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TRIBUTO À VIDA

O Aprendizado da Perda

Jamais sabemos a hora que viveremos o último instante, por isso, entendo, profunda e intensamente, todos os que sofrem pela perda de entes queridos, de pessoas insubstituíveis, de almas que vêm à terra, designadas a exercer a plenitude das afinidades.

Quando alguém que amamos muito é retirado de cena sem pedir licença, quando as ribaltas se apagam, anunciando o findar da vida, somos, inevitavelmente, tomados pelo vazio da orfandade implacável.

É nessa hora que o grande desafio se instala: transmutar a dor em explosão de amor. Por que quando perdemos alguém a quem tanto queríamos bem, faz-se mister buscarmos as raízes eternas deste sentimento tão sincero. E neste instante, que já não é o momento findo, mas, renascido, primeiro minuto de um novo tempo que é preciso viver, faz-se necessário irmos encontrando as formas de dar dignidade à nossa dor.

Já não adianta chorar tanto e soluçar em demasia, necessário é resgatar a alegria, libertar, liberar-se em Deus, descansar para deixar partir e simultaneamente, saber ficar.
É chegada a hora de crescer, não é físico nem psíquico, é evolução em espírito, é honrar ao Pai acima de todas as coisas e estar resignado à Ele, Único e Onipotente, que determina o início e o fim da passagem terrena, a despeito das falhas e dos acertos humanos.

Deus é tão sábio que fez da eternidade um mistério, apenas compreendido por quem foi - quando vai, e por quem fica - quando com a dor, se purifica. É preciso redescobrir nossos elos de amor além do corpo físico e aquém dos sofrimentos humanos. O amor de um ente querido, de uma mãe por seu filho, estará presente em cada detalhe da vida existente: nos mares, no sol, nas estrelas, na música, na poesia, na inspiração que nos faz canais e seres imortais.

Uma alma que tem fé jamais morrerá de frio! A dor que hoje se diz ainda, quase insuportável, cicatrizará sim, quanto mais à certeza do amor, colocar “um outro” dentro de “um mim”.

Outrossim, é preciso saber-se vento, que está em todas as esferas da existência, mas não podemos tocá-lo. Mudar a ótica de encarar a morte, é desprender-se da presença visível, vivendo a magnitude do inatingível.

O único conselho em vida que devemos deixar aos nossos filhos, é que valorizem minimamente o sorriso de bom dia e o beijo de boa noite, numa benção permanente, pois, nada materializa mais a eternidade, do que as impressões que deixamos nas digitais dos corações entrelaçados.

Escrevo este texto num sábado à noitinha, naquela hora em que as andorinhas voam para seus ninhos e as flores adormecem entregando-se ao orvalho vindouro na madrugada. Acabo de ler, em ritmo galopante, um livro chamado TRIBUTO À VIDA, que revela um filho maravilhoso e apaixonado, sofrendo a dor da perda materna, sem saber ainda, que apesar de tudo...a alegria não é finda, a poesia da vida não acabou, o sonho existe e a história continua.

Sempre haverá um sinal, ela ficará na lembrança, na atitude amorosa que corre nas veias e rompe gerações. Alguém, sempre olhará com  expressão  semelhante; as recordações ruins do suposto fim, serão vencidas pela bagagem maravilhosa derramada ao longo do caminho. 

E toda aquela nuance de amor e fé ultrapassará barreiras, muitos rosários espirituais se despejarão em pérolas, a esculpir jóias de proteção.

Todas as Nossas Senhoras acolhem esta nossa senhora, também um pouco minha, agora, que fui presenteada com seu amor, mesmo depois de sua passagem enquanto espírito encarnado.

Este testemunho, quero ofertar ao meu grande amigo e editor Artur Rodrigues: o amor de Judith inundou meu coração e eu me vi a rezar, prostrada, de joelhos, por este, que veio ao mundo, cercado pela fé e pelo amor de uma mãe, que hoje descansa em berço esplêndido e se faz menina, como numa fotografia, dorme em paz no colo de Jesus.

Ninada por anjos, emana para todos que a amam vibrações de Luz.

Este filho tão querido é um vencedor, porque em seu sensível coração, só existe e resplandece: AMOR!
Márcia Beatriz Prema
Enviado por Márcia Beatriz Prema em 26/08/2006
Reeditado em 26/08/2006
Código do texto: T226015

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Sobre a autora
Márcia Beatriz Prema
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Márcia Beatriz Prema