o erro, consertar o que for possível e substituir o que não tem reparo.

Melhor do que afirmar que não vai fazer isto ou aquilo é dizer que no momento não gostaria, não pode, não tem condições de fazer o que se está propondo. O momento é que se torna impeditivo para tal ou qual realização. Num outro contexto, em outra situação, quem sabe aquele assunto, pessoa ou trabalho possa voltar com uma nova oportunidade, uma nova chance de se realizar...

É muito triste quando ouvimos pessoas afirmando categoricamente não fazer, não concordar, não aceitar determinadas coisas e situações e, passado algum tempo, percebermos que naquilo em que ela condenava o outro está sendo a primeira a praticar.

Não estou falando de valores éticos e espirituais que sejam inalienáveis ao ser humano de modo geral (na luta pela socialização da espécie e da preservação do bom viver), nem daqueles valores particulares que cada indivíduo agregou no decorrer de sua existência pela influência da família ou da religião. Existem realmente coisas e conceitos que não se deve trocar como se está disposto a livrar-se de uma roupa diante de um espelho; trocando-a por outra, instantaneamente, quando daquela não gostamos.

Estou falando de situações da vida, idéias, costumes, práticas, comportamentos, ações, idiossincrasias que a gente vai somando no dia-a-dia, mas que não são tão fundamentais para a existência.

Precisamos entender que as coisas são. Mas são, por enquanto, até que outras venham a substituí-las e elas passem a não ser mais. Vivemos em um mundo de rápidos avanços tecnológicos e esta mutabilidade que está embutida no moderno conceito de vida precisa ser agregada aos relacionamentos.

Melhor, então, quando formos confrontados por situações de difícil interpretação, de análise mais rebuscada e teor polêmico, afirmar que no momento não estamos com sede, quer dizer, por enquanto não vamos fazer, participar, aceitar, concordar. Um dia, quem sabe, os caminhos se cruzam novamente e outra história poderá ser escrita deste relacionamento.

Se a porta fechada impede a entrada do inimigo, a porta aberta sinaliza a possibilidade da chegada do amigo...
Jess
Enviado por Jess em 11/06/2006
Reeditado em 23/08/2006
Código do texto: T173320
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Sobre o autor
Jess
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
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Jess