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Fronteira

Escrita perdida, escrita culpada. Balanço entre o bom e o mau. Existo nesta fronteira. Procuro o equilíbrio num circo cheio de malabaristas. Se calhar Deus ironizou e criou o mundo sob um chapiteau gigante.

Limitou o tempo, mortalizando a nossa existência. E, no entretanto - chamada vida -, envelhecemos, deitamos pela janela os minutos, horas, dias, meses. Quantificaram tudo. Contudo, a nossa alma continua inquantificável. Uma grandeza sem números, matemáticas. Sem factos científicos, ou estudos, apenas inúmeras probabilidades. Infindáveis questões se colocam: de cariz intelectual, religoso e até de comportamento. Olhamos o passado, esse tempo ido, já usado, e perguntamos o porquê de tantas atitudes irreflectidas.

Assinale-se que não me arrependo minimamente de nenhuma atitude passada, apenas lamento que tenha magoado as pessoas que mais amo e amei ao longo do tempo que já vivi. E é esse peso das vivências no presente, que nos faz questionar a vida, os propósitos. Mas também é virtude, olhamos desprendidamente os erros dos outros, sabemos perdoar mais facilmente, tiramos de tudo maior prazer. A maturidade de que tanto se fala.

No entanto, a complacência não existe. E se nos limitassem ainda mais este final, reduzindo aqueles denominadores anteriores. Ou seja a vida em equações indeterminadas pelo infinito do resultado. As interrogações cresceriam exponencialmente. Bem como o desejo de viver intensamente o tempo restante, contado em milhares de grãos de areia, como numa ampulheta, mas sem possibilidade de virar a base do relógio medieval e encetar nova contagem.

Somos aprisionados na masmorra dos nossos pensamentos. Acreditamos, não acreditamos. Continuamos, desistimos. A fronteira dos opostos que se degladiam, se cruzam numa batalha sem fim.

Onde está o equilíbrio?? Sustentamo-nos periclitantes sobre uma corda bamba. Tal como numa arte circense, os nossos pensamentos dançam sobre a corda balouçante. Penetrantes, rasgam o nosso ser, como uma navalha afiada.

Um fogo vivo que nos consome, nos entristece pelos momentos que faltam. Uma sede proibida, vedada pela miragem da vida.

Kadú
Enviado por Kadú em 29/11/2006
Código do texto: T304868
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Sobre o autor
Kadú
Luanda - Luanda - Angola
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Kadú